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Romerito Aquino |
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Zico Bronzeado Zico debita vitória do PT à melhoria da qualidade de vida do acreano Depois de comandar a vitória expressiva da Frente Popular no Vale do Acre, deputado aposta em outra vitória do PT em 2006
Foi esse exemplo, de substancial melhoria de qualidade de vida, que o deputado federal Zico Bronzeado (PT-AC) usou para explicar a vitória expressiva que comandou nas últimas eleições municipais do Vale do Acre, onde a Frente Popular elegeu três dos quatro prefeitos da região, resultando num índice de aprovação de 75% da preferência de seu eleitorado. Elegendo a petista Leila Galvão em Brasiléia, reelegendo o também petista Manoel Araújo em Assis Brasil e ajudando a consolidar a vitória de José Ronaldo, do PSB, em Epitaciolândia, Zico Bronzeado atribui essas vitórias principalmente à infra-estrutura de produção e às ações sociais desenvolvidas pelo governo Jorge Viana na sua região de origem. “Essas ações é que levaram pessoas como o colono do Ramal 18 a continuarem apostando na proposta do PT e de seus aliados, que querem o bem-estar de toda a população acreana”, resume o deputado. A única derrota da Frente, ocorrida em Xapuri, o deputado debita a dificuldades que os companheiros da Frente no município encontraram para mostrar, ao crítico eleitor xapuriense, as realizações dos oito anos de mandato. Como um dos principais vitoriosos nas últimas eleições, o deputado Zico Bronzeado é o primeiro da bancada federal acreana que o Página 20 entrevista para falar sobre o significado que terão os resultados eleitorais para o futuro do Acre e de sua população. Nas próximas edições, serão entrevistados outros parlamentares da bancada federal, que, na opinião de Bronzeado, também saiu fortalecida para continuar conquistando mais recursos federais junto ao governo Lula para a melhoria da qualidade de vida “não só nas colônias, mas em todos os lugares onde habitem trabalhadores no Acre”. Quais foram, no seu entender, as razões da vitória significativa da Frente Popular no Vale do Acre? Foi um conjunto de fatores. Das novas lideranças que surgiram nos municípios até os investimentos importantes que foram feitos ali pelo governo Jorge Viana com o apoio do governo federal. Isso tudo resultou na confiança que o povo tem do quadro político da região. Além disso, os nossos acertos foram maiores do que os nossos erros. Esse é um dos pontos positivos para se ganhar uma eleição: errar menos do que os adversários. Tivemos a capacidade de errar pouco. O fato de o senhor estar sempre em contato com suas bases no Vale do Acre também contribuiu para essa vitória? Na verdade, não deixei de ser ainda uma liderança local. Sou muito enraizado na minha região. Inclusive, nas eleições, eu passei 60 dias diretos no Alto Acre pedindo voto para a Leila, o Zé Ronaldo, o Manoelzinho e o Raimundão. O povo quer ver de perto as lideranças que ele colocou, quer discutir com elas os problemas da cidade, do Estado. A vitória no Vale do Acre também não reflete uma aposta do povo ao projeto do atual governo do Estado? Sem dúvida alguma. O Acre está passando por mudanças positivas. Às vezes, o resultado de uma eleição é uma mudança. E aí o povo espera que essas mudanças possam vir acompanhadas de algumas realizações positivas. E isso aconteceu com o governo Jorge Viana. No Vale do Acre, particularmente, aconteceram mudanças muito positivas e obras importantes a partir da eleição do Jorge Viana para o governo. Que mudanças foram estas? Falo da questão da infra-estrutura, tanto no meio rural quanto na área urbana. Houve melhoramento das principais ruas e avenidas das cidades, houve melhoria na educação, na saúde e na segurança pública. Teve maior oferta de energia, principalmente no campo, com o programa Luz para Todos, do governo federal. Isso fez com que a gente pudesse mostrar para o eleitor que os tempos mudaram e mudaram com coisas fortes e significativas. O resultado eleitoral debita responsabilidade ainda maior ao atual governo do PT e de seus aliados? O PT e os partidos aliados têm a missão de continuar tocando os investimentos tanto a nível das prefeituras, quanto aqueles executados em parceria com o governo federal e o governo do Estado. Sabemos que passamos, em 2003, por um ano de organização e de recessão, mas a promessa hoje do presidente Lula é de abrir um pouco mais as torneiras dos investimentos. Quais as razões da derrota em Xapuri, onde o PT vinha comandando há oitos anos a administração do município? Acredito que em Xapuri, diferente de outros municípios, houve uma situação política que a gente ainda não compreende, pois deixamos de ganhar com um cidadão como o Raimundo Barros, experiente na política, uma pessoa carismática, de uma índole invejável e indiscutível. E o povo optou por uma pessoa que tem um comportamento desagradável socialmente, que não combina com o comportamento que uma autoridade deve ter, com problemas na Justiça e na polícia. O que vai acontecer com Xapuri a partir dessa derrota do PT? Acredito que as políticas públicas do governo federal e do governo do Estado vão continuar ocorrendo no município independente da prefeitura. Agora, é preciso haver o interesse e uma demonstração de honestidade por parte do prefeito eleito em todos os campos, seja no político, no administrativo, no pessoal. Será preciso haver uma avaliação de comportamento dele. Ou seja, se o prefeito não se comportar eticamente, os governos do Estado e o federal vão fazer investimentos diretos no município? Sem dúvida alguma. Eu, por exemplo, como deputado federal, não vou deixar nunca de ajudar Xapuri, ou de forma direta ou indireta, via governo do Estado, cooperativas, sindicatos. Não vamos deixar a população padecer por eventuais omissões. Ficou mais fácil, então, para o governo do PT tocar seu projeto de desenvolvimento sustentável para o Estado? O PT saiu de sete prefeituras para dez e mais duas aliadas. Só para você ter uma idéia: na eleição de Xapuri, o eleitor não votou contra o governo do Estado, mas sim contra a administração local. Com o resultado das urnas, o governo Jorge Viana e a Frente Popular se fortaleceram no Estado. Tirando Cruzeiro do Sul, onde a diferença foi razoável, nos demais municípios onde a Frente Popular perdeu, as diferenças entre os candidatos foram pequenas. Acredito que o governo vai ter mais tranqüilidade para investir no Estado, vai ter também mais confiança, mais parceiros. E nós, da bancada federal, também vamos ter mais credibilidade em Brasília para lutar pelas prefeituras. Como fica a sucessão do governador Jorge Viana dentro da Frente Popular? Além de termos quadros para a sucessão, o próprio governador Jorge Viana permitiu que isso acontecesse. Ele só conseguiu fazer esse trabalho que está realizando hoje no Estado com a ajuda de uma boa bancada de parlamentares estaduais e de uma boa uma bancada de parlamentares federais. Isso ajudou a fortalecer as lideranças que estão ao redor do governador. Quais os nomes que podem se credenciar para suceder Jorge Viana? Se for para citar nomes, nós temos hoje uma ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, que, antes de ser ministra, era uma senadora internacional, incluída entre as mulheres mais importantes do mundo. Tem também o senador Tião Viana, que é outro bom nome para o governo. Há, ainda, o vice-governador Arnóbio Marques. Também há os deputados estaduais com perfil adequado e cito aqui o deputado Ronald Polanco como um dos possíveis nomes, que tem uma história de luta, junto com o governador Jorge Viana, em favor do desenvolvimento sustentável e da questão florestal do Estado. Há risco de a Frente Popular perder o governo em 2006? Só se houver um acúmulo de erros, como houve em governos passados. Mas acredito que, a cada dia, o governador Jorge Viana se preocupa com o futuro do Estado. E, com essa preocupação do governador, acho muito difícil que haja erros que impeçam de continuar o projeto que a Frente Popular definiu para o nosso Estado. |
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