| COTIDIANO | |
Um bairro esquecido por todos Mato, violência e esgotos compõem o cartão-postal do abandono que entristece a comunidade do Taquari |
![]() A placa de “vende-se” na maioria das casas indica a tendência de fugir do abandono |
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A maioria das ruas do bairro é de terra e as valas de esgoto são presença constante nas portas das casas simples de madeira. Muitas vias foram completamente tomadas pelo mato, enquanto outras viraram caminhos estreitos. Nesse cenário, centenas de famílias humildes dividem as dificuldades e sobrevivem da esperança de dias melhores. “A rotina de quem mora no bairro Taquari é esperar que alguém, algum dia, se lembre que aqui moram pessoas que merecem o respeito da sociedade e do poder público. Não somos melhores, inferiores ou diferentes de ninguém. Somos iguais”, reclamou o vigia Fabiano Evangelista, morador da rua Baixa Verde há seis anos. A dona de casa Suzana Rodrigues, moradora da mesma rua, também reclama do abandono, mas disse que mantém a esperança na próxima administração do município. “Esperamos essa mudança atenda às nossas necessidades com mais eficiência. Chega de promessas esquecidas”, ressaltou. Tanto ela quanto o vigia Fabiano utilizam uma ponte de madeira, construída pelos próprios moradores, para chegar até a rua Baguari. O fato é que a passarela está deteriorada e prestes a cair. “A madeira apodreceu com o tempo e certamente não vai agüentar mais um inverno. De noite não há iluminação e todos, inclusive crianças, têm que se utilizar dela”, lembrou Fabiano. Viciados se drogam nos quintais dos moradores A ponte de madeira que dá acesso à rua Baguari, no Taquari é o ponto de encontro dos traficantes que se multiplicam no local. À noite, segundo os moradores eles se reúnem para vender drogas e os viciados invadem os terrenos das famílias para consumir o produto. “A gente não fica com tanto medo quando se trata de rostos conhecidos, mas perdemos o sono totalmente quando nossos quintais são invadidos por estranhos”, lembrou uma moradora que não terá o nome citado para evitar represálias por parte dos bandidos. O bairro Taquari, de acordo com os moradores, está entre os mais perigosos de Rio Branco no que diz respeito à violência e tráfico de entorpecentes. No entanto, eles próprios garantem que a comunidade é formada por pessoas humildes, que tentam educar seus filhos de forma correta e longe da marginalidade. “Não é fácil convencer nossos filhos de um futuro melhor diante das dificuldades que enfrentamos todos os dias”, completou a moradora. Esgoto e mau-cheiro A dona de casa Edileuda Braga Ferreira, tem três filhos e teme pela saúde deles. Ela aponta para uma vala de esgoto que correm em frente da sua casa e reclama do mau-cheiro que invade o ambiente. “Isso aqui nunca seca, e no período invernoso a situação piora porque essa água suja invade os quintais e entra nas residências”, reclamou. Edileuda disse ainda que as crianças do bairro costumam contrair micoses por causa da água e que é difícil manter a higiene da casa diante da situação. “A gente limpa e o mau-cheiro do esgoto trás sempre a sensação de sujeira. Também tenho dificuldade em manter meus filhos longe da rua. O certo seria termos áreas de lazer para as crianças”, acrescentou ela. Rua do Brejo A rua próxima à travessa da Palha ganhou o nome de “Rua do Brejo” porque, segundo os moradores, abriga muitos sapos. A dona de casa Maria de Fátima Alves de Oliveira disse que precisou aterrar seu quintal com areia para evitar a umidade que lhe incomodava. “O matagal que tomou conta dessa rua abriga tudo quanto é animal peçonhento e somente um trabalho de pavimentação poderia resolver o problema”, lembrou. Fátima disse que são os próprios moradores que fazem a limpeza, quando se cansam de esperar pela prefeitura. Ela mostra que embaixo do capim existe lixo e água contaminada. “É essa água preta que invade os nossos quintais quando chove. Dependendo da intensidade da chuva ela chega trazendo cobras e outros bichos que colocam a vida das nossas crianças em risco. É bom que o poder público saiba que ainda estamos aqui, e que aqui esperamos para sermos beneficiados com infra-estrutura”, concluiu. |
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