COTIDIANO

Desabrigados temem a volta para casa

Doenças causadas pelo contato com a água infectada são a maior preocupação das famílias

Regiclay Saady
Marca na parede das residências indica o quanto o rio já baixou nos últimos dias


O nível das águas do rio Acre continua baixando na capital, mas a maioria das famílias que está alojada nos abrigos da prefeitura ainda não pensa na volta para a casa. A grande preocupação das pessoas que ali estão é um novo aumento nas águas do rio, assim como aconteceu na enchente registrada no ano de 1997. Na época o rio deu sinais de vazante e muitas famílias retornaram para suas residências, porém as águas tornaram a subir, pegando as pessoas desprevenidas e causando vários prejuízos.

No parque de exposições Marechal Castelo Branco, onde há a maior concentração de desalojados, a expectativa da volta é grande, mas as pessoas estão cientes de que ainda não é a hora do retorno.

A dona-de-casa Luciane Costa da Rocha, moradora do bairro Seis de Agosto, disse que pretende retornar em breve à sua residência. “Já estou pensando na volta, mas vou sair daqui apenas quando a Defesa Civil autorizar e nos garantir total segurança”, afirmou Luciane.

Arleide Dias de Santos, que reside no bairro Taquari, chegou ao parque de exposições na semana passada e acredita que deve continuar no local pelo menos mais duas semanas, pois sabe dos riscos de doença devido à poluição das águas nas áreas alagadas. “Graças a Deus não está faltando nada para nós. Aqui estamos sendo muito bem tratados, temos recebido uma boa alimentação e não faltam remédios nem médicos para quem procura atendimento”, disse a desabrigada.

Arleide disse ainda que o tratamento que os flagelados estão recebendo neste ano é diferente do oferecido em outras cheias. “Na última alagação fiquei em um dos abrigos improvisados pela prefeitura e não tínhamos privacidade, a alimentação era ruim e o atendimento médico praticamente não existia”, lembrou.

“Gostei tanto do atendimento médico que está sendo prestado neste ano que pretendo me consultar mais umas três vezes, acho que assim vou ficar mais bonita, jovem e conversadeira”, brincou Arleide.

A Defesa Civil Municipal está orientando as pessoas atingidas pela enchente a não retornarem às suas casas antes de comunicar as autoridades. O objetivo é evitar possíveis doenças que podem ser causadas pela contaminação das águas que inundaram vários bairros da cidade.

 

 
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Rio Branco-AC, 24 de fevereiro de 2006
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