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Quebrando paradigmas Piscicultura acreana busca novos conceitos para conquistar melhor produtividade e competitividade no mercado |
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A piscicultura acreana está entrando numa nova fase onde abandona velhos conceitos e assume novas técnicas que levam em consideração a necessidade de um ambiente mais sadio e equilibrado para garantir uma maior produtividade com melhor qualidade na carne do pescado. As ações para estas mudanças vem sendo orientadas pelo consultor do Sebrae, engenheiro agrônomo paulista e doutor em piscicultura Eduardo Akifumi Ono, que além de trabalhar com espécies tradicionais como o tambaqui é um dos maiores especialistas brasileiros na reprodução e engorda de pirarucu. Para dar esse novo passo qualitativo o projeto de Piscicultura do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) promoveu ao longo de toda a semana passada um treinamento onde Eduardo Ono repassou os novos conceitos a 35 técnicos e produtores que atuam no campo da piscicultura pelo Sebrae, Embrapa, Seaprof, Seap, Ministério da Agricultura e entidades não governamentais, além de oito estudantes do curso de agronomia da Ufac. O treinamento que se estendeu por toda a semana, foi dividido em dois módulos, no primeiro deles tratou dos Fundamentos da piscicultura e sistemas de produção.
No segundo, Manejo da qualidade da água na piscicultura. Galinhas d’água - Pioneiro entre os piscicultores do Bujari, Kionori Kioki proprietário da Fazenda Boa Esperança que está localizada no quilômetro 42 da BR-364 entre Rio Branco e Sena Madureira, há oito anos resolveu experimentar a criação de pirarucus e, apesar das dificuldades que enfrentou para su reprodução, descobriu nesta espécie a mais produtiva dentre todos os peixes. “Qual o peixe que nasce hoje e dentro de um ano está com um peso médio de 14 quilos?” Pergunta ele num tom que torna inquestionável a vantagem no ganho de peso pelo pirarucu, mas esclarece: “Criando do jeito certo e sem sofrer contratempos, já tive pirarucu que ganhou mais de 20 quilos num ano, nenhuma espécie cresce e engorda tanto em tão pouco tempo. Isto sem contar com a vantagem de que 80% dele é carne de primeira, numa tilápia isso não chega a 40%. Por isso, do ponto de vista comercial este é um peixe sem concorrente”. Mesmo com todas essas vantagens e o fato de produzir ais de cinco mil alevinos (filhotes) de uma vez, Kionori tem apenas dez matrizes para reprodução. “A falta de conhecimento técnico sobre como funciona o processo de cruzamento da espécie e de como cuidar dos alevinos nos fez progredir devagar. Na primeira desova consegui 2.500, agora que passei pelo curso onde aprendi técnicas que nem imaginava existirem, estou esperando conseguir pelo menos 6.000 alevinos por fêmea”. Numa comparação simples sobre a situação vivida antes dos treinamentos e após conhecer os novos conceitos que estão orientando o salto qualitativo que vem sendo dado pela piscicultura brasileira, Kionori declarou: “Com muito boa vontade, a gente errou bastante, então era como se antes, sem conhecer a técnica certa, eu estivesse criando galinha caipira, agora estou começando a criar galinhas de granja”, ri. Embora a produção ainda não tenha atingido os números esperados por Kionori, ele já tem como principais clientes cridores de São Paulo, Mato Grosso e Goiás, mas espera ver, o mais breve possível, esta espécie sendo criada mais intensivamente no Acre porque a qualidade de sua carne já fazem dele atração principal em alguns restaurantes de São Paulo e até da Europa. Os interessados podem contatá-lo pelo telefone (68) 9984-4431. Bujari investe na piscicultura - Tudo começou com o sucesso conseguido pelos pequenos produtores da colônia Panorama, em Rio Banco, conseguindo bons resultados produtivos e de melhoria da renda familiar a partir do momento em que começaram a criar peixes. O bom resultado atraiu a atenção da Fundação Banco do Brasil, que há quatro anos, doou 40 açudes para serem construídos ali e para os pequenos produtores assentados no Pólo Agroflorestal dom Moacyr Grechi, no Bujari. A ação coincidiu com a posse do prefeito Michel Abrahão e sua decisão de transformar o município em pólo de piscicultura, criando inclusive, um programa municipal através do qual está construindo mais cem açudes para os pequenos produtores do Dom Moacyr, ramais Espinhara, Linha Nova, Associação São José e outras comunidades. “Graças à parceria do Sebrae com apoio da Fundação Banco do Brasil, Governo do Estado e especialmente, do prefeito Michel, nós temos hoje mais de 130 pessoas produzindo peixes no Bujari e, a previsão é de que mais cem comecem a criar a partir do ano que vem”, explica Murilo Mattos o coordenador do escritório da Secretaria da Extensão Agroflorestal e Produção Familiar (Seaprof). Ele esclareceu que: “Este treinamento que recebemos agora está sendo fundamental para que nossa piscicultura possa dar o salto de qualidade que precisamos para produzir mais e com maior eficiência e garantir nossa competitividade no mercado. Além disso, os bons resultados já causam um fenômeno que é a troca do boi pelo peixe, com muitos criadores vendendo gado para investir no peixe e isso é sinal de que estamos atingindo nosso objetivo”. No primeiro semestre de 2008 será inaugurado na no Bujari a fábrica de filetagem de peixes, na qual a carne será dividida em cortes especiais, embalados e congelados para chegar ao mercado com valor agregado. |
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