OPINIÃO
   CRÔNICA DE DOMINGO

Florentina Esteves *

 

Futurismo

Nem mesmo sendo adivinho pode-se prever o que nos reserva o futuro, nestes tempos de computador, televisão, controle remoto, internet, impressão digital, o diabo a quatro. Não é que nos falte imaginação, e que de tal forma se acelera o progresso, que tudo pode acontecer e nada nos surpreenderia mais. Com naturalidade, tocamos um botão e o “milagre acontece”. Também com naturalidade, tomamos um avião e, pouco tempo depois, chegamos a nosso destino. Ou o homem é levado por um foguete espacial, à lua, a Marte ou a algum outro planeta. E, enquanto isso, será que ele fica a lembrar de seus antepassados da idade da pedra, quando o homem andava de quatro, como os macacos? E que depois veio o “homo erectust” até, milhares de anos após, ele domesticar o cavalo e ter sua montaria a levá-lo mais depressa e com menos cansaço a seu destino? Da montaria houve a evolução para os carros e carruagens, após a invenção da roda, é óbvio. Daí para o motor que impulsiona os carros de hoje, e nos oferece a velocidade e o conforto de um trajeto rapidamente vencido. Que virá agora? Um carro célere, capaz de chegar a seu destino sem os entraves dos engarrafamentos? Ou um avião super-sônico que nos transporte em minutos a qualquer continente? A par disso, certamente, a medicina terá recursos para evitar-nos o mal-estar do excesso de velocidade e da mudança de altitude. E o incrível estará acontecendo a um ser humano, certamente preparado para gozar dos avanços do progresso.

Será que já paramos para pensar no quase inacreditável que é a televisão? Que tecnologia nos traz a imagem acontecida à distâncias quilométricas, a voz, o som? Quando inventaram o cinema, já era a maravilha, a sétima arte ver-se a imagem em movimento, em preto e branco, gravada alhures. Depois, além da imagem do cinema mudo, veio o som. Daí evolui para a terceira dimensão (a perfeição da imagem projetada) e agora já em cores. Aonde chegaremos?

Aonde chegaremos se já podemos ver a imagem de com quem e estamos falando pelo telefone celular? E é preciso lembrar a maravilha que foi dom Pedro inaugurar aquele primeiro telefone à manivela, que passava através da telefonista, nossa voz nem tão claramente ouvida? E hoje, o telefone convencional, oferece-nos maravilhas de tecnologia. Com um simples toque de botão, repete-se o número. Ou temos como saber quem nos chama. Ou mil e um artifícios.

Mas voltemos ao telefone celular e antecipemos o que ele nos promete, conforme artigo que lemos numa revista. É como lá se diz: “em pouco tempo, falar no celular será apenas um detalhe”. Digitar, ver e ouvir no celular — esta é a tendência. Então mais uma maravilha vem a caminho e, note-se, será apenas uma etapa, um estágio do que virá pela frente. Que nos promete o futuro? Promete o entretenimento da música. Será que o celular aposentará o rádio, o toca-discos, o DVD? Pois se ele, por enquanto, oferece-nos ouvir a música de nossa preferência! E não mais umas pouquinhas. A maior versão do aparelho transmissor oferece-nos até dez mil músicas. Como diz a reportagem da revista, “o bastante para que o navegador Amyr Klink, dormindo oito horas por dia, desse a volta ao mundo sem ouvir a mesma faixa mais que duas vezes”. E então, a partir daí, aonde chegaremos? Ao vídeo? Já se pode gravar assistir vídeo pelo celular. A experiência de TV em tempo real pelo celular? Sim. Já é fato.

Maravilhas da tecnologia. Quantas outras logo virão por aí a nos deleitar e a nos oferecer conforto? Qual será o futuro da comunicação? Será através do computador?

Não sou versada em computadores. Aliás, nem sei mexer neles, e por conta disso já quase virei peça de museu. Pois no outro dia uma repórter queria me entrevistar, porque ainda uso máquina de escrever. Raridade... E quando escrevo cartas, o destinatário, discretamente, me pergunta se não tenho nem uso computador, para enviar o tal de E-mail (é assim que se escreve?). Sim, nada sei de computador, a não ser que ele nos oferece as facilidades da tecnologia, e nos comunicarmos com qualquer país do mundo, via internet, visitar museus, países, ler jornais, etc., etc., etc. Se não tenho vontade de me iniciar na computação? Sim, tenho. Até já comprei um computador, que dei de presente ao filho de minha empregada, com a intenção de ele me ensinar a mexer na tal máquina. E cadê? Sempre invento uma desculpa para deixar pra depois. Mas juro, juro, que vou aprender. Me aguardem.

* Professora e Escritora

 

 
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Rio Branco-AC, 24 de outubro de 2004
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