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Querer saber é saber querer! Escolas de Rio Branco conseguem 80% de aprendizagem escrita e leitura muito maior que no restante do Brasil |
![]() Ana Clara e Lucas comemoram a vitória lendo e escrevendo |
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Lucas e Ana Clara levantam o polegar com a satisfação de quem conseguiu uma vitória que irá fazer grande diferença em sua vida no futuro: eles já sabem ler e escrever com destreza. O fato deveria ser comum em todas as crianças que estão matriculadas na primeira série das escolas públicas, mas não é. Embora o número de aprovados seja alto, o nível de aprendizado registrado em todo o país é baixo, por isso crianças como Lucas e Ana Clara merecem destaque. Ambos são alunos da Escola Chico Mendes, que atende crianças dos bairros Santa Inês e Belo Jardim, tidos como os mais carentes de Rio Branco, aprovando 105 de seus 131 alunos matriculados na primeira série, fazendo com que 74,29% deles aprendessem a ler e escrever. Embora esteja ainda longe dos 92,31% conseguidos pela Escola Theodolina Falcão Macedo, no bairro das Placas, é um salto de qualidade surpreendente porque em 2005 a Chico Mendes teve o pior índice de aprendizado dentre todas as escolas da capital. Os números merecem destaque porque, juntas, as escolas administradas pela Secretaria Municipal de Educação de Rio Branco (Seme) conseguiram uma taxa média de aprendizado de 78,84% dos alunos aprovados, quando a média nacional está em 50%. A vantagem das escolas de Rio Branco fica ainda maior quando se sabe que em 29 delas o aprendizado de leitura e escrita foi de 80%. “Estamos felizes com esses resultados, mas nós queremos mais, estamos com uma média geral de aprendizado de leitura e escrita na casa dos 80%, o que significa que conseguimos em 2007 a média que o Ministério da Educação espera atingir no Brasil somente em 2011”, explica Lígia Ferreira Ribeiro, diretora de Ensino da (Seme) Ela esclarece que sua secretaria administra 41 escolas com educação infantil e 29 da primeira à quarta série. Somadas, elas tiveram 38 mil alunos matriculados no ano passado. Ainda há muitos problemas a serem resolvidos, reconhece Lígia. “Aqui não estamos caçando culpados por não ter conseguido melhor aproveitamento dos alunos, mas vamos a essas escolas trabalhar soluções porque educação não se faz sozinho, é resultado do esforço de toda a equipe. A escola é parte da secretaria e quando ela falha nós falhamos juntos. Por isso mesmo é que vamos dedicar ainda mais esforço às escolas com maior dificuldade para que se nivelem às demais e possam oferecer às nossas crianças a educação de qualidade que elas merecem.” Surpresa! Ter uma escola com os melhores prédios, materiais e quadro completo de profissionais não é necessariamente garantia de qualidade no aproveitamento dos alunos. Por incrível que pareça, algumas das que conseguiram as melhores notas foram justamente as que não contavam com uma superestrutura física e outros recursos materiais, mas o que fez a diferença foi o esforço coletivo da equipe, além do acolhimento ao aluno e sua família para que se sentissem bem e quisessem ir à escola. Os números acima citados são resultado da prova do Programa de Aprendizagem de Alunos (Proa) aplicada pelo Instituto Abaporu através de consultoria externa contratada pelas secretarias estadual e municipal de Educação, as quais desde 1999 vêm avaliando a qualidade do ensino oferecido em suas escolas. A parceria entre prefeitura e governo do Estado faz com que a Seme administre 18 escolas municipais e 48 estaduais onde estudaram, em 2007, mais de 38 mil alunos. Entre os 3.260 alunos matriculados na primeira série em 29 escolas de Rio Branco, 2.859 foram submetidos à prova do Proa, que confirmou o bom aprendizado de escrita e leitura em 78,84% deles. Já nas 41 escolas de educação infantil, onde 3.731 crianças estavam matriculadas no ano passado, 2.953 conseguiram 50,52% de aprovação. O curioso é que elas fizeram a mesma prova que as da primeira série e mais da metade passou no teste. Histórias de sucesso Ana Clara Santiago tem 8 anos, mora no bairro Belo Jardim, tem quatro irmãos e é uma das alunas da segunda série da escola Chico Mendes e que foi aprovada no (Proa). “Gosto de vir para a escola porque aqui a gente brinca e aprende muita coisa legal. Aprendi a ler porque gosto de escutar e contar histórias, é muito bom. A nota menor que eu tive foi oito!”, conta, orgulhosa. Seu colega Lucas dos Santos Pereira, que tem 7 anos e mora no bairro Santa Inês, é o contador de histórias. “O que eu mais gosto na escola é de escrever, ler, brincar e comer a merenda, que é muito boa. Aprender a ler foi fácil, mas escrever deu trabalho, agora já faço as letras emendadas nas palavras. Gosto daqui da escola porque estou estudando desde os quatro anos.” Mas os bons resultados dessa escola foram conquistados à custa de muito esforço da equipe, contando com o apoio da Seme. Há dois ou três anos atrás, até os vizinhos se incomodavam com as pedras jogadas pelas crianças sobre seus telhados. As brigas eram constantes, até a Polícia da Família era chamada para resolver algumas pendengas em que os pequenos se envolviam. Assim, a escola conseguiu os piores resultados da capital durante pesquisa realizada pelo Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) realizado pelo Ministério da Educação em 2005. “A equipe resolveu reagir a essa situação. Temos sido apoiados pela Seme, que completou nosso quadro com professores mais competentes e comprometidos, além de recebermos a coordenadora pedagógica Maria da Conceição Lima, Esse trabalho de todos é que fez a diferença”, explica a diretora, que tem 38 anos como educadora, 13 deles só nessa escola. Ao longo do ano passado, a Polícia da Família não foi uma única vez à escola porque os alunos mudaram seu comportamento. “Quando ele chegam à escola são acolhidos com simpatia pelos professores e funcionários, entram em forma, cantam hino, fazem oração e seguem em fila para a sala de aula. Quando fazem alguma coisa grave, não repreendemos na frente dos outros, mas conversamos com eles e depois temos um caderno no qual eles assinam o compromisso de não fazer mais aquilo. Com isso aprenderam a valorizar a escola e respeitar os colegas e, ao tornarmos as aulas mais atraentes e participativas, eles aprenderam mais”, relata. Pequenos gigantes “A missão primordial da escola é alfabetizar, e nós estamos apenas cumprindo nosso papel”, declara, de forma sincera e sem rompantes de orgulho, a pedagoga Rosna Silva de Souza, especializada em gestão escolar e que atua como diretora da Escola Municipal Monteiro Lobato, no conjunto Bela Vista. Atendeu no ano passado 298 crianças de quatro a seis anos, todas moradoras dos bairros Palheiral, João Eduardo, Bahia, Preventório e Ivete Vargas, além dos conjuntos Bela Vista, Castelo Branco, Abrahão Alab e Mascarenhas de Morais. Neste ano está com 306 alunos. A boa gestão da escola foi reconhecida e premiada no ano 2000 pelo Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime) e a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, além da Fundação Roberto Marinho, da Rede Globo. No ano passado seus alunos foram submetidos à prova do Proa e, embora ainda nem estejam na primeira série, demonstraram que 85,83% deles estão alfabetizados. Esse foi o melhor resultado conseguido entre as 42 escolas de educação infantil administradas pela prefeitura, onde a média geral foi de 50,52% de aprendizado na escrita e leitura. Formada em pedagogia, a professora Cláudia Nascimento dos Santos leciona há 12 anos, dez deles na Monteiro Lobato, onde é a coordenadora pedagógica por indicação da própria equipe. “O ano de 2007 foi minha primeira experiência como coordenadora pedagógica e o excelente resultado conseguido deve-se primeiro à relação de amizade com que trabalhamos aqui dentro, onde planejamos, solucionamos problemas e executamos tudo em conjunto, pensando sempre na escola e, principalmente, em como melhorar o aprendizado dos alunos.” O trabalho da equipe é reforçado pelo apoio da Seme, especialmente o dos pais das crianças, os quais são convidados a participar de reuniões nas quais é apresentado o plano de trabalho do ano e aonde pretendem chegar. Também esclarecem que a participação deles é muito importante, mas que, embora auxiliem, não devem fazer o dever de casa do aluno, mas apóiá-lo e encorajá-lo a cumprir sua tarefa. Professores nota 10 Outro diferencial está no uso dos espaços disponíveis na escola, conforme esclarece a matemática Maria Isabel Amâncio Costa, que já tem o magistério e agora é acadêmica de pedagogia pela Ufac. Ela é uma das duas professoras da escola que conseguiram alfabetizar todos os alunos de suas salas. “O primeiro passo neste trabalho é gostar do que faz. O restante está no apoio que recebemos da escola, no modo como tratamos as crianças e no incentivo dado pelas famílias. Temos uma equipe unida onde o professor é ouvido tanto pela direção quanto pelos pais. Isso é muito importante porque é ele quem está mais perto do aluno”, lembra. Outra professora que conseguiu alfabetizar todos seu alunos foi Lucileide Fernandes Cavalcante, que além de gostar do que faz, esclarece: “É preciso ser criativo e saber utilizar os recursos disponíveis. Aqui, por exemplo, temos um laboratório de informática e uma sala de artes. Uma vez por semana dividimos a turma - metade vem para uma dessas salas, onde desenvolve suas atividades, e a outra metade permanece na sala com o professor, que aproveita para dar uma atenção maior aos que estão com alguma dificuldade. Todos os professores têm um dia por semana para ficar fora de sala, para oferecer atendimento individual a uma das crianças, além de sempre estimularmos os alunos a ajudarem-se uns aos outros”. Até as atividades no pátio e no parque onde acontecem brincadeiras, torneios e jogos seguem uma metodologia que, sem pressionar, ensina as crianças a obedecer a regras, respeitar o colega e trabalhar em equipe. Persistência a toda prova A escola João Paulo II, localizada na rua principal da Sobral, está passando por uma reforma a fim de poder atender melhor seus alunos. Mas no ano passado, apesar de as salas e demais dependências não estarem tão bem assim, foi ela quem conseguiu o segundo melhor índice de aprendizado, com 91,06% de seus alunos aprovados na primeira série lendo e escrevendo corretamente. A escola atende 546 alunos de primeira a quarta série, todos moradores dos bairros Sobral, Ayrton Senna e Plácido de Castro, que estão dentre os mais carentes da capital, mas que apresentaram em todas as séries resultados surpreendentes no último ano.
A diretora Maria da Conceição de Araújo, mais conhecida como Suely, é historiadora especializada em gestão escolar. “Além de comemorarmos o excelente resultado conquistado na pesquisa do Instituto Abaporu, nós nos orgulhamos de que nenhum de nossos alunos abandonou a escola, mas isso deu muito trabalho. Tanto que, quando um deles faltava, a professora Maria Nascimento pegava a bicicleta e ia buscá-lo em casa. Nunca deixamos um aluno fora de sala porque chegou atrasado ou porque estava sem farda, pois entendemos que é melhor ele ficar três horas na escola do que na rua.” Assim surgem histórias como a do aluno da primeira série que teve de ser buscado em casa, praticamente todos os dias - por um acaso, o único que ficou reprovado porque, apesar do esforço da equipe, ele conseguiu ter mais faltas do que o permitido, mas já está matriculado para repetir neste ano. Também a vitória da professora Irlene Lima Pinheiro, que conseguiu aprovar e alfabetizar com perfeição todos os alunos das duas salas de primeira série que estavam sob sua responsabilidade, uma pela manhã e outra à tarde. Isso gera resultados, como o fato de haver aprovado todos os alunos das três salas de quarta série da escola. Além disso, a equipe, sabendo das dificuldades e até dos preconceitos sofridos pelos alunos, trabalham a elevação de sua auto-estima. “Já contei muitas vezes a eles minha própria história de vida como criança nascida de uma família muito pobre no seringal, que passei muitas necessidades, mas nunca desisti, que quando entrei nesta escola era faxineira, estudei e agora sou diretora. Se eu venci, eles também podem vencer.” Com isso, é muito comum as crianças, especialmente as da alfabetização, sentirem-se estimuladas a aprender a ler e quando conseguem escrever cartas contando às professoras e diretores seus sonhos de vida e o que querem ser quando crescer. O esforço coletivo da equipe veio construindo resultados e conquistas como o terceiro lugar pelo Ideb em 2005. “Naquela época expliquei a eles que nós tínhamos conquistado a medalha de bronze, mas se todos nós nos esforçássemos iríamos conquistar a de ouro, como fizemos agora”, afirmou.
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| GIRO GERAL |
| Com Moisés Alencastro |
| NA TRIBO |
| Com Roberta Lima |
| PORONGA |
| Com Leonildo Rosas |
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