| OPINIÃO | ||
| CRÔNICA DE DOMINGO | ||
José Augusto Fontes |
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Enfeites O motivo dessa palavra enfeitada e faceira que foge de mim é o carinho desapaixonado dessa mulher que me beija e sorri, sem amar o momento, sem parir a eternidade, apenas sorrindo, sem perceber que no sorriso há o motivo, que o motivo veste razão, que o amor despe a sensação. A razão desse escrito disfarçado e fugidio está no olhar dessa mulher, refletindo floresta em cair de tarde; outra hora, refletindo noite enluarada com moldura de mato; e está até no brilho que não me reflete, sem razão para amar; sem saber que amar não quer razão; sem ver que olhar enfeitiça, atiça; sem enxergar que eu não apenas olho, invado e quero, enquanto disfarço, enquanto espero, dizendo palavras fugidias. A fantasia desse sentimento é um beijo partido, não chegado nem esperado; é um querer escondido, que vai ficando, vai se perdendo, enquanto gasta palavras e texto, razão e motivo, tudo sem esse mesmo motivo, porque apenas querer não faz sentido, não procria, não tem juízo, e apenas querer não quero mais. Quero o corpo como o querer, e nessa fantasia, a saudade não sabe onde topa, não vê onde encosta, nem é saudade, é falta de motivo, é mulher. A saudade deste escrito não foi identificada. É sem nome aparente, sem lugar determinado, vem de não sei quando, é apenas saudade sem tino , sem dono; é apenas saudade sem adereços, que resolveu sair e dar as caras, passear pelos sentimentos disfarçados, pelas razões imotivadas, pela fantasia capinada e nua. Então, sem mais enfeites, este texto é apenas palavra, é apenas sentir e fazer que diz, por assim dizer. É enfeite quase definitivo, é mulher que só sei pegando, é falta do que fazer que se desculpa em saudades, é escrito de meias verdades. |
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