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POLÍTICA

Edvaldo analisa eleição municipal

Para deputado, unidade da Frente Popular foi fundamental para a vitória de Angelim e o crescimento de seu partido

Marcos Vicentti
Edvaldo Magalhães diz que PC do B
é o segundo maior partido do Estado


O deputado Edvaldo Magalhães, presidente do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), líder do governo na Aleac, foi uma das pessoas que esteve sempre ao lado do prefeito eleito Raimundo Angelim durante toda a campanha deste ano. Atuou de forma decisiva para garantir a união da Frente Popular. Seu partido foi o que mais cresceu, fez 22 vereadores em todo o Estado, três destes em Rio Branco. Elegeu também o vice-prefeito da capital, o médico Eduardo Farias.

Por toda a sua participação política nesse processo, Magalhães considera que a Frente Popular está cada vez mais unida e que essa união foi fundamental para a eleição de Raimundo Angelim. Na sexta-feira, antes de viajar para o Vale do Juruá, onde deve passar alguns dias visitando a Serra do Moa, ele concedeu uma entrevista ao Página 20, onde fala de todo o processo, da transição municipal e, principalmente, do crescimento do seu partido. Veja a seguir os tópicos principais da entrevista.

A virada nas pesquisas

Edvaldo Magalhães afirma que o que consolidou a candidatura de Raimundo Angelim no seio da população e o que fez a mudança nas pesquisas foi, na verdade, um conjunto de fatores. O primeiro deles teria sido a unidade da Frente Popular. Ele diz que “Angelim não apenas ganhou as eleições, ele teve a vitória mais alargada dos últimos 12 anos na capital”. O fator numero foi a unidade da Frente Popular. Diz que a ausência dessa unidade tirou a vitória do Angelim na eleição passada. E sita o caso do PMN, que nas eleições de 2000 não fazia parte da Frente. Teria sido essa unidade que garantiu a maturidade política para encontrar as soluções para reverter o quadro quando Angelim se encontrava atrás de Marcio Bittar nas pesquisas. O nível de fidelidade se manteve alto, apesar de algumas traições e posturas equivocadas. Ao contrário da Frente Popular, os opositores de Angelim foram frágeis nesse sentido.

O segundo fator teria sido o preparo demonstrado por Angelim. “O Angelim demonstrou um nível de conhecimento da realidade da cidade, dos problemas dos nossos bairros, dos principais problemas da cidade que nem um outro candidato tinha”, disse Magalhães. Segundo ele, quando foram estabelecidos os debates mais profundos de televisão, a população pode perceber a diferença gritante entre os candidatos, preferindo optar por aquele mais preparado.

O terceiro fator foi a presença de um programa. “Nós fomos para a televisão, nos apresentamos na televisão, como aqueles que têm algo a propor para a cidade. Isso jogou muito o peso na reta final da campanha porque, na reta final da campanha, a maioria do eleitorado começa a consolidar o seu voto”, garante Edvaldo.

O quarto fator, segundo sua avaliação, teria sido um elemento óbvio, mas que foi fundamental: o nível de desgaste das forças conservadoras no Acre. De acordo com ele, essas forças estariam, cada vez mais em descrédito, dado a falta de propostas e aos antecedentes que têm frente a história política do Estado.

O crescimento do PC do B

O PC do B tem sido um dos principais aliados da Frente Popular, desde a sua formação. Nessas eleições o partido se consolidou como o segundo maior partido do Estado, segundo maior em número de filiados e também em nível organizacional, haja vista que está presente em todos os municípios acreanos. Em Rio Branco elegeu três vereadores e o vice-prefeito, Eduardo Farias. No interior elegeu 22 vereadores em todo o Estado, suplantando siglas que antes eram tidas como as maiores do Estado.

Edvaldo Magalhães garante que isso é fruto de uma estratégia que privilegiou o fortalecimento da Frente Popular. Ele diz que isso credenciou o partido para merecer a confiança dos eleitores que apostam no projeto político da Frente Popular para o Estado, refletindo-se em votos para os candidatos. “Nós conseguimos conquistar a confiança desse campo que vota na Frente Popular por conta da nossa postura de defesa desse projeto, que é um projeto que está fazendo bem para o Acre, fazendo bem para o nosso povo”, explica.

A transição na prefeitura

O processo de transição na prefeitura de Rio Branco traz novidades. Entre as novidades, a que vem recebendo mais elogios é a decisão tomada pelo prefeito eleito Raimundo Angelim, de privilegiar todos os partidos integrantes da Frente Popular. Edvaldo Magalhães fala que essa decisão vai priorizar não a discussão da distribuição de cargos, da partilha do poder, mas a situação em que se encontra a atual administração, que levantamentos pode se ter sem transformar tudo em um debate político, fazer uma radiografia administrativa e tratar isso de forma técnica, não de forma política, para que se possa, em cima desses dados, construir um planejamento para os primeiros 100 dias, o primeiro ano, os primeiros dois anos e até o final do governo. “Do ponto de vista político, essa decisão da participação de todos no processo de transição, mas sob o comando do prefeito, no meu ponto de vista, foi uma decisão acertadíssima”, elogia Edvaldo Magalhães que complementa: “do ponto de vista mais da composição política de futuro, a transição precisa não ter pressa. Acho que a composição do governo municipal precisa ser discutida de forma carinhosa pela Frente Popular”.

Prefeitura inoperante

“Quando você monta uma equipe que tem data marcada para sair, sem perspectiva de construir, eu acredito que você já começa a ter um processo errado”, diz Edvaldo Magalhães para justificar as falhas da atual administração municipal. Ele explica que isso aconteceu quando o prefeito eleito Flaviano Melo decidiu largar a prefeitura para concorrer ao governo do Estado. “Na medida que ele fez isso, destronou todo o processo administrativo, inclusive a administração do atual prefeito.”

A relação entre prefeitura e Câmara

Há dois aspectos fundamentais na relação prefeitura/Câmara de acordo com o deputados comunista. O primeiro é que a Câmara de Vereadores precisa reconquistar o seu respeito diante da população. Ele afirma que os comunistas, na Câmara, têm a responsabilidade política de construir as condições políticas para que a Câmara comece a ser respeitada pelo povo. Ele cita como exemplo a Assembléia. “Você pode questionar várias coisas de Assembléia, mas lá funciona, lá se debate as questões, lá tem democracia, lá não se atropela o processos. Lá você faz um debate político”, empolga-se.O segundo aspecto é, antes de se discutir quem vai ser o próximo presidente da Câmara, secretários e outros membros da mesa diretora, é preciso construir a base de sustentação da administração municipal. Raimundo Angelim já parte de uma situação favorável, onde nove dos 14 vereadores eleitos fazem parte da Frente Popular.

 
 
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Rio Branco-AC, 24 de outubro de 2004
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
   NA TRIBO
Com Roberta Lima
   PORONGA
Com Leonildo Rosas
   ANCELMO GÓIS
Com Ancelmo Góis
 
 
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