COTIDIANO

Colônia daimista Cinco Mil faz 30 anos

Comemorando aniversário, local reabre as portas de sua igreja, que estava em reforma, e aposta no turismo ecológico e místico

Marcos Vicentti
Padrinho Sebastião divulgou
a cultura daimista, fazendo
conhecida a Colônia Cinco Mil


Andréa Zílio

A colônia daimista Cinco Mil ficou conhecida no Brasil e exterior tendo à frente o padrinho Sebastião Mota de Melo. Com a sua ida para o Amazonas, em 1980, ela passou a ser dirigida por outras pessoas. Há quatro anos, Maurílio José Reis, 50, seguidor da doutrina e esposo da filha mais velha do fundador, está na direção de um trabalho que tenta resgatar a estrutura do local e sua história. Hoje a colônia Cinco Mil está comemorando seus 30 anos, marcados pela festa de São João. Ela iniciará a partir das 19 horas, com hinários, bailado, som de violão, sanfona, tambores e flauta.

A festa pretende reunir os 120 membros da colônia Cinco Mil. Depois de um ano fechada para reforma, a igreja do local irá abrir as portas para as celebrações. Na nova fase que Maurílio diz estar vivendo a comunidade, conta que tem o objetivo é valorizar o daime, o colocando como grande incentivo ao turismo no Acre. Só que unindo a ecologia ao místico, o que chama de ecomístico.

“As pessoas viriam para cá para conhecer o daime. Muitos fazem isso, só que se a política adotada no Estado abraçar realmente a causa, esse número seria muito maior, principalmente de estrangeiros”, conta.

Cinco Mil - Maurílio conta que a Cinco Mil passou a existir exatamente em 1971, quando morreu mestre Irineu Serra, o fundador do daime.

“Padrinho Sebastião começou a sentir a liderança, a receber os hinários que constroem a doutrina. Isso criou uma desavença e em 1974 começou os trabalhos aqui, fundando a igreja. Em 1980, padrinho Sebastião se mudou para o Amazonas, onde fundou o Céu do Mapiá, que é quem obedecemos, onde tem à frente o mestre Alfredo de Melo, filho de padrinho Sebastião”, explica.

Nos anos 70 a Cinco Mil passou a ser conhecida e difundiu o daime. Na década de 80 ficou notável em todo o Brasil, e na de 90, em outros países. Hoje ela recebe visitantes de vários lugares do mundo. Há 15 dias, Maurílio chegou da Inglaterra. Lá, fez a primeira celebração daimista com 70 pessoas. “Temos 180 membros no Japão. O daime hoje está em toda a Europa”, afirma.

Ecologia e misticismo

Um turismo ecológico e místico é a proposta da Cinco Mil para voltar a ser um lugar referência e ser atrativo no Acre. Na área preservada de 54 hectares, que Maurílio diz que pretendem organizar a estrutura da igreja, a deixando mais confortável aos visitantes e colocar uma espécie de alojamentos no local.

Somente com a divulgação aleatória, ele conta que está sempre com visitantes, cerca de 80 por ano. E se as dificuldades fossem menores, como as próprias condições do ramal que leva até a igreja, acredita que os números seriam maiores. “O Céu do Mapiá recebe 500 pessoas por ano. Podemos recebê-los também, e talvez até mais gente. Queremos despertar o valor da doutrina, transformar a Cinco Mil em parque com hospedagem, lazer, local de meditação, de exercício do daime. Temos uma aceitação grande. muitos querem a comunidade.

Conhecida também por ser bastante acessível, a colônia Cinco Mil só comemora a reabertura da igreja em definitivo nos dias 7 e 8 de dezembro. Quando estarão também fazendo o recadastramento de membros.

Na festa de hoje, Maurílio comenta que serão cantados 129 hinários de mestre Irineu. Afirma que a festa será muito bonita, onde todos os membros estarão com as fardas e haverá bailados. Tudo como manda a tradição.

Quem quiser entrar em contato com a comunidade Cinco Mil, o endereço eletrônico é coloniacincomil@yahoo.com.br

 

 
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