“Uma coisa é a gente ter qualquer pessoa na prefeitura de Rio Branco e outra coisa é a gente ter o Raimundo Angelim, um prefeito que qualquer cidade do país gostaria de ter”
Val Sales
O governador Arnóbio Marques sempre fez questão de deixar claro que é mais técnico do que político. Dessa forma, ele observa criterioso o desenvolvimento de todos os projetos voltados para a melhoria da qualidade de vida da população acreana, tendo sido a inclusão social sua maior bandeira para a promoção do desenvolvimento a partir da igualdade de espaço e de direito de todos.
Binho Marques garantiu que em 2010 o Acre será o melhor lugar para se viver no Brasil, não só pelos investimentos e incentivo na área do comércio e da indústria, mas pelo fato de ter uma população orgulhosa das próprias conquistas. Os empreendimentos que já foram efetivados e os que estão sendo executados nas áreas da saúde e da educação são uma certeza de que o gestor acredita no poder de transformação que há nas mãos de um povo sadio e bem informado.
Na entrevista a seguir, o gestor fala dos projetos que estão sendo executados no Estado, do interesse de sua administração em estimular a autonomia do setor privado, do respeito com a legislação ambiental e dos investimentos na área social visando a melhor qualidade de vida dos cidadãos.
O que significa para o Acre esse investimento de mais de R$ 500 milhões do BNDES e qual sua destinação?
Essa é uma vitória muito importante que a gente não pode deixar passar em branco. O primeiro contrato que o governo fez com o BNDES na administração do Jorge Viana foi de R$ 40 milhões, no segundo foram liberados R$ 120 milhões e agora são R$ 575 milhões. Para isso, no ano passado foram discutidos e feitos muitos projetos e levadas novidades ao banco.
Que tipo de projetos?
“Colocamos no projeto do BNDES uma grande parcela de iniciativas voltadas para a educação e a saúde, coisas que não são muito comuns no banco. Ele está acostumado a investir na infra-estrutura de desenvolvimento e não na área social. Nós conseguimos convencer a instituição de que a educação é a base para tudo. Estamos priorizando um investimento alto para criar condições para que o acreano, ao chegar o desenvolvimento, não vá ser aquele que vai apenas assistir a esse desenvolvimento, mas que tenha uma participação ativa como protagonista dele.
Como serão distribuídos esses recursos?
Para todos os municípios do Acre. E vão chegar com muita força para aqueles que mais necessitam. Eu diria que esse é um projeto da juventude acreana. Diria que esse é um projeto que está construindo o futuro do Acre a partir de um forte investimento no ensino profissional nas escolas e para que a gente tenha uma boa formação para todos.
O que o governo está fazendo pela autonomia do setor privado?
Ao BNDES apresentamos dois blocos de projetos, que também foi uma inovação para a instituição. Colocamos sete componentes, nos quais a iniciativa privada entrou muito fortemente em quatro deles. Aquilo que o Estado pode passar para a iniciativa privada nós não vamos precisar fazer. Como disse antes, quero chegar a 2010 com menos governo e mais sociedade, mais participação dos empresários. No BNDES vamos ter um bloco de financiamentos de mais de dez projetos que entram na área da saúde, no setor hoteleiro e na infra-estrutura de habitação, para que possamos ter o governo e os empresários trabalhando juntos.
Nesse sentido, o governo estaria avalizando o empréstimo dos empresários?
O empreendimento que o governo toma para si vai necessitar comprar serviços dos empresários. Isso faz com que o BNDES se sinta tranqüilo de que o recurso movimentado nesse período vai gerar uma economia de negócios viáveis. Sem o financiamento do governo esses projetos do empresariado, sozinho, não seriam aprovados. A ‘carteira de projetos’ do Acre não é o tipo que o banco normalmente aprova. O banco está abrindo uma exceção para o Estado porque o governo está ajudando os empresários na elaboração dos projetos.
Qual foi o papel do governo na negociação para a liberação da Alcooverde?
A posição do governo sempre foi muito clara. Em nenhum momento aquele empreendimento teve sua licença cassada e quem fez esse licenciamento foi o próprio governo. Em alguns momentos o Ministério Público Estadual fez questionamentos e o governo ajudou a empresa a fazer uma discussão com o órgão, como mediador, tendo sido essa participação decisiva nesse processo. Se não fosse o governo participando e discutindo com o Ministério Público e chegando a um bom entendimento, esse empreendimento não iria adiante, porque existe uma pressão internacional para que não haja uma usina de álcool na Amazônia.
Qual foi a postura assumida pelo governo perante o Ministério Público e os empresários da usina?
O governo adotou uma postura de entendimento. De quem está discutindo e negociando. De quem tem compromisso com a legislação ambiental e quer o melhor para o Estado. Existe uma preocupação muito grande com o meio ambiente, mas também com as pessoas que moram na Amazônia. Esse governo definiu aquela região como uma Zona Especial de Desenvolvimento. Então esse governo tem uma questão de honra em colocar aquele empreendimento para funcionar e sentir orgulho de dizer que a Alcooverde é a melhor usina que existe no Brasil.
Com a liberação da Alcooverde, existe possibilidade de investimento na área do biosíesel?
A possibilidade existe. O que nós adotamos com a Alcooverde vale para qualquer outro empreendimento. A gente tem que ter a preocupação ambiental e não avançar sobre as áreas de floresta. Nós temos um programa de desenvolvimento que dá ênfase à produção baseada na floresta. Acabamos de inaugurar, com muito orgulho, a fábrica de preservativos, sendo ela a mais moderna do Brasil. Também estamos com a fábrica de piso em Xapuri e nesse financiamento do BNDES temos mais três empreendimentos industriais. O biodiesel ou qualquer outro empreendimento que venha acontecer no Acre precisa passar primeiro pelo estudo de viabilidade econômica.
Então, pode-se dizer que o governo mantém forte a defesa daqueles que querem investir no Estado?
O governo vai olhar toda e qualquer proposta com cuidado e critério do ponto de vista da justiça social, priorizando o retorno para a população e a preocupação com o meio ambiente. O que precisamos compreender é que esses são empreendimentos empresariais, e não do governo. O que o governo faz é incentivar os empresários a fazerem estudos de mercado com os critérios da justiça social e da legislação ambiental. Estando incluído nesses critérios, o governo está para ajudar na busca de financiamentos. Sendo assim, eu vou para dentro da briga, me esforço, discuto com o Ministério Público e depois vou para dentro do empreendimento e o anuncio. O que não posso fazer é gerar uma expectativa que não se realiza.
Qual a situação do Acre em relação a outros Estados com respeito à legislação ambiental?
Podemos dizer que o Acre está em uma situação privilegiada. As dificuldades que temos hoje são um detalhe perto da situação que está generalizada na Amazônia Legal com relação ao desmatamento. Os empresários do Acre estão na frente e eu devo parabenizá-los. Temos dificuldades, sim, mas estamos juntos para ajudar. O problema deles é meu problema também e eu assumo isso. O Acre está se preparando para o futuro e não podemos ser relapsos ou preguiçosos. Não podemos ter medo dos desafios. Temos empresários preparados para esse novo momento.
Qual o ponto de vista desse governo sobre o progresso por meio das estradas?
O principal aspecto da estrada é a integração. Na medida em que se interliga o Estado, se consegue elevar os indicadores sociais. Isso por si só já justifica o que está sendo feito. Acho que as pessoas têm o direito de se comunicar e de ir de um lugar a outro, que é o mínimo que manda a Constituição do nosso país. A gente tem que se preocupar com o fato de que o Acre é um Estado onde as pessoas não se comunicam e que muitas vezes não têm acesso à saúde ou a educação. Estamos num patamar em que o mínimo ainda não foi atendido.
O que o governo está fazendo para levar mais investimento às regiões?
“Em nossa economia temos desenhadas cinco zonas especiais de desenvolvimento. O governador Jorge Viana fez um grande investimento no Alto Acre e agora vamos fazer um grande investimento em outras quatro regiões. Para essas regiões, o financiamento do BNDES contempla também a construção de cadeias produtivas que estão em processo de estudo de viabilidade econômica. Em cada uma delas haverá pelo menos um grande empreendimento, além dos menores, que são complementares.
Qual será sua participação na campanha para a sucessão municipal e quais critérios deverão ser adotados para essa escolha dos prefeitos?
Minha posição é a mesma da Frente Popular e não há divergências. Nós temos procurado ter à frente das prefeituras os melhores quadros. Uma coisa é a gente ter qualquer pessoa na prefeitura de Rio Branco e outra coisa é a gente ter o Raimundo Angelim, um prefeito que qualquer cidade do país gostaria de ter. Nós hoje temos um grupo de prefeitos no Acre que faz a diferença. Uma coisa era o governo agir sozinho e outra coisa é o governo e a prefeitura trabalhando juntos. Para mim não interessa só ganhar a prefeitura, interessa formar um bom quadro que seja honesto e compromissado.
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