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O Acre diz sim ao PAC de Lula Seminário realizado em Rio Branco por Tião Viana e Nilson Mourão mostra que Estado será beneficiado com mais de R$ 1 bilhão em obras estruturantes |
![]() Senador Tião Viana falou da repercussão do PAC na economia acreana |
Pelo menos 500 pessoas participaram, durante mais de três horas na quinta-feira, do seminário “O Acre debate o PAC”, uma iniciativa do senador Tião Viana (PT-AC) em parceria com o deputado federal Nilson Mourão, do mesmo partido, para discutir o programa lançado em janeiro pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e que, se aprovado pelo Congresso Nacional, deverá resultar em investimentos da ordem de R$ 503,9 bilhões em quatro anos. O Acre participará desse bolo com recursos da ordem de mais de R$ 1 bilhão, segundo a exposição feita pelo senador Tião Viana e pelo secretário de Planejamento do governo do Estado, Gilberto Siqueira. O seminário foi realizado no auditório da escola Armando Nogueira, cujo auditório de 300 lugares foi pequeno para o número de pessoas que atenderam o convite dos dois parlamentares para discutir o programa. O economista e professor José Fernandes do Rego atuou como moderador do evento. A platéia era formada majoritariamente por empresários, trabalhadores, estudantes, professores, prefeitos, parlamentares, executivos do governo do Estado, religiosos e outros representantes dos diversos setores da sociedade local. Um grande número de pessoas, além de ouvirem as exposições, também expuseram suas idéias e puderam fazer perguntas sobre as principais metas e qual a participação do Acre no programa. Dos R$ 503,9 bilhões a serem investidos em quatro anos em busca de uma meta anual de crescimento da ordem de 5%, o Acre será beneficiado com investimentos de mais de R$ 1 bilhão, dos quais R$ 640 milhões estão destinados à conclusão da BR-364, que fará a ligação de Rio Branco a Cruzeiro do Sul, mais R$ 250 milhões para a conclusão do programa Luz Para Todos e outros R$ 174 milhões destinados a projetos de saneamento básico em Rio Branco e outros municípios. Além disso, dos R$ 75 milhões de investimentos na área de prospecção de petróleo em todo o país - recursos de emendas de autoria do senador Tião Viana -, o Acre será contemplado com R$ 27 milhões para pesquisas, principalmente na região do Vale do Juruá, na fronteira com a selva peruana, em busca de petróleo e gás. Informações da ANP (Agência Nacional do Petróleo) dão conta de que há registros de jazidas de petróleo e gás na região, que foi pesquisada pela Petrobras na década de 70. O senador detalhou como serão feitas as pesquisas que podem resultar na prospecção em território acreano. “A identificação dos prováveis sistemas petrolíferos no lado brasileiro dessas bacias diminuirá sobremaneira o risco exploratório e permitirá a inclusão do Acre nas próximas licitações da ANP e por conseguinte no cenário petrolífero internacional. É claro que isso será feito dentro das normas e com absoluto respeito ao meio ambiente”, expôs. A exposição dos impactos do Acre na economia acreana foi feita no seminário pelo secretario do Planejamento Gilberto Siqueira. “O que vai acontecer é o segundo passo daquilo que preconizava o governo Jorge Viana. Foram realizadas muitas obras de infra-estrutura naquele governo, mas era necessário que déssemos esse passo porque as obras um dia serão concluídas e isso costuma resultar em desemprego. O que estamos fazendo aqui, incluindo no PAC obras que já estavam em andamento e outras que estão sendo programadas para serem executadas pelo novo governo da Frente Popular, é o segundo momento da reestruturação do Estado no processo iniciado em 1999”, disse. “Nós estamos, com a rodovia do Pacífico e a Transoceânica, que está sendo construída em território peruano, nas portas dos mercados da Ásia, e esse é o grande momento de aproveitarmos as oportunidades para transformar os indicadores econômicos do Acre.” Interlocutor do governo federal e um dos principais articuladores no Congresso Nacional para a aprovação das medidas que compõem o PAC, o senador Tião Viana foi o primeiro a fazer sua exposição. Com gráficos e números, Viana mostrou que o PAC de Lula está à altura do plano de metas do presidente Juscelino Kubitschek, lançado em 1950, e muito além do PND (Plano Nacional de Desenvolvimento) implantado no país pelos governos da ditadura militar, no período de 1964 a 1985, que propiciou o chamado “milagre econômico brasileiro”. Para o vice-presidente do Senado, o programa lançado pelo presidente Lula tem um diferencial em relação aos demais programas do passado exatamente porque foca o desenvolvimento com distribuição de renda. “Todos nós sabemos que o Brasil vive uma espécie de bloqueio fiscal em relação ao Orçamento Geral da União. Só 10% das nossas receitas estão disponíveis para investimentos. Em 1987, o comprometimento era de 46%, o que levou o presidente às medidas que estamos discutindo para aprovação no Congresso e que tratamos nesse seminário. Espremendo tudo, o presidente concluiu que, só com as empresas estatais, era possível obter R$ 4,6 bilhões de investimentos no país”, afirmou Tião Viana. “A palavra crescimento é o que nos move. Tivemos, no governo Lula, um crescimento de 2,8% - mas com distribuição de renda, com melhoria de qualidade de vida, permitindo que sete milhões de brasileiros saíssem da condição de miseráveis. Mas isso não foi satisfatório.” Programa é agenda positiva que vem incomodando a oposição, diz Nilson Mourão Parceiro de Tião Viana na promoção do evento, o deputado federal Nilson Mourão, no exercício do terceiro mandato, disse que o lançamento do PAC, com medidas voltadas para o combate às desigualdades regionais, é a resposta do presidente Lula aos críticos da falta de um programa de governo, “apesar de tudo o que foi feito no país”. De acordo com o deputado, os críticos do governo do presidente não têm moral para tanto porque, quando estavam no poder, até o ano 2000, o país cresceu bem abaixo dos almejados 5% anuais. “Na época do Fernando Henrique e de seu plano neoliberal, o país cresceu no máximo 3% ao ano”, criticou. Segundo ele, o presidente Lula admitiu que o crescimento do país sob seu governo foi realmente pequeno, mas isso não significa que não tenha havido distribuição de renda no mesmo período. “Na ditadura militar, o país chegou a crescer 10% ao ano, mas foi nesse período que se ampliaram a miséria e as chagas sociais que foram herdadas até aqui. Temos exemplos em diversos países que têm crescimento maior que o nosso que o crescimento econômico nem sempre alcança os mais pobres”, disse. Nilson Mourão lembrou que na campanha eleitoral Lula disse que, no segundo mandato, depois do trabalho do primeiro governo, o Brasil está pronto para crescer e está mostrando o caminho exatamente através do PAC. “É por isso que a oposição está sem rumo. O PAC é a agenda do país, principalmente depois que o governo anterior a Lula desmontou o Estado brasileiro, através da teoria do Estado mínimo. A chave do PAC é, portanto, o desenvolvimento, com crescimento de 5% com justiça social e redução das desigualdades regionais.” Repercussão
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