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POLÍTICA

Pisos Ouro Verde

Empresa exporta produtos madeireiros de alto valor agregado fabricados no Acre

Mauro Maciel/Secom
Governador Jorge Viana (D) e
proprietários da Ouro Verde inauguram
a fábrica no Distrito Industrial


Edmilson Ferreira

O governador Jorge Viana participou ontem da inauguração da fábrica de pisos Ouro Verde, localizada no novo Distrito Industrial de Rio Branco. A empresa, de propriedade da família Santin, faz parte de um pool de negócios em que se incluem a exploração manejada e certificada de florestas e a industrialização da madeira.

A Ouro Verde produzirá pisos do tipo deck quase exclusivamente para exportação: 99% de seus produtos, que possuem ao menos quatro diferentes linhas, serão vendidos para a América do Sul, Europa, Ásia, Oriente Médio e principalmente para os Estados Unidos e Canadá, num total de mais de vinte países compradores.

O deck possui, por si só, alto valor agregado. O dono da Ouro Verde, Mário Santin, vive há quinze anos no Acre e sempre atuou no ramo da madeira. De natureza empreendedora, no começo dos negócios Santin chegou a vender o carro para comprar a passagem e viajar até a China, onde encontrou os primeiros compradores de seus pisos. Mais tarde, com sua carta de parceiros em consolidação, o empresário decidiu abrir a sociedade que mantinha na Madeireira Ouro Branco para facilitar a fundação da Ouro Verde.

A fábrica tem capacidade instalada para produzir 30 contêineres de piso ao mês, mas irá operar com parte, exportando 20 contêineres/mês. Cada contêiner leva vinte metros cúbicos. Estarão sendo empregados pelo menos 130 trabalhadores quando a linha de produção estiver em seu auge. Como se trata de mão-de-obra semi-especializada, os empregados foram treinados na própria empresa. A grande maioria foi recrutada no próprio Estado. Foi criada, no âmbito da empresa, algo como uma “escola de pisos”.

A Ouro Verde prima pela qualidade. Um dos quatro especialistas em piso em atividade no Brasil foi contratado nos Estados Unidos. Alex Gama possui pós-graduação em industrialização de madeira pela National Wood Flooring Association, a associação americana de piso. “Nossa idéia é fazer o mercado de lá entender que o Acre pode fazer um produto de ponta”, disse Gama. Inicialmente, os pisos serão produzidos com jatobá e cumaru.

Além da contratação de um dos raros especialistas brasileiros no produto, a Ouro Verde aplicou R$ 10 milhões na construção dos galpões, escritório e aquisição de equipamentos. O Banco da Amazônia, um dos mais importantes parceiros das empresas que estão se instalando no Acre, entrou com R$ 1,5 milhão desse total. A empresa, portanto, nasce enxuta e profundamente comprometida com o desenvolvimento sustentável: “Temos áreas que somam 50 mil hectares em manejo”, disse Mário Santin.

Para 2007, a Ouro Verde deverá contar com cerca de 25 mil hectares em floresta certificada com o FSC, o selo que garante que a madeira foi extraída dentro de critérios não-agressivos ao ambiente.

O empresário recebeu o governador e apresentou a ele as etapas da linha de produção, a qual teve um exaustor incluído para reduzir possível emissão de poluentes.

Entre autoridades e empresários, estiveram presentes o presidente do Instituto de Meio Ambiente do Acre (Imac), Edegard de Deus, o secretário de Florestas, Carlos Rezende, o superintendente do Ibama, Anselmo Forneck, o diretor nacional do Ibama, Antonio Carlos Hummel, e vários outros. O padre Roney, de Capixaba, fez a oração abençoando o empreendimento.

Defesa da floresta passa pela valorização dos negócios legais e sustentáveis

O governo do Acre consolida sua política de industrialização do Estado anunciando a abertura de novas empresas que buscam agregar valor à principal riqueza da região, que são as florestas. Durante a cerimônia de inauguração da Ouro Verde, o governador Jorge Viana condenou duramente pseudo-empresários que buscam somente devastar a floresta. “Devemos abrir as portas para quem trabalha legalmente e fechá-las para os bandidos”, disse Viana.

A defesa de empreendimentos como a Ouro Verde, empresa que opera na legalidade, realizando investimentos, gerando riqueza e trabalho para dezenas de famílias foi feita para que se não pairem dúvidas quanto à índole da gestão atual: “quem planta indústria, defende a floresta”, disse o governador, ainda referindo-se à política de combate e desarticulação dos negócios florestais ilegais.

A política estabelecida pelo governo do Acre elevou de R$ 30 o valor venal de um hectare de floresta para R$ 600 com o projeto de manejo. O preço sobe ainda mais com a certificação do FSC.

Controle ambiental tem de ser atividade empresarial

Mário Santin falou de sua alegria de ter conseguido abrir e colocar em funcionamento a Ouro Verde - para ele um antigo sonho que se materializa. Santin agradeceu à sua família, a mãe, a irmã e a esposa, que os ajudam muito nos negócios. “Fico muito contente de tê-las comigo e fico alegre de ver o governo de mãos dadas com os madeireiros que trabalham legalmente”, disse o empresário.

De seu lado, o secretário de Florestas, Carlos Rezende, reafirmou a proposta do governo do Acre em fazer do controle ambiental uma atividade de gestão empresarial, conforme vem sendo buscado com o advento do novo documento de origem florestal emitido pelo Ibama. O fim da ATPF é um grande passo nessa direção, em sua opinião.

 
 
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Rio Branco-AC, 23 de setembro de 2006
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
   NA TRIBO
Com Roberta Lima
   PORONGA
Da Redação
 
 
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