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Empreendedorismo consciênte |
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Brasília – Uma festa que reuniu pesquisadores, cientistas e até ministros de Estado marcou ontem a entrega do Prêmio Empreendedorismo Consciente, uma iniciativa inédita do Banco da Amazônia (Basa) na busca de soluções concretas e sustentáveis para a região. Dos 12 projetos finalistas, três deles empataram em primeiro lugar, dividindo o prêmio de US$ 100 mil (R$ 213,2 mil). Décio Ferreira de Oliveira (RJ), Marcelo Luiz Perini Tarachuk e Maurício Munhoz Ferraz, ambos de Cuiabá (MT), dividiram o prêmio principal. “Contribuir com a Amazônia é ajudar a humanidade”, desabafou, após ser escolhido, o engenheiro industrial Décio Ferreira de Oliveira, de 27 anos. Carioca de São Gonçalo (RJ), mas criado na Amazônia, esse mestre em Engenharia Ambiental concorreu com o projeto Produção Sustentável de Fibras Têxteis. A proposta dele é criar um ecossistema de produção de fibras têxteis a partir do aproveitamento dos resíduos oriundos da produção de celulose da empresa Jarí Celulose, que ocupa 1,734 milhão de hectares distribuídos nos estados do Pará (55%) e do Amapá (45%), cortadas pelo rio Jari. O projeto de Décio Oliveira prevê a instalação de 10 empreendimentos têxteis e de confecção, totalizando um investimento de R$ 617 milhões. Com seu projeto devem ser gerados 8,5 mil empregos diretos e outros 16,5 mil indiretos em áreas estratégicas como transporte de trabalhadores, alimentação, turismo de lazer. Mudança de foco - Segundo o presidente do Basa, Mâncio Lima Cordeiro, a premiação de ontem é resultado do esforço da atual diretoria do banco para compreender como as instituições que atuam hoje na Amazônia se posicionam nos mais diversos setores. Por meio dessa compreensão, conta Mâncio, a diretoria do Basa avaliou que seria necessário mudar o foco de suas ações. “Ou seja, percebemos que os negócios de hoje na Amazônia não serão os negócios do futuro.” Foi aí que o Basa começou a mudar o foco. Deixou de trabalhar pensando unicamente no desenvolvimento a qualquer custo e passou a atuar para criar condições de sustentabilidade da Amazônia como um todo, explicou Mâncio Lima, durante a solenidade de premiação. “Assim é que surgiu a idéia do prêmio”, lembrou. Para Mâncio, o prêmio traz soluções viáveis de desenvolvimento econômico e social, sem destruição. Exemplo disso é o projeto de Décio Oliveira, um dos vencedores, que aponta para um ecossistema de negócios a partir do aproveitamento de resíduos de uma indústria. Durante o discurso, acompanhado atentamente pelo ministro Pedro Brito, da Integração Nacional, Mâncio Lima fez um desabafo: “Às vezes, fico triste com o fato de o Brasil não dar a atenção que a Amazônia tanto precisa”. Mas agora, em função da mobilização do prêmio, Mâncio Lima espera que as pessoas se envolvam mais nas discussões dos graves problemas da Amazônia. “Na maioria das vezes, quando ouvimos falar da Amazônia, é porque morreu um líder, é porque os índios se rebelaram ou teve queimadas”, disse Mâncio. “Precisamos ousar mais, precisamos ver a Amazônia como solução para muitos problemas do País, e não como problema”, ressaltou. Mâncio avalia que o prêmio, que mobilizou pessoas até no Japão, já começa a contribuir para essa mudança de mentalidade. O prêmio - De âmbito internacional, o objetivo do prêmio é incentivar o maior número possível de pessoas em todo o mundo a conceber soluções concretas e viáveis para o desenvolvimento econômico e social da região, com zero de destruição. No total, quase 300 trabalhos foram inscritos. “A Amazônia precisa de sua criatividade. E de sua consciência”. Foi a esse apelo que os interessados participantes atenderam. O prêmio foi distribuído em três categorias - autores com até 30 anos de idade, acima de 30 anos e abaixo dos 65 anos, acima dos 65 anos. Além dos US$ 100 mil, o Basa distribuiu passagens aéreas de ida e volta, para duas pessoas, os trabalhos classificados nas categorias acima. Os premiados podem escolher destino a qualquer ponto Amazônia e origem de qualquer ponto do mundo, com limite de 8 mil milhas para distância entre origem e destino. Eles ainda terão direito a quinze dias de hospedagem para duas pessoas em hotel da região amazônica. Com essa iniciativa, o Banco da Amazônia tenta romper com o modelo de estratégias fragmentadas para o desenvolvimento, modelo adotado hoje pela maioria das instituições. Também propõe a criação de ecossistemas de negócios, que são redes integradas de empreendimentos, localizadas em uma determinada região e que entrecruzam várias indústrias, intercalam diversos ramos e agregam inúmeras competências, numa espécie de rede formada por atividades que se complementam. Basa no Acre reuniu parceiros para assistir ao anúncio da premiação Val Sales A gerencia do Banco da Amazônia (Basa) no Acre reuniu ontem representantes de órgãos parceiros da instituição para assistirem, ao vivo, à transmissão do anúncio dos vencedores do Prêmio de Empreendedorismo Consciente. A idéia da instituição, segundo o gerente Marivaldo Melo, é incentivar a criação de projetos que fomentem o desenvolvimento da região, valorizando seus recursos naturais. Marivaldo lembrou que ainda este ano o Banco irá lançar um livro com um resumo das 30 experiências apresentadas pelos concorrentes do prêmio este ano. “O Basa quer identificar os projetos que possam gerar riquezas de forma justa e que não agridam o meio ambiente e os recursos naturais”, frisou. O Acre enviou trabalhos que não passaram para a seleção dos finalistas. No entanto, o gerente acredita que, sendo uma competição anual, o Estado deverá trabalhar melhores projetos para o ano que vem. “Vivemos na região mais rica do planeta e podemos agregar o desenvolvimento às nossas riquezas por meio da idéia e da visão do empreendedor”, acrescentou. A comissão avaliou e viabilidade e o potencial das idéias sob várias perspectivas, e não apenas na área científica, econômica e social isoladas. Na opinião dos jurados, os 12 finalistas atenderam à proposta do Prêmio. Entre eles estavam dois projetos do Amazonas, dois de São Paulo, dois do Mato Grosso, um de Minas Gerais, um do Rio de Janeiro, um do Rio Grande do Sul, um do Maranhão, um do Paraná e um de Tóquio, no Japão. |
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