OPINIÃO
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Romerito Aquino *

 

Prêmio Basa enriquece a Amazônia

Estive na terça-feira, dia 22, assistindo em Brasília, no centro de convenções do Hotel Blue Tree Park, a toda a cerimônia do Prêmio “Empreendedorismo Consciente”, lançado pelo Banco da Amazônia (Basa) há dois anos para estimular em todo o mundo o surgimento de idéias sobre o que fazer na Amazônia nos próximos anos em termos de empreendimentos sustentáveis.

Confesso que fiquei entusiasmado e muito animado com o que vi em termos da qualidade das propostas recebidas pelo Basa para implementação na região da maior floresta tropical do planeta. Foram apresentados mais de 350 projetos dos mais variados assuntos, todos propondo as mais diversas alternativas para desenvolver de forma sustentável essa região tão rica, gerando renda e empregos para um povo ainda tão pobre.

São projetos ricos em idéias, em ações e em empreendimentos que vão do desenvolvimento do ecoturismo, da criação de animais silvestres até à produção de flores, água, frutos, sementes, cosméticos e de outras matérias primas nutritivas, exóticas e exuberantes que só a Amazônia pode oferecer no mundo.

Depois de conhecer detalhes de alguns desses projetos, me veio à mente a hipótese de vermos instaladas no futuro na Amazônia várias Finlândias, que é um dos países mais prósperos da Europa. Que tem um povo rico vivendo de uma floresta homogênea, bem menor, por exemplo, do que os 14 milhões de hectares de floresta heterogênea, com os mais elevados níveis mundiais de biodiversidade, de que dispõe hoje o Estado do Acre.

Também me passou pela cabeça a hipótese de um dia os governos e a sociedade brasileira despertarem para a importância do tesouro que dispõem e que é inigualável no mundo. De perceberem que queimando, derrubando e devastando essa floresta estão perdendo riquezas inimagináveis e deixando de produzir no futuro bens, serviços e medicamentos essenciais para si mesma e para toda a humanidade.

Mas o Banco da Amazônia está de parabéns pela iniciativa, que deve e pode se desdobrar em centenas de empreendimentos sustentáveis na região, com a participação de empresários, governos e toda a população amazônica. Como muito bem destacaram o ministro da Integração Nacional, Pedro Brito, e o presidente do Basa, Mâncio Lima Cordeiro, a importância do banco responsável pelo desenvolvimento desta promissora região do país não deve mais ser medida pelos lucros ou os grandes números de seu desempenho financeiro. Mas pelo que pode fazer para investir e para atrair empreendedores conscientes do papel que a região pode desempenhar no contexto nacional e mundial.

Vale registrar que o prêmio lançado pelo Basa serviu também para abater um pouco do passivo do descompromisso que a instituição manteve com a Amazônia nas últimas décadas, quando se preocupou apenas em financiar os mais variados tipos de projetos, muitos deles inviáveis e com pouco retorno, sem se importar com o meio ambiente e muito menos com o povo pobre da região. Agora, como diz o acreano Mâncio Lima, o banco tem critérios claros e definidos para aprovar projetos que são medidos prioritariamente pela não agressão ao meio ambiente amazônico e pela geração de renda e emprego em favor de sua população carente.

Os projetos apresentados ao Basa por pensadores do Brasil e de quase todo o mundo, inclusive do Japão, me encantaram verdadeiramente porque, além de serem sustentáveis, ampliam o horizonte de salvação da Amazônia, que em parte deve ser preservada através de unidades de conservação, de uso no máximo científico, mas em parte deve ser explorada sustentavelmente para geração de riqueza em favor dos povos da floresta e do Brasil como um todo. Desse modo, esses mesmos povos, como eternos guardiões da floresta que são, se credenciarão ainda mais para protegê-la das queimadas e dos desmatamentos dos que para lá vão atrás apenas do lucro fácil e rápido.

De resto, fica apenas a torcida para que essas idéias e esses projetos, agora apresentados no prêmio do Basa, de forma tão rica e tão promissora, sejam incorporados por políticas públicas sérias, abrangentes e eficazes que venham um dia serem executadas em favor da Amazônia por algum governo no Brasil.

* Jornalista acreano, editor da Agência Kaxiana

 

 
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Rio Branco-AC, 24 de agosto de 2006
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