| OPINIÃO | ||
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Ana Falu * |
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Um espelho estratégico A visibilidade da contribuição das mulheres para o bem estar social e para a economia é uma questão fundamental para a eqüidade de gênero. Há que se avançar na discussão dos conceitos sobre trabalho e promover uma redefinição que incorpore o trabalho não remunerado que acontece no âmbito familiar e comunitário _ uma parte importante das atividades humanas que, em geral, fica na obscuridade. O tempo social destinado ao trabalho não remunerado é tão significativo quanto o dedicado às atividades remuneradas realizadas para o mercado. Estudos, como o de María-Ángeles Durán, do Conselho Superior de Investigações Científicas da Espanha, questionam a exclusão do trabalho doméstico familiar do domínio econômico e consideram que essa exclusão não deriva da natureza da produção. Quando esses bens são produzidos fora do domicílio, o trabalho que os produz é remunerado, enquanto é gratuito quando feito no lar. Muitas vezes, porém, esses estudos enfrentam, no espaço acadêmico, as idéias predominantes que colocam as famílias como lugares de consumo, que perderam papel produtivo com a industrialização. Em geral, os estudos econômicos e os sociológicos referem-se especificamente ao trabalho remunerado, desconhecendo a contribuição à sociedade feita principalmente pelas mulheres. Nos últimos anos, no entanto, estudos sobre uso do tempo, de larga trajetória dentro da Teoria Social, têm se multiplicado. Eles são radiografias da vida cotidiana de homens e mulheres e destacam as diferenças no número de horas que uns e outros dedicam às tarefas remuneradas; aos afazeres domésticos; aos cuidados com crianças, idosos e doentes; ao lazer, cultura, educação; aos cuidados pessoais. As pesquisas de uso do tempo expõem a forma como a sociedade é majoritariamente organizada em função da experiência temporal dos homens e da dedicação “gratuita” das mulheres aos cuidados _ com crianças, doentes e idosos _ e sustentação “emocional” dos membros da família e do conjunto da cidadania, sem o reconhecimento social e econômico que essa “doação” merece. Este reconhecimento é importantíssimo para o desenvolvimento de políticas públicas capazes de contribuir para a igualdade de gênero e a real integração das mulheres na sociedade. Nesse sentido, o Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher (UNIFEM) vem contribuindo para a construção de diálogos e parcerias de cooperação técnica com institutos de estatísticas de vários países. Aqui, o escritório do UNIFEM para o Brasil e Cone Sul organizou, com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), um seminário internacional sobre Uso do Tempo, reunindo especialistas internacionais, para troca de experiências e busca de harmonização de metodologia na obtenção desses indicadores, de forma que os dados sejam comparáveis, especialmente entre países da América Latina. Com o apoio fundamental da Comunidade de Madrid e seu Conselheiro de Emprego e Mulher, Juan José Güemes Barrios, realizamos esse encontro histórico, que faz parte do projeto “Uso do Tempo e trabalho não remunerado das mulheres da América Latina”. Na região, nove países aplicam a pesquisa. Estamos certos de que, em breve, o Brasil terá sua medição de emprego do tempo, pois essa também é a vontade manifestada pela direção do IBGE, que, com toda sua competência, saberá avaliar qual o instrumento mais adequado para implantação no país. Ao ver estes esforços frutificarem, permitindo-nos avançar neste tema ainda inovador no Brasil e, por isso ainda difícil, tenho motivos para estar otimista, com todas as reservas do otimismo que podemos ter. Esse seminário foi um marco e o primeiro passo para difundirmos esse assunto de forma mais ampla e o colocarmos na pauta do governo e da sociedade brasileira. Vamos encontrar os caminhos para não desperdiçar essa possibilidade de ouro. As pesquisas de uso do tempo não são só para conhecer, mas também para fazer, e este é o nosso compromisso como agência das mulheres. Cabe aqui a metáfora preciosa dos espelhos, usada pela pesquisadora María-Ángeles Durán: se queremos realmente um espelho de cristal puro ou se vamos nos conformar com o espelho possível, mas não vamos negar a imagem. Nós, do UNIFEM, estamos na condução de um programa regional para a América Latina, que representa uma série de compromissos sobre os quais queremos construir esse espelho estratégico e ver como vamos melhorando essas imagens. * Diretora Regional Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher (UNIFEM) |
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| GIRO GERAL |
| Com Moisés Alencastro |
| NA TRIBO |
| Com Roberta Lima |
| PORONGA |
| Da Redação |
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