Escravidão no século 21
A que ponto um ser humano é capaz de chegar na busca de um emprego? A escravidão, no sentido literal da palavra, talvez seja o limite. Muitas são as situações análogas, em que o assalariado indignado abre a boca para dizer que se sente um “escravo”. No entanto, viver sob a real condição vai além de qualquer insatisfação no ambiente de trabalho.
Primeiro, porque o escravo de verdade, como os que foram encontrados no sul de Lábrea, não têm o direito de voltar para casa para reclamar do dia estafante. Do meio da selva onde foram abandonados para fazer o serviço de desmate, eles só sairiam após terminar a tarefa. Para dormir, alguns pedaços de lona até poderiam protegê-los do sereno, mas não das intempéries nem do ataque de animais.
Isso sem contar o abandono à própria sorte, desprovidos de água potável e serviços de primeiros socorros caso algum acidente, que não são incomuns em trabalhos dessa natureza, ocorresse. Em pleno século 21, a escravidão, abolida ainda em 1888, persiste aproveitando pessoas que não tiveram oportunidades na vida.
Apesar de o Ministério do Trabalho realizar um digno trabalho de prevenção, não basta apenas retirá-las de lá. É preciso que a tão propalada geração de emprego e renda, promessa de campanha de dez entre dez candidatos eleitos, alcance quem realmente necessita. Mais que isso. Antes, o acesso à educação, à instrução, ao conhecimento, é imperativo. Só assim poderá se comemorar, 120 anos depois, a verdadeira abolição da escravatura no Brasil. |