Whilley Araújo
Auditores fiscais do Ministério do Trabalho realizaram na manhã de ontem uma manifestação na praça da Revolução Coronel Plácido de Castro, no centro de Rio Branco. A categoria está em greve há mais de um mês e recusou a última proposta apresentada pelo governo federal, em reunião que aconteceu na semana passada.
Por meio do Ministério do Planejamento, o governo ofereceu aos trabalhadores o pagamento do salário em forma de subsídio, algo em torno de 40% de reajuste em relação ao que os auditores recebiam antes.
“Esse valor seria pago em três parcelas (junho de 2008, junho de 2009 e junho de 2010). Em contrapartida o governo impôs que aceitemos um sistema de avaliação de servidores para efeito de progressão e promoção, um dispositivo que engessa muito as carreiras, pois as pessoas dependem de coisas subjetivas. Por exemplo, se uma pessoa for muito amiga do chefe ainda depende do orçamento, e o fiscal que está entrando hoje levaria 42 anos para chegar ao final da carreira”, explica Maria Bonfim Oliveira, auditora do Ministério do Trabalho e delegada sindical no Acre. “Recusamos a proposta por não aceitarmos o cronograma de pagamento e o sistema de avaliação imposto.”
De acordo com Bonfim, o Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho (SINAIT) está recebendo o resultado das plenárias estaduais e irá fazer uma contraproposta ao governo federal nos próximos dias. “Caso não haja um acordo, iremos realizar novas mobilizações como essa”, acrescenta.
Segundo ela, o maior prejudicado com a greve dos auditores é a população mais carente, principalmente os trabalhadores empregados em empresas que não respeitam às leis trabalhistas. “Já os beneficiados com a paralisação acabam sendo os estabelecimentos que só cumprem os seus deveres quando a fiscalização da Delegacia Regional do Trabalho está em cima”, pontua. |