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Complexo florestal industrial de Xapuri Fábrica de pisos sintetiza a convicção do líder Chico Mendes de uso e defesa do patrimônio ambiental |
![]() Governador eleito Binho Marques exibe guitarra feita com madeira da região |
Como parte da fase final do projeto de desenvolvimento do Acre, o governador Jorge Viana inaugurou nesta sexta-feira mais uma indústria. O Complexo Florestal Industrial de Xapuri, gerido numa parceria Governo e iniciativa privada, abriu suas portas ontem em cerimônia oficial que contou com a presença dos sócios e envolvidos no projeto, secretários de Estado e o governador eleito, Binho Marques. O evento marcou as comemorações da Semana Chico Mendes. A placa inaugural lembra que neste 22 de dezembro morria o líder seringueiro, estabelecendo um novo tempo para pensamento ambiental no mundo. Localizado na confluência da Estrada da Borracha com a BR 317, possui uma planta industrial considerada pelo governador Jorge Viana a maior do Acre - e, somado aos outros empreendimentos como a fábrica de preservativos e a Álcool Verde, põe o Vale do Acre na última etapa de seu processo de industrialização associada ao desenvolvimento econômico sustentável baseado no conceito de Florestânia. O complexo atuará com várias frentes. A fábrica de pisos de Xapuri, que terá uma linha de beneficiamento de madeiras, destinada à produção de pisos maciços e deck para exportação, utilizará, segundo o secretário de Floresta, Carlos Rezende, 14 espécies de madeiras nativas da região, obtidas através de manejo florestal sustentável, beneficiando cerca de 400 famílias reunidas na Cooperativa Em seu primeiro momento, a fábrica vai gerar 200 empregos diretos por turno de trabalho. A produção chegará a 350 contêineres por ano de piso acabado e pronto para exportação. Cada contêiner comporta 22 metros cúbicos de piso. A unidade possui uma usina que produzirá 1,6 megawatt de energia elétrica para secagem e beneficiamento de madeira e poderá fornecer energia para a cidade de Xapuri. Para esse caso, está em estudo a solicitação de reintegração de capital por parte da Eletronorte. Uma estufa, parte integrante da turbina, produzirá por hora 15 toneladas de vapor. O complexo, que custou R$30 milhões, é financiado em grande parte pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Estudo de viabilidade encomendado pelo governo acreano demonstra que os principais mercados para os pisos e decks produzidos em Xapuri são Estados Unidos, Canadá e Europa. “Foi a primeira vez que o BNDES financiou um empreendimento dessa natureza. E deu certo porque outros Estados estão apresentando projeto semelhante”, disse Carlos Rezende. Com a economia que se fará em energia elétrica, os equipamentos se pagam em poucos anos. Também já se tem calculado que a redução na emissão de gás carbônico na atmosfera resultará em compensações ambientais financeiras. Num primeiro momento, estima-se que o complexo receberá R$ 72 mil anualmente com os créditos de carbono. Principalmente, os países europeus, cujo parque industrial em boa parte não conseguirá se adequar à política mundial de emissão de poluentes, pagarão pelos créditos à indústria acreana. Na inauguração estiveram presentes o presidente da Federação das Indústrias do Acre (Fieac) João Salomão, Fábio Vaz, esposo da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva; Marcos Alexandre, subsecretário de Planejamento; o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, Ronald Polanco; senador Sibá Machado; deputado federal Zico Bronzeado; empresários, prefeitos dos municípios sob influência do projeto, extrativistas e várias outras pessoas. A fábrica começou a ser construída em janeiro de 2006, quando o governador Jorge Viana assinou a ordem de serviço para implantação do complexo. Viana e Binho ganharam de presente uma guitarra da marca Gibson, produzida pela Hering Instrumentos Musicais com madeira certificada. A Herinq está em fase de instalação no Acre. Binho: “Chico Mendes foi nosso professor” O governador eleito Binho Marques discorreu sobre o caráter de Chico Mendes, seus verdadeiros ideais e o legado herdado na convivência da luta pelo desenvolvimento sustentável do Acre: “Não vou chorar como fiz há 18 anos porque hoje é um dia feliz, de celebração. Chico Mendes foi verdadeiramente nosso professor”, disse o novo governador do Acre. Binho conviveu lado a lado com o líder seringueiro. Essa relação o fez derrubar conceitos e estabelecer outro sentido para a militância em favor de um Acre de oportunidades: “o empate, expressão que ele criou, significa que ninguém perde ou ganha mas que todo mundo ganha”, disse, observando que a convicção de Chico era que todos, sem exceção, pudessem partilhar das oportunidades. E referindo-se ao complexo industrial, Binho observou que “o princípio deste empreendimento é o amor e daqui para frente a gente vai semear e colher amor”. Americanos já compram toda a produção A madeireira americana Armstrong, de Lancaster, já garantiu que comprará toda a produção da fábrica durante vários anos. A informação foi repassada pelo dono da empresa acionista principal do Complexo Florestal, Ricardo Slavieiro, que espera começar a colocar a fábrica em atividade contínua a partir de abril do próximo ano. Em pouco tempo, Slaviero, proprietário da Marinepar Indústria de Madeiras, prevê beneficiar 50 mil metros cúbicos de madeira, o que equivale aproximadamente à carga de mil caminhões. Cumaru-ferro e breu, madeira duras, devem ser as mais requisitadas. No turmo da noite, que Slaviero pretende instituir em breve, estará produzindo materiais vernizados. Para o presidente da Federação das Indústrias do Acre (Fieac) João Salomão, o processo de industrialização do Estado segue em ritmo acelerado: “Estamos dando um passo adiante”, resumiu Salomão. As exportações podem, em breve, serem feitas pela Estrada do Pacífico. O que é o complexo florestal industrial de Xapuri *Um dos mais modernos centros de beneficiamento e acabamento de madeira do Brasil, propiciando ao material produzido (pisos e decks) alto valor agregado. Está gerido numa parceria público-privada, sendo que a Marinepar Indústria de Madeiras, de Curitiba (PR) é dona de 75% das ações destinada à iniciativa particular. Nos próximos meses, quando sua documentação estiver completa, a Cooperfloresta, que reúne os extrativistas, terá participação de 8% -e a Marinepar passa a contar com 67% das cotas. A Marinepar é o terceiro maior grupo brasileiro em volume de exportação de madeira com valor agregado do País, vendendo para 24 países. *O Governo do Acre investiu R$30 milhões, financiados pelo BNDES com contrapartida de 20%. Através de concorrência pública, definiu-se que a gestão do empreendimento caberá a uma empresa de fora do Acre e a outras cinco locais. São elas: Madeireira Floresta, Garça Branca, Grupo Barriga Verde, Albuquerque Engenharia, Acre Brasil Verde. Os comunitários estão associados por intermédio da Cooperfloresta. *A madeira utilizada será extraída através de manejo sustentável em comunidades como os seringais Santa Quitéria, Cachoeira, São Luiz do Remanso e Equador, entre outros. A produção anual chegará a R$25 milhões, extraindo madeira cerca de 200 quilômetros ao entorno do complexo. A usina de 1,6 megawatt produzirá energia para tocar o maquinário. O excedente deve ser fornecido para a cidade de Xapuri. Só dependência e convivência salvam a floresta Para o governador Jorge Viana, somente a relação de dependência, inclusive econômica, e de convivência em todos os aspectos podem realmente manter a floresta preservada. “Não acredito que só criar unidades de conservação seja suficiente para manter a floresta”, disse Viana, condenando, ao mesmo, atitudes egoístas e isoladas que ao contrário de ser firmar como ações de sustentabilidade contribuem para o fracasso do que pode ser um bom projeto. “Quem só pensa em fazer sua parte não faz o todo nunca.” Para ele, que inaugurou o complexo produzindo as primeiras unidades de piso, o Acre está dando passos para voltar a depender da floresta. “A floresta é o nosso melhor negócio”, afirmou. Ao final da cerimônia de inauguração, Viana convidou o pastor Lázaro, da Assembléia de Deus, para dar a benção apostólica ao empreendimento. O QUE ELES DISSERAM “Este empreendimento é o resultado do respeito à luta de um povo.” (Ronald Polanco, conselheiro do TCE) “A floresta tem de ser preservada. Destruí-la é se autodestruir.” (Ricardo Slaviero, empresário) “O Chico Mendes estaria feliz porque o que ele queria está acontecendo, que é a gente arranjar um jeito de viver bem na floresta. Este é um presente que estamos ganhando neste Natal.” (Airton Teixeira Mendes, o Duda, primo de Chico Mendes) “É possível nosso Acre ser tão rico e poderoso quanto São Paulo. Hoje, estamos transformando o que parecia impossível.” (Sibá Machado, senador) “O que está acontecendo aqui é o que o Chico Mendes queria: dar oportunidade de vida às pessoas.” (José Maria Aquino, o Boca, do Conselho Nacional de Seringueiros) |
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