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Dia do Gari é comemorado hoje em Rio Branco

Mais de 300 profissionais da capital abandonam suas ferramentas hoje para participar de um dia de lazer

Regiclay Saady
Margaridas são as responsáveis
pela varrição de Rio Branco


Renata Brasileiro

Rosângela Nascimento tem 28 anos e uma responsabilidade enorme para carregar. Ela e outros 349 trabalhadores acordam cedo todos os dias para limpar Rio Branco, chegando a retirar cinco mil toneladas de lixo por mês da cidade.

O trabalho é árduo e requer o mínimo de força física, coragem e humor para ser realizado. Necessitado por todos e reconhecido por poucos, essa é a atividade do gari e da margarida, que hoje recebem uma homenagem especial da prefeitura de Rio Branco em comemoração ao seu dia.

“Preparamos um dia inteiro de atividades esportivas, culturais e de lazer para homenagear esses profissionais, pois entendemos a importância deles para a cidade. Se Rio Branco tem esse cenário limpo que nós vemos hoje, é graças a todos eles”, disse o secretário de Serviços Urbanos, Gildo César.

As comemorações começam às 6h30, com uma corrida de garis e margaridas, com largada na prefeitura do Centro e chegada na Semsur, no bairro Sobral. Os três primeiros colocados nas categorias feminina e masculina ganharão R$ 150, R$ 100 e R$ 50, respectivamente.

Na secretaria, todos os trabalhadores serão recebidos com um reforçado café da manhã. De lá, a festa continua no Parque das Acácias, com um almoço seguido de sorteio de prêmios. A previsão é de que as atividades se estendam até as 17 horas.

O secretário explica que a comemoração do Dia do Gari, instituído por lei municipal, faz parte da campanha de valorização profissional, que é realizada desde o início da gestão do prefeito Raimundo Angelim.

Antigamente, os garis e margaridas eram tratados como pessoas sujas, e poucos entendiam o valor desse trabalhador para a cidade e também para as residências, já que eles também são responsáveis pela coleta do lixo domiciliar.

“Eu já ouvi depoimento dos próprios garis, segundo os quais quando pediam um copo com água na casa de alguém, esse copo era jogado fora. Isso mudou muito, mas ainda precisa avançar mais. Ainda existem pessoas que assumem postura discriminatória contra eles”, destacou o secretário.

Esse problema gerou uma pesquisa de mestrado do psicólogo social paulista Fernando Braga, que varreu as ruas da Universidade de São Paulo (USP) para concluir sua dissertação intitulada “Invisibilidade Pública”.

Ele comprovou que, em geral, as pessoas enxergam apenas a função social do profissional, entendem a importância de se ter a cidade limpa, mas não reconhecem a importância de um gari. Para isso, conseguiu comprovar a existência da invisibilidade pública, ou seja, uma percepção humana condicionada à divisão social do trabalho, na qual enxerga-se somente a função e não a pessoa.

“É assim que funciona: as pessoas querem a cidade limpa, mas não querem se conscientizar com coisas simples, como parar de jogar lixo nas ruas”, comentou o secretário.

Valorizando quem limpa a cidade

O trabalho de valorização dos garis é feito no dia-a-dia, com pequenas preocupações que a Secretaria Municipal de Serviços Urbanos (Semsur) assume como necessárias.

Diferente de até quatro anos atrás, hoje os garis trabalham com fardamento e equipamentos de trabalho completos, recebem salário que oscilam entre R$ 500 e R$ 600 (até então o rendimento nunca havia passado de um salário mínimo) e participam de capacitações oferecidas pela secretaria.

“Eu me sinto feliz com o trabalho que tenho. Estou sempre na rua, fazendo limpeza e observando o movimento da cidade, e isso me diverte. Dá até para paquerar os homens bonitos que passam aqui na praça”, brinca a margarida Rosângela Nascimento.

Esse é o humor encarado pelos garis e pelas margaridas de hoje, segundo o secretário. “Se você passar por um gari e der bom dia, ele lhe responde e com sorriso no rosto. Se você perguntar para ele se ele está feliz com o trabalho que tem, ele vai dizer que sim. Isso era impossível de ser visto antes”, destacou o secretário.

A heroína de Rio Branco

Cada gari e cada margarida têm um ponto específico da cidade para exercer a sua função. Esses pontos são revezados a cada duas, três ou quatro semanas. Não existe um tempo exato para que eles mudem de lugar.

Rosângela já está há algum tempo cuidando da limpeza da Praça Plácido de Castro. Ela e outras duas colegas, que ela mesma define como suas grandes companheiras de trabalho, limpam com zelo cada detalhe do local, desde as lâmpadas decorativas que ficam no gramado ao chão.

Rosângela é a responsável por limpar a estátua de Plácido de Castro, aquele consagrado há muitos anos como o herói do Acre por proclamar a independência do Estado.

Com grande postura de heroína, ela prova porque também deve ser reconhecida como tal. Rosângela, como os demais garis e margaridas, é figura essencial para que Rio Branco se preserve limpa. Sem o trabalho dela, a cidade entraria em um verdadeiro caos.

“É muito trabalhoso limpar uma cidade porque as pessoas sujam no mesmo instante em que estamos limpando. Por isso eu peço ao pessoal da nossa cidade que colabore com o nosso trabalho. É muito bom ver uma cidade limpinha”, argumenta a margarida.

Força e tecnologia

Para ser gari, não é exigida nenhuma qualificação especial, apenas que o candidato tenha condições físicas e o ensino fundamental completo. O homem, por exemplo, está incumbido de fazer a limpeza urbana e a coleta, enquanto a mulher realiza a varrição.

Em razão dos investimentos que a prefeitura de Rio Branco vem fazendo nessa área, o trabalho braçal está sendo aliado à tecnologia, o que traz resultados mais rápidos e satisfatórios, segundo o secretário.

“Além de termos 350 garis nas ruas, temos uma máquina de varrição e carros de coleta. A máquina de varrição, por exemplo, está varrendo 20 quilômetros de rua por dia, atendendo a Via Verde, a Chico Mendes e a Avenida Ceará. Enquanto isso, as margaridas varrem cerca de um quilômetro por dia, atendendo os bairros próximos ao centro da cidade”, completou Gildo César.

Para Raimundo dos Santos, 58, os investimentos são medidas importantes, que ajudam bastante no trabalho diário dos garis e das margaridas. “A gente se sente mais estruturado para limpar a cidade”, reforçou.

Profissão gari

É dado o nome de gari aos profissionais da limpeza que recolhem o lixo de residências, indústrias, edifícios comerciais e residenciais, varrem ruas, praças e parques. Também capinam a grama, lavam e desinfetam vias públicas.

A escolha da palavra “gari” é uma homenagem ao empresário francês Aleixo Gary. Em 11 de outubro de 1876, ele assinou contrato com o Ministério Imperial para organizar o serviço de limpeza da cidade do Rio de Janeiro. Entre os serviços prestados constavam a remoção de lixo das casas e praias e o posterior transporte para a Ilha de Sapucaia (atual bairro do Caju). Com o vencimento do contrato, em 1891, a atividade foi assumida pelo primo de Aleixo, Luciano Gary. A empresa foi extinta um ano 1892, com a criação da Superintendência de Limpeza Pública e Particular da Cidade.

Brasil: um grande produtor de lixo

Segundo dados do Ministério do Meio Ambiente, o Brasil produz, em média, 90 milhões de toneladas de lixo por ano, e cada brasileiro gera, aproximadamente, 500 gramas de lixo por dia, podendo chegar a mais de um quilo, dependendo do local onde mora e do poder aquisitivo.

Algumas cidades brasileiras coletam o lixo produzido por seus habitantes. Em outras, entretanto, quase metade dele é atirada nas ruas, terrenos baldios, rios, lagos, lagoas e no mar.

 

 

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Rio Branco-AC, 23 de outubro de 2007
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
   NA TRIBO
Com Roberta Lima
   PORONGA
Com Leonildo Rosas
 
 
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