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Exposição de Jorge Rivasplata abre Semana de História no Acre Artista plástico revela o amor pelo Estado nos traços que retratam a Revolução e seus heróis |
![]() Rivasplata pintou o herói da Revolução Plácido de Castro |
A Exposição “Imagens da Revolução Acreana”, do artista plástico Jorge Rivasplata de La Cruz, abrirá a programação da XIII Semana de Ensino de História, promovida pelo Departamento de História da Universidade Federal do Acre (Ufac). Além dele, Dalmir Ferreira também mostrará a “Coletiva de Xilogravuras”. O evento começa hoje, às 19 horas, no Anfiteatro Garibaldi Brasil, no campus universitário, onde as mostras vão inspirar a série de conferencias e debates que se seguirão até o dia 26, sexta-feira. O trabalho de “Rivas”, como o artista é chamado pelos amigos, tem sido presença obrigatória onde que quer se fale da história de formação do Acre e dos heróis que deram a vida pelo ideal de liberdade. O ideal dos que lutaram que lutaram para ver o Acre independente é o mesmo que até hoje pulsa nas veias e no coração de quem nasceu nesse território. Jorge Rivasplata, 73, como o nome bem diz, não é acreano de nascimento, mas mora em Rio Branco há mais de vinte anos e demonstra uma paixão pelo Estado muitas vezes maior do que a dos nativos desta parte do país. O artista vai disponibilizar nove peças para a exposição esta semana na Ufac, sendo que a maioria vai estar sendo mostrada em banner, já que assim, segundo ele, fica mais fácil fazer com que a obra esteja acompanhada do relato sobre o momento que retrata. “Se as pessoas souberem como seu deu a trajetória de desenvolvimento do Acre desde a sua fundação irão valorizar ainda mais a história”, ressalta. A participação do artista no evento da Ufac, é mais uma entre as várias ele que se faz presente em todo o Estado. Rivas também é conhecido das populações do interior, onde leva suas obras para contar como o Acre se tornou independente da Bolívia. Durante a programação da Semana de História, o departamento deverá prestar homenagem a Rivas, por sua importante contribuição na difusão do processo de desenvolvimento do Estado. A cultura precisa de parceria Jorge Rivasplata é mais um artista que precisa do apoio dos órgãos responsáveis pela valorização e difusão da cultura no Acre. Com as parcerias que conseguiu efetivar nos últimos meses, ele aperfeiçoa o trabalho e viabiliza a sua expansão, para que a história se propague por todas as classes, raças e credos. O texto-relato que acompanha o material exposto em suas mostras está escrito em português e espanhol, além de algumas já estarem também em braile, para facilitar o acesso aos deficientes visuais. “Cada parceria que agente consegue fechar serve para ampliar a capacidade de expansão da história contada em quadros”, acrescentou. A exposição itinerante do artista já esteve em vários municípios do Acre. Ele não cobra para levar suas obras, apenas recebe contribuições que servem para custear o transporte do equipamento, ou seja, a história chega a várias partes sem custo nenhum para a população, principalmente para a classe estudantil. Um museu para a história Os 23 anos de trabalho de Rivasplata resultam em um acervo de obras que retratam o Acre desde a chegada dos primeiros desbravadores da região até o atual governador do Estado. Nesse período também estão incluídas figuras como Chico Mendes e outros heróis que foram destaques na história de luta dos acreanos. O acervo contém quadros de todos os bispos da igreja católica, além de relatar a trajetória daqueles que fizeram e ainda fazem a cultura do Santo Daime na região. No entanto, essas obras precisam de lugar para ficar de forma permanente, o que e inspira a criação de um museu, onde os trabalhos dos artistas acreanos fiquem expostos e não sofram com o corrosivo efeito da desvalorização. Os artistas plásticos acreanos que já morreram também recebem homenagens perpetuadas pelas mãos de Rivas. Entre eles, está o saudoso Hélio Melo, que pintava a história do seringueiro com tintas naturais (colhidas das folhas e troncos de árvores) e alegrava os amigos com os acordes de um velho violino. Hélio também era um contador de histórias, daquele tipo que prende a atenção de quem escuta devido à riqueza de detalhes das narrativas. Ele contava as façanhas dos seringueiros que se deparavam em mata fechada com o curupira, a mula sem cabeça ou o famoso mapinguari, que fazia os caçadores e mateiros se perderem na floresta. Dias antes de morrer, e precisando de ajuda financeira em um hospital de São Paulo, Hélio contou com a ajuda de poucos amigos. Na ocasião, dois deles tentaram vender uma das obras do artista para arrecadar fundos, o que findou não acontecendo pela falta de valorização da cultura no Estado e porque a morte tinha pressa. A mesma obra que não chegou a ser vendida no Acre, ganhou destaque na Bienal de São Paulo, onde Hélio Melo está perpetuado entre os melhores artistas plásticos do Brasil. |
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