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Cosmo Palasio de Moraes Jr * |
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Por um pouco de esperança Anda difícil saber onde anda a vida. Por toda parte as pessoas estão no automático, fazendo o que podem, deixando de lado o brilho para tentarem ao menos seguir adiante. Quanta tolice viver assim – trocar dias do divino direito de ser – por minutos que mal passam dentro do mundo permitido. Concordar com tudo e todos em troca de pratos frios de comida, abrir mão da possibilidade para morrer dia após dia diante do que deixam ser. Anda difícil encontrar felicidade – por Deus – ate quando vamos rir apenas por algumas pobres alegrias – e dizer que é destino o que deveria chamar omissão – e permitir que seja verdade tanta coisa que nada mais é do que a realidade mal definida por alguns mais espertos. E eu que presto atenção fico querendo saber para onde a vida se foi. Não me iludo com as coisas que possa vir a ter – não acho que coisas possam fazer da minha alma algo melhor.Por isso insisto em não perder de vista as frestas por onde ainda chegam luz e me dou ao trabalho de dia após dia estar atento as pequenas coisas da vida, aos pequenos sinais – na minha forma de ver – no jeito que Deus quer dizer aos homens que há um depois – que o futuro talvez não seja mais do que um retorno. E foi assim que dia destes um fato me chamou a atenção. Não veio pela TV, não chegou pelo jornal e nem mesmo alguém da vizinhança que me contou: Foi mesmo o hábito de garimpar sinais de que ainda há vida. Estava ali em plena rodovia, no conforto do carro e vendo os homens com suas bigas modernas vivendo a competição que não leva a nada. Logo a frente uma pilha de pedaços de pneus – destas recapagens que fazem em pneus de caminhão por todo caminho – colocava em risco a segurança de todos. De repente, do acostamento um destes indigentes que vivem caminhando as margens das rodovias vendo o perigo não pensou duas vezes e entrou em meio ao asfalto para retirar os pedaços de pneus. Eu olhei bem aquele homem – sem roupas limpas, com cabelo enorme, sujo – desligado de todas as coisas importantes que movem a maioria das vidas. Ele olhou na minha direção – com o caro parado próximo e apenas sorriu. Ali estava a vida ! Quero sempre reaprendrer e deixar de lado as coisas que me dizem ser importantes para quem sabe passar assim a entender os segredos da vida. Quero mais do que aprender – continuar acreditando que a vida segue sim mesmo que guardada em lugares onde podemos não ver mais. Ainda há esperança. * Escritor |
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