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CATEDRAL REVITALIZADA

“Uma maravilha!”, diz Jorge Viana ao contemplar a Criação da Luz, obra de Sansão Pereira que está sendo pintada na cúpula da Igreja de Nossa Senhora de Nazaré

Mauro Maciel/Secom
Obra da Catedral Nossa Senhora de Nazaré foi iniciada na década de 1950 e até hoje não foi totalmente concluída


Edmilson Ferreira

O artista plástico Sansão Pereira dividiu em cinco blocos a pintura que está fazendo na cúpula da Catedral Nossa Senhora de Nazaré, que integra, há poucos meses, o patrimônio do Centro Histórico de Rio Branco. Ontem, o governador fez uma visita ao pintor durante seu trabalho, conversou com o grupo de auxiliares de Pereira, subiu os 40 metros de andaime e, a pedido do artista, arriscou algumas pinceladas na cúpula construída no estilo clássico conhecido como ‘romano basilical’. “Está uma maravilha”, disse o governador.

A pintura, o universo como pedacinho da infinitude da Obra de Deus, terá 200 metros quadrados e trará em evidência na parte inferior do painel a constelação de Andrômeda. Ao redor, espalhadas pela área central, dezenas de bilhões de estrelas cintilam em cores vivas das tintas produzidas na Inglaterra por Windsor Newton, um dos mais requisitados fabricantes no mundo. Além do esplendor de Andrômeda, resíduos da nebulosa de Sagitário com milhões de galáxias no azul celestial. Maravilhado, Viana brincou com Pereira chamando-o de “novo Michelângelo”.

“Não há em nenhuma grande capela do mundo um painel com essa dimensão”, disse Sansão Pereira, acreano que já viveu e expôs sua arte em praticamente todas as principais capitais do mundo. O artista preparou quatro estudos, esboçados a partir de fotografias feitas pela agência espacial dos Estados Unidos, que lhe chegou às mãos por intermédio de um amigo americano, funcionário da Nasa. A pintura é uma obra de arte que terá adereçamento com uma cruz e a imagem de Jesus Cristo. Quando estiver pronta, o visitante deverá ficar extasiado: “Vou levar o peregrino, o fiel, a uma profundo estado de contemplação da obra de Deus”, disse Sansão.

E Deus fez a luz - Aos 85 anos, o artista trabalha a uma altura de quarenta metros para pintar, em estilo neo-impressionista, os momentos iniciais da Criação do Mundo - um pedacinho do Gêneses na cúpula da Catedral - que levará, em um mural de bronze, a inscrição “e Deus fez a luz”.

“Nossa Catedral ficará mais bonita com essa pintura e a reforma que será feita nela”, disse Jorge Viana, lembrando que a igreja completa 50 anos de construção em 2008 e não foi totalmente concluída.

Tudo novo no prédio, que conta também a história da formação de Rio Branco

“Vamos ter uma iluminação para toda a igreja, projetada pela mesma pessoa que fez a do Mercado Velho”, anunciou o governador. Essas obras, segundo o padre serão feitas por etapas, começando pela pintura da cúpula. Pisos, vidrais e paredes serão revitalizados.

A igreja foi tombada como patrimônio histórico de Rio Branco e sua recuperação está inserida nesse contexto. Uma placa que será afixada na lateral da cúpula contará a história da pintura criada por Sansão Pereira, que nasceu no seringal Catapará e cursou o ensino fundamental no Colégio Acreano. Mais tarde, viajou a estudar o ensino médio no Pará. Fez faculdade nos Estados Unidos, onde graduou-se engenheiro eletricista.

Em seguida, passou a desenvolver o gosto pelas artes plásticas, estudando seis anos nos EUA. Sansão passou a morar no Rio de Janeiro, mantendo profundos vínculos com o Acre. Seu acervo ultrapassa 20 mil obras, das quais algumas estão em destaque no Palácio Rio Branco, Assembléia Legislativa do Acre e várias instituições mundo afora. Fazem parte do Centro Histórico da capital entre outros prédios, o Palácio Rio Branco e o Tribunal de Justiça. De alguma maneira, esses prédios contam a história da formação da capital.

Trabalho, muita luta e esperança no futuro: as marcas de uma grande obra espiritual

De acordo com o padre André Ficarelli, um dos mais importantes envolvidos na construção da Catedral de Nossa Senhora de Nazaré, a história dessa paróquia se confunde com a de São Sebastião. Até 1920, havia uma só igreja em Rio Branco -a Nossa Senhora da Conceição, no Segundo Distrito, sede da congregação desde 1911. O vigário da época, que permaneceu até 1920, era o padre italiano José Tito.

Em 1919, a região do Alto Purus e do Alto Acre foi desmembrada da Diocese de Manaus e erguida como Prelazia do Alto Acre e do Alto Purus, as quais estavam sob manutenção dos Servos de Maria e do bispo dom Próspero Bernardi, o primeiro da região.

Em 1920 foi criada a Paróquia de São Sebastião, localizada na rua Epaminondas Jácome. Seu primeiro vigário foi o frei Tiago Mattioli, suscedido por vários outros padres, todos Servos de Maria. Essa igreja foi fechada em 1957. Mais tarde, o prédio foi derrubado dando lugar à atual Galeria Meta.

Em 25 de julho de 1948, foi sagrado o segundo bispo prelado, dom Júlio Mattioli. No mesmo ano foi lançada a primeira pedra da nova igreja matriz, que mais tarde, em 1958, viria a ser a igreja catedral.

No dia 7 de julho de 1958, o bispo-prelado extinguiu a paróquia de São Sebastião e criou a Paróquia de Nossa Senhora de Nazaré, que teve como primeiro pároco Tiago Mattioli que havia sido o primeiro vigário da igreja que havia sido extinta.

A sede da prelazia foi transferida de sede -de Sena Madureira para Rio Branco -ainda em 1958 por ato da Santa Sé, e a nova igreja ficou conhecida como Catedral Nossa Senhora de Nazaré. Em 1957, Mattioli renúncia ao cargo e em seu lugar assume frei Ivo Lanzoni, que ficou na função até 1961, quando Hugo Poli tomou posse como bispo da Prelazia. Poli nomeou como pároco frei Tomás Trombeti, suscedido mais tarde por João Rocha. Em 1969, o cargo passa a ser ocupado por Pio Bosello.

Após a morte de dom Giocondo Grotti, ocorrida em 28 de setembro de 1971, Pedro Martinello ficou como pároco da catedral. Martinello era também vigário geral da Prelazia. Dois outros padres passaram pela paróquia e em 1978, dom Moacir Grechi confirmou como vigário da Catedral André Ficarelli, que ficou no cargo até 1993. Na festa de São Pedro de 1986 a Prelazia foi elevada à Diocese de Rio Branco.

Em 6 de junho de 1993, a Ordem dos Servos de Maria deixou a administração da Catedral para assumir a Paróquia São Peregrino, no bairro da Floresta. O serviço da Catedral foi assumido por Leôncio Asfuri e Antonio Oliveira, vigários da Paróquia Santa Inês. A luta dos trabalhadores, envolvidos com as comunidades de base da igreja, também é contada na construção da Catedral.

Devoção, fé e milagres na Diocese de Rio Branco

O acreano é um povo espiritualizado e cheio de fé. A história da Diocese de Rio Branco remonta ao início do século XX, quando na data de 4 de outubro de 1919, o papa Bento XV, criou na Amazônia ocidental, no então Território Federal do Acre, a Prelazia de São Peregrino Laziosi do Alto Acre e Alto Purus. Em 15 de agosto de 1920, os Servos de Maria chegaram ao Estado do Acre, mais precisamente ao Município de Sena Madureira -e aí começam os primeiros relatos de fé, devoção e milagres na floresta.

Em 20 de janeiro de 1963, toma posse na direção da Prelazia o Frei Giocondo M. Grotti, que seria sagrado bispo a 8 de julho de 1965. Desde sua fundação, as comunidades ligadas à Diocese têm histórias de milagres e graça alcançada para contar. A mais importante diz respeito à cura de Iza Bruna, miraculada por Santa Paulina após ser desenganada pelos médicos.

A Prelazia passou a Diocese com o nome de Diocese de Rio Branco em 29 de junho de 1986, sob a administração de Dom Moacir. Em 22 de julho de 1998, Grechi foi nomeado arcebispo de Porto Velho, deixa sua direção passando-a ao bispo dom Joaquín Pertiñez Fernández, que assumiu na data de 30 de maio de 1999. Hoje, a Diocese conta com uma área de 132 mil quilômetros quadrados abrangendo 16 municípios em três Estados, sendo 14 no Acre, 1 no Amazonas e 1 em Rondônia. Possui 21 paróquias instaladas.


Local onde a igreja seria construída teria que ser estratégico


Construção da base da igreja envolveu dezenas de trabalhadores


Aos poucos, a catedral foi tomando forma


Já parcialmente construída, a obra toma as formas de uma catedral

 
 
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Rio Branco-AC, 23 de agosto de 2006
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