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Paula Pimenta * |
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| Possibilidades paralelas Entre os últimos filmes que vi, um me marcou e até hoje me faz pensar: “Click”. O filme conta a história de um homem que compra um controle remoto universal para operar todos os seus equipamentos eletrônicos, mas o aparelho acaba sendo mais do que ele esperava... além da televisão e do microondas, ele tem o poder de rebobinar certas cenas da vida e até de passar para o próximo capítulo sem ter que viver, por exemplo, situações chatas. Acontece que nessas viagens ao futuro, ele descobre que as escolhas que fez não o levaram a destinos muito felizes, e ele passa a questionar o próprio passado. Por coincidência, tenho conversado muito sobre um assunto similar: a possível existência de universos paralelos, onde teríamos vários desdobramentos da nossa vida, várias possibilidades para a nossa existência. Por exemplo: você sai de casa em um dia comum e resolve não ir pelo caminho de sempre e sim por um outro que você acha que pode estar com menos trânsito. No meio desse caminho, um motoqueiro entra na sua frente, você o atropela e fica com trauma de dirigir pelo resto da vida. Se tivesse ido pelo caminho usual, provavelmente nada teria se passado, ou talvez tivesse acontecido outra coisa, como um pneu furado ou uma passeata parando o trânsito, que te levasse a outras situações. Já assisti a outros três filmes que tratam do mesmo tema: “O Efeito Borboleta”, “Quem somos nós” e “De caso com o acaso”. Todos eles mostram as possibilidades que temos e os futuros que deixamos pra trás em prol do presente onde estamos. Por coincidência, comecei a ler um livro na semana passada que também trata do mesmo assunto: “Um”, de Richard Bach. Logo no início, os protagonistas se encontram com as pessoas que eles foram um dia e tentam alertá-las para fatos que elas podem evitar, atalhos que devem tomar. Acontece que pelo simples fato deles terem feito isso, já mudaram o destino dessas pessoas, as levando para um outro futuro diferente do que os protagonistas que voltaram estão. É um assunto muito complexo, mas muito instigante. Por diversas vezes me pego pensando onde eu estaria se eu tivesse feito outras escolhas, se tivesse entrado em outras ruas, se tivesse me atrasado cinco minutos. Fico pensando se em alguma dimensão paralela existe alguma Paula veterinária, que é a profissão que até hoje eu acho que devia ter escolhido. Mas se eu fosse veterinária, será que estaria escrevendo essa crônica nesse momento? Provavelmente não, e isso seria uma pena, porque realmente adoro escrever. Muitos fatos relevantes da nossa vida acontecem quando estamos distraídos, e só notamos a importância deles muito tempo depois. O que seria de mim se eu não tivesse batido o carro naquela manhã? Teria chegado antes na aula ou a batida impediu algo pior? Como estaria a minha cachorrinha agora, se eu a tivesse fiscalizado com mais atenção? Com certeza não estaríamos com 7 filhotinhos lindos no quarto ao lado. Onde eu estaria se não tivesse resolvido voltar para o Brasil da Inglaterra no ano passado? Provavelmente ainda lá, mas com certeza bem menos feliz do que estou agora. E se naquele jogo da Copa eu não tivesse voltado para a casa do meu amigo, e sim ido a um restaurante japonês, como a minha prima sugeriu? Com certeza o meu mundo estaria diferente, e eu nem gosto de pensar nessa possibilidade, porque eu estou exatamente como eu queria estar nesse momento... Todas as nossas atitudes nos levam a milhões de caminhos. O que teria acontecido se em vez de ficar escrevendo essa crônica até 2h da manhã, eu tivesse dormido cedo para curar minha gripe, como minha mãe me orientou? Provavelmente eu não acordaria com dor de garganta, mas você não estaria lendo isso agora. E esse assunto não ficaria na sua cabeça, e sim um outro, que te levaria a outras conversas entre as várias que você terá hoje. Ou seja, eu acabo de mudar o seu destino. E você, daqui a pouco, ao falar com alguém, também mudará o destino dessa pessoa e assim vamos, pela vida afora, trilhando essa imensidão de caminhos que a vida nos oferece, fazendo escolhas e deixando pra trás possibilidades. Realmente, dá vontade de ter um controle remoto, passar o nosso filme pra frente e ver se essas decisões de hoje resultarão em um final feliz. * Autora do livro de poemas “Confissão” |
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