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Criatividade ajuda a fugir da crise Tacho de pneu: útil e criativo, produto sustenta famílias na periferia de Rio Branco |
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A socialização do conhecimento mantém e assegura a continuidade de vários pequenos empreendimentos que garantem o sustento de dezenas de famílias em Rio Branco. Antonio Souza dos Santos tem 34 anos e há nove aprendeu o ofício de “tacheiro” com um baiano que teve breve passagem pelo Acre e recebe regularmente a ajuda dos filhos, a quem vem ensinando o serviço. Os tachos são produzidos com pneu velho e a atividade sofre severa fiscalização da Vigilância Epidemiológica por causa da dengue, cujo mosquito vetor encontra nos pneus o “ninho” ideal para botar seus milhares de ovos. “Assim, não posso manter estoque de pneu aqui em casa”, lamenta Souza, reconhecendo em seguida a necessidade da medida. Para fazer os tachos, Souza usa apenas uma faca afiada para cortar o pneu. Depois, aplica uma tábua revestida de borracha de câmara de ar. A matéria-prima do tacho é conseguida de graça numa borracharia da cidade. “É um amigo meu que me passa os pneus sem cobrar nada”, lembra Souza. Com isso, o tacheiro consegue comercializar seus produtos a preços um pouco menores que os outros profissionais. Ele estima que há pelo menos quatro outras fábricas similares à sua na capital. BOM NEGÓCIO – Souza produz e vende tacho todos os dias. Só não tem como trabalhar quando amanhece chovendo. Fabrica entre três e quatro vasilhas pequenas e grandes ao dia, mas se tivesse como estocar pneu faria mais dez. Além da impossibilidade de guardar a matéria-prima, os pneus doados são radiais, menos procurados que os de borracha pura. Tanto para buscar os pneus quanto para comercializar o produto pronto, Souza usa uma velha bicicleta cargueira, comprada – como tudo o que Souza possui – com o dinheiro amealhado na fabricação de tachos. Com ela, percorre os bairros mais distantes, levando a vasilha para as famílias que mais precisam dela, sempre com preço camarada. “A pequena é cinco reais e a grande, dez”, informa. Em pequenos comércios da periferia, o mesmo tacho é vendido a R$15. Com a renda, que em muitos meses ultrapassa R$1 mil por mês, Souza sustenta mulher e três filhos. A esposa vende produtos cosméticos para complementar o rendimento de Souza, que não é muito estável. “ Mas, graças a Deus, todo os dias faço e vendo pneus”, diz, lembrando que é nas invasões da periferia seu maior nicho comercial. Entre as classes mais favorecidas financeiramente, o comércio é complicado porque os moradores não vêem muita utilidade no tacho. Os mais carentes o usam para tudo –desde lavar roupas, crianças até carregar bugingangas para vender nas ruas. |
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