| ESPECIAL | |
| ESPECIAL | |
Usuários e profissionais do sexo recebem preservativos, seringas descartáveis e orientação para se proteger |
|
Todos os dias, milhares de pessoas tentam deixar de fumar e poucos têm conseguido. Essa é uma realidade que cerca tanto os usuários das drogas legais como o tabaco, álcool e medicamentos, quanto ilegais a exemplo da maconha e cocaína. Para atender essas pessoas, vem sendo proposta desde os anos 20 do século passado uma série de ações para a redução de danos à saúde dos usuários. A criação de uma política de redução de danos foi retomada nos anos 80 quando o uso de drogas injetáveis como a cocaína e heroína se generalizou entre jovens da Europa e Estados Unidos, chegando ao Brasil em 1995 e a Rio Branco em 2001, dando origem à Rede Acreana de Redução de Danos (Reard), já com suas ações não mais limitadas aos usuários de drogas, mas também aos profissionais do sexo, usuários de anabolizantes e silicone. Com o fim da Reard, suas atividades estão sendo continuadas pela Associação de Redução de Danos do Acre (Aredacre), integrante do Fórum Norte de Redução de Danos, que acaba de realizar em Manaus (AM) o primeiro Encontro de Redução de Danos da Região Norte (Enord), sob a coordenação do acreano Álvaro Mendes. “Em 2001 o Acre foi o primeiro Estado da Amazônia a implementar ações de redução de danos, experiência repassada para o Amapá em 2003. Este mês foi fundada a Associação Amazonense de Redução de Danos e estamos trabalhando para que esses serviços sejam instalados nos demais Estados da região”, explicou ele. Além da Aredacre, atuam seguindo essa metodologia da redução de danos, a Associação de Mulheres Revolucionárias (Amar) e A associação Unificada dos Amigos dos Dependentes Químicos (Auad). Em artigo do especialista Tarcísio Matos de Andrade sobre a prevenção ao uso e o abuso de drogas à luz da redução de danos, ele lembra que os tratamentos de abstinência (não uso) de drogas e álcool têm conseguido com que em cada dez usuários, apenas três ou quatro se afastem da substância tóxica da qual estão dependentes. Já o próprio Ministério da Saúde reconhece que o nível de contaminação pelo vírus da Aids entre os usuários de drogas injetáveis atendidos pelos programas de redução de danos em 2005 caiu pela metade. Ao mesmo tempo, seis em cada dez usuários atendidos abandonaram ou reduziram o uso, enquanto outros tomaram consciência do problema e procuraram apoio nas clínicas de abstinência. Uso sem abuso “Vivemos num Estado localizado na fronteira com o Peru e Bolívia, maiores produtores mundiais de cocaína, e isso facilita o acesso das pessoas a essa droga e seus derivados. Ao realizarmos uma pesquisa nas cidades de fronteira descobrimos o uso do oxidado de cocaína, a mais violenta das drogas, causando uma degeneração tão intensa que muitos dependentes morrem com um ano de uso desse produto”, denuncia, alertando que a Aredacre está formalizando convênio com a Fundação Oswaldo Cruz para determinar a profundidade dos danos do uso dessa substância. Mas a redução de danos já não se limita ao atendimento dos usuários de drogas legais ou ilegais, mas também aos profissionais do sexo, no que se entendem as prostitutas e prostitutos, transexuais, homens que fazem sexo com homem e as lésbicas. Outra categoria, esta mais ligada às academias de musculação, orienta a redução de danos nos usuários de anabolizantes para acelerar a formação de uma musculatura “sarada”. Por fim os travestis e transexuais que até bem recentemente utilizavam produtos inadequados como o silicone de limpar painéis de carros para “turbinar” seios e traseiros, mas agora contam gente treinada para fazer isso em ambientes limpos e materiais que não prejudicam a saúde. “As pessoas censuram o uso das drogas ilegais, mas fazem de conta que não vêem que as mortes e a desestruturação das famílias por causa de drogas lícitas como o álcool, o cigarro e medicamentos. Aliás, o uso de álcool associado a medicamentos está atingindo proporção alarmante aqui no Acre”, lembra Álvaro. Ele esclareceu que todo o trabalho da Aredacre e demais entidades que funcionam no Acre têm recebido apoio do governo do Estado, ministério da saúde e até da Unesco. O volume de recursos ainda é insuficiente para atender todas as necessidades. Mesmo assim, somos o Estado da região Norte com o melhor atendimento aos usuários de drogas”. Dependentes perdem a si mesmos Eles são encontrados desmaiados em casa, nas ruas ou vítimas de overdoses que podem mata-los a qualquer momento e é nessa situação que o Pronto Socorro do Hospital de Urgência e Emergência de Rio Branco (Huerb) recebe muitos usuários e dependentes químicos todos os dias. Resolvido o problema mais urgente, eles são encaminhados para um dos 14 leitos do serviço de desintoxicação que funciona dentro do próprio hospital. |
|
|
|
| GIRO GERAL |
| Com Moisés Alencastro |
| NA TRIBO |
| Com Roberta Lima |
| PORONGA |
| Da Redação |
| |
| COTIDIANO |
| COLUNAS |
| EDITORIAL |
| ENTREVISTA |
| ESPECIAL |
| ESPORTE 20 |
| POLÍTICA |
| OPINIÃO |
| VARIEDADES |
| EDIÇÕES |
| EXPEDIENTE |