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Móveis ecologicamente corretos

Primeiro lote de mobiliário fabricado com madeira de teca cultivada em reflorestamento no Acre vai para São Paulo


Juracy Xangai

Parte nesta segunda-feira para serem entregues à distribuidora Veibe Representações, em São Paulo, o primeiro lote de 2.700 peças (mesa, duas cadeiras e uma banquetas dobráveis para bares e jardins) produzidos pelos associados da Cooperativa de Moveleiros do Estado do Acre (Coopermóveis). A venda prova que se estiverem organizados os pequenos marceneiros e outros produtores podem atender encomendas das grandes empresas.

A outra novidade, tão importante quanto essa, é a de que esta é a primeira produção acreana de móveis fabricados com madeira de reflorestamento de teça plantados no projeto de colonização Peixoto. Além da qualidade no acabamento das peças que vão ser montadas em São Paulo, o fato de sua produção não destruir a floresta nativa foi um dos fatores que influenciou a assinatura do contrato para a entrega das 2.700 por mês.

“Esta era a madeira do primeiro corte de um reflorestamento de téca e iria ser vendida para ser queimada nas olarias e padarias de Rio Branco. Natural da Índia, a téca é uma das madeiras mais caras do mundo, tanto que as empresas nem querem que a gente dê acabamento com cera ou selador, as peças são lixadas para manter sua cor e beleza natural”, explica Raimundo Nonato de Souza o diretor financeiro da Coopermóveis, enquanto ajeita e amarra os fardos de peças de madeira.

Juracy Xangai
Estado começa a exportar seu primeiro lote de teca para outras regiões do país

Questão de sobrevivência

Pressionados pelas lei ambientais e sem terem como legalizar seus negócios, os pequenos moveleiros viam ameaçada sua sobrevivência num mercado cada vez mais exigente em termos competitivos pela qualidade do trabalho e respeito sócio ambiental.

“A gente levava pancada de todo lado e não via mais saída a não ser abandonar a profissão, até que o Sávio Fernandes que é hoje nosso presidente, começou a chamar a gente para se reunir a fim de encontrar juntos uma solução que garantisse nossa sobrevivência. Ele me convidou e eu fui meio desacreditando dessa história porque tinha medo de que essa história desse ainda mais prejuízo”, confessa Raimundo que então complementa: “Tivemos a felicidade de formar um grupo de 35 marceneiros que acreditaram no projeto, vestiu a camisa e investiu no negócio. De vez em quando é preciso acertar alguma diferença, mas isso faz parte da convivência coletiva”.

História de lutas

Esses primeiros jogos de mesa, cadeiras e banqueta só estão prontos porque apesar das dificuldades, Sávio e os demais marceneiros bateram de porta em porta buscando ajuda e orientação. “A Associação Comercial do Acre foi a primeira a nos ajudar promovendo palestra e treinamentos na área do cooperativismo, em seguida veio o Sebrae que nos incluiu no projeto de madeira e móveis de Rio Branco, aí é que a gente teve de estudar porque tinha muita coisa para aprender de que as coisas dessem certo. Veio a Sescoop, a prefeitura, o governo do Estado e o Senai, cada um ajudando no que podia e assim nós vivemos estes últimos três anos”.

Através dos cursos aprenderam a trabalhar e a pensar cooperativamente, a gerenciar melhor suas compras, a entrada e saída de dinheiro e estoques, melhoraram a qualidade dos móveis produzidos e aprenderam a calcular o preço justo para cada peça. Conheceram novas técnicas de acabamento, até alugaram o galpão da antiga Madeireira Yumi, no Distrito Industrial, para montar ali sua linha de produção industrial organizando as máquinas de onze associados para produzirem juntos.

Mais ajuda

A fim de prepara-los para esta nova fase, a Agência de Desenvolvimento da Amazônia, em parceria com a prefeitura de Rio Branco, o Sebrae e o Senai ofereceram uma capacitação em gestão empresarial e sobre a organização de produção industrial de peças em série para todos os donos de marcenaria associados à cooperativa.

Depois, 15 membros da Associação de Mulheres do Mocinha Magalhães receberam curso sobre a aplicação de fibras naturais e sementes na floresta em móveis que logo começarão a ser produzidos pela cooperativa. Mais 48 jovens que já trabalhavam nas marcenarias cooperadas também receberam treinamento para melhorar a qualidade de seus serviços, inclusive orientações sobre o uso dos equipamentos de proteção individual.

“O Senai contratou e colocou o Sávio Pagano, especialista na criação de dispositivos que agilizem e garanta segurança na hora de produzir as peças, para trabalhar aqui com a gente. O Banco do Brasil está liberando através do programa de Desenvolvimento Regional Sustentável, um financiamento de R$ 10 mil em capital de giro, mais R$ 10 mil para a compra de equipamentos para cada um dos associados envolvidos neste projeto. Está liberando outro financiamento coletivo para nossa cooperativa que chegou até aqui por causa do nosso esforço e a colaboração de muitas outras pessoas e entidades”, reconhece Raimundo.

Durante o período de serragem da madeira e montagem final dos equipamentos chegaram a ter 20 pessoas trabalhando no galpão, agora estão apenas 15, a maioria dos profissionais ainda mantêm suas marcenarias funcionando em casa ou locais alugados, mas o plano da cooperativa é transferir todos eles para dentro do Distrito Industrial, cumprindo as exigências do Imac e da prefeitura.

“Antes de formar a cooperativa, todos nós éramos informais e os poucos que tinham firma registrada estavam inadimplentes, o que é o mesmo que não ter. Então a gente trabalhava assustado, hoje estamos legalizados, fizemos acordos com a prefeitura e Imac, estamos organizando as coisas, mas não temos recurso para fazer tudo de uma só vez, mas boa vontade não falta”.

Imprevistos

Quando compraram a madeira os moveleiros não imaginavam que os cupins e outras pragas da biodiversidade Amazônica estivessem trabalhando tão rapidamente para furar, manchar e apodrecer parte das madeiras cortadas há um ano e deixada sob as árvores do bosque reflorestado. “Quando a gente começou a serrar é que vimos o problema, precisávamos serrar mais de cinco metros cúbicos de tora para conseguir um metro de madeira que servisse para produzir móveis, foi um trabalho medonho, mas nós conseguimos. Agora compramos um novo lote de madeira recém cortada e já não vamos sofrer com isso, até porque com a ajuda de nossos parceiros a gente tem vencido problemas muito maiores que esse”.

 

E x p e d i e n t e :
Textos publicados nesta página são de responsabilidade da Unidade de Comunicação e Marketing do Sebrae no Acre - Jornalista Responsável: Vanessa França (Registro Profissional: 3280 L-14F-89 DRT/PE) vanessa@ac.sebrae.com.br - fotos: Evandro Souza e Claudwilson Diogenes. Colaboradores: Juracy Xangai e Sandra Assunção. Sugestões, comentários e-mail para ascom@ac.sebrae.com.br

 

 
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Rio Branco-AC, 24 de junho de 2007
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