POLÍTICA

Segurança pública em debate

Fernando Melo se reúne com alunos de Direito e representantes do Judiciário para discutir mudanças no Código Penal

Cedida
Alunos, operadores do direito e autoridades da área de segurança pública participaram do encontro realizado na manhã de ontem


Val Sales

Os sete projetos de lei que tramitam na Câmara Federal referentes às mudanças no Código Penal Brasileiro viraram bandeira de defesa para o deputado federal Fernando Melo (PT). Ele se reuniu ontem de manhã com advogados, delegados, juízes, promotores, desembargadores e estudantes do curso de Direito da Firb/Faao. O objetivo, segundo o parlamentar, é ouvir a opinião das pessoas que têm o código como principal instrumento de trabalho.

“Estamos exercendo a democracia do nosso mandato e conversando com esse público do Direito para informar o conteúdo das matérias e receber sugestões. A meta é de que a legislação seja mais adequada ao interesse da sociedade, que cobra as ações de um Código de Processo Penal ágil”, frisou. De acordo com o deputado, desde 1941 o código não passa por uma grande reforma.

Melo fez um apanhado das matérias de autoria do Poder Executivo que tramitam na Casa desde 2001, para tentar agilizar suas votações. “Essa é a forma com que a gente vai trabalhar o nosso mandato, sempre conversando com as pessoas envolvidas quando as leis que esperam para serem aprovadas no Congresso Nacional digam respeito a eles”, explicou. O gabinete do deputado realizou o debate a partir de uma parceria com a Firb/Faao, universidade que mantém um número considerável de alunos no curso de Direito. A discussão foi repetida com as turmas do horário noturno.

“Às vezes a gente vê pessoas reclamarem, por exemplo, de que um sujeito que cometeu um crime é o mesmo que possui alto poder aquisitivo, podendo ele contratar bons advogados e protelar o resultado final da sentença. Um desses projetos ataca isso e acaba com esse mundo grande de recursos, que ao todo somam 19”, declarou. A proposta que tramita no Congresso é de que esse número baixe para dois, ficando apenas a sentença e os agravos e instrumentos por qualquer decisão interlocutória que o juiz venha a dar.

As matérias também prevêem mudança no Tribunal do Júri, visando atualizar os momentos de acordo com a realidade, mas sempre com o objetivo de dar celeridade ao julgamento das pessoas que cometeram crimes.

Sociedade participa

O desembargador Ciro Facundo participou do debate na manhã de ontem e ressaltou a importância da discussão de temas como a maioridade penal, aumento de pena e sistema penitenciário. “É sempre bom que o povo participe. Estou aqui como povo e quero ouvir o deputado porque acho que é importante que se discuta isso no congresso. Todos nós queremos segurança, garantia e tranqüilidade para os nossos filhos. Por isso acho que toda discussão é válida”, explicou.

Ele disse ainda que muita coisa deve mudar em relação à severidade penal, mas se coloca visceralmente contra a redução da maioridade de penal. “Nós temos milhões de crianças boas e uma meia dúzia de crianças más. Então o tratamento tem que ser diferente”, assegurou. Para ele, a legislação é que tem que buscar um tratamento diferente para as crianças com desvios, e não simplesmente reduzir a maioridade penal para 16 anos. “Se isso resolvesse o problema não teríamos uma penitenciária como a do Rio Branco, com três mil presos, todos maiores. Não vai haver redução de criminalidade com redução da maioridade penal”.

O delegado da Polícia Civil Josimar Portes, também afirmou que a discussão é extremamente válida e oportuna, porque a sociedade está pedindo medidas urgentes e emergentes por parte dos gestores da segurança pública, não de acabar com a violência, mas pelo menos reduzir dos patamares a que ela encontra. “Essa discussão com os juizes e promotores vem em momento muito oportuno, uma vez que essas reformas apresentadas aqui já estão no congresso há algum tempo e esse debate com a sociedade é valioso”.

 
 
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Rio Branco-AC, 24 de fevereiro de 2007
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
   NA TRIBO
Com Roberta Lima
   PORONGA
Da Redação
 
 
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