| POLÍTICA | |
Pacto agrário propõe terra, educação e trabalho no campo Proposta deve melhorar distribuição de renda no Estado |
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Exemplo mundial da luta pela preservação ambiental, o Acre, de acordo com números do IBGE, amarga o fato de ter a maior concentração de renda de toda Amazônia, fato que leva muitos milhares de famílias acreanas a viverem abaixo da linha da pobreza nas cidades e no campo. Embora se manifeste de forma diferente, miséria é miséria em qualquer parte. Mas a meta do governo Binho Marques é chegar até 2010 com o Acre sendo o melhor Estado para se morar em toda a Amazônia. Nesse caminho, logo depois de eleito, ele declarou sua decisão de colocar em prática o Pacto Agrário, apresentado pelas principais lideranças rurais acreanas no dia 11 de setembro. Nele propunham que fossem investidos R$ 25 milhões em infra-estrutura de transportes e para o aumento da produção de forma a garantir mais qualidade de vida aos produtores familiares, que assim contribuirão para o desenvolvimento do Estado. Levantada pelo senador Sibá Machado, a bandeira do pacto foi encampada por toda a bancada federal acreana, que de acordo com o pedido feito no pacto deveriam conseguir para investimentos no campo R$ 12 milhões nas emendas coletivas e mais R$ 2 milhões nas individuais, mas juntos conseguiram R$ 51,9 milhões, que estão reservados no Orçamento Geral da União para ser liberados ao longo de 2007. Somando-se a isso, o dinheiro reservado pelo governo federal, estadual e prefeituras, os investimentos no campo deverão atingir a casa dos R$ 70 milhões, quando o setor esperava ter investidos R$ 100 milhões nos próximos quatro anos. “Embora a gente conte com o apoio pessoal do governador Binho para esse projeto e dinheiro reservado no OGU, ainda não era de comemorar, pois é necessário trabalhar junto com os dirigentes dos órgãos e empresas públicas, em parceria com os representantes do setor produtivo, um plano para saber em que e onde aplicar esse dinheiro, para que sendo bem aplicado ele se transforme em melhoria da qualidade de vida para nossa população”, advertiu o senador Sibá Machado. Acompanhado de lideranças rurais e parlamentares, ele vem realizando uma verdadeira romaria pelos principais órgãos públicos e instituições voltadas ao desenvolvimento do setor produtivo no Acre. Ontem, pela manhã, eles estiveram reunidos com o superintendente do Incra no Acre, Carlos Paz, o “Cardoso”, depois com os prefeitos na Associação dos Municípios do Acre (Amac). No início da tarde com o coordenador do Instituto Dom Moacir, Irailton Lima, e o secretário da Assistência Técnica e Extensão Rural (Seater), Nilton Cosson, no fim da tarde com o superintendente do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) Orlando Sabino. Terra produtiva Diante de Cardoso, que representa órgão da reforma agrária no Acre, Sibá lembrou que o Pacto Agrário propõe uma ação conjunta de todos os órgãos e empresas públicas, mais associações, cooperativas e lideranças rurais para atuar de maneira organizada na solução dos muitos problemas que afetam o campo. “Na prática, o pacto quer diminuir as dificuldades que até hoje enfrentamos para alcançar nosso desenvolvimento produtivo, ao mesmo tempo em que diminuiremos as desigualdades na distribuição da renda no campo e na cidade”. Desigualdades que, segundo o senador, seriam drasticamente diminuídas com a presença efetiva do poder público também no campo, levando educação, saúde e assistência técnica de qualidade, aliadas a boas condições de tráfego nas estradas, mecanização da terra e melhorias tecnológicas para aumentar a produção e a renda dos produtores familiares. Francisco Cartaxo lembrou que a bancada parlamentar está pronta para receber não apenas as reivindicações do setor produtivo, mas também para ajudar a divulgar os resultados que forem sendo obtidos pelas ações. “Nós vivemos um momento muito especial num Acre em que Jorge Viana criou uma ampla infra-estrutura de estradas, pontes e grandes investimentos, agora temos o governador Binho comprometido em garantir o desenvolvimento econômico e social do Acre de uma forma justa através da valorização do capital comunitário representado pelas associações, cooperativas e demais instrumentos da sociedade organizada”. Educação é fundamental Na reunião da tarde com Nilton Cosson da Seater e Irailton Lima coordenador do sistema de escolas técnicas profissionalizantes, Sibá e os representantes do setor produtivo reivindicaram a criação de um sistema educacional diferenciado e profissionalizante para os jovens que estudam nas escolas rurais para que parem de abandonar o campo por falta de perspectivas de futuro. Irailton explicou que, a pedido do próprio governador Binho, eles já vinham debatendo o assunto e, em no máximo 15 dias, apresentarão a proposta da grade curricular que visa oferecer um novo sistema educacional através do qual os jovens do campo se profissionalizem para aumentar a produtividade e melhor gerenciar as propriedades rurais como negócios que são. Empreendedorismo rural Junto ao superintendente do Sebrae, Orlando Sabino, Sibá teve sua proposta bem acolhida e a garantia de que as portas da instituição estarão sempre abertas para parcerias que visem tornar os pequenos produtores mais produtivos. “Este movimento do pacto é o mais representativo que já vimos acontecer no Acre. Além disso conta com a boa vontade e o apoio político do próprio governador Binho. Mas é preciso ficar claro que temos um grande desafio que é melhorar a qualidade de vida dos mais de cem mil acreanos que vivem no campo. De nossa parte isto é um estímulo, até porque entendemos que é preciso preparar nossos pequenos produtores para aproveitar bem as oportunidades de negócio que estão surgindo em torno dos grandes investimentos que vem sendo financiados com dinheiro do Estado”. Presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Rio Branco, “Luizão” foi enfático ao afirmar que: “Hoje estamos aqui discutindo o quê e como produzir, a gente até sabe fazer isso de forma desorganizada e com pouca técnica, tanto que ¾ de nossos produtores não consegue dizer nem quanto gastou para produzir e determinar o preço justo para a venda de nossa produção. Mas também estamos sentindo que vivemos um novo momento. Durante anos nós trabalhadores rurais sempre sonhamos com o dia em que os pedaços do queijo fossem divididos igualmente. Hoje há a promessa e a esperança de que isso finalmente aconteça!” |
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