COTIDIANO

Estratégia de negócios

Acre Aves Alimentos Ltda., que reúne sócios do Acre e de outros Estados, amplia para 4,5 mil frangos o abate diário

Sérgio Valle/Secom
Governador Jorge Viana reúne-se
com empresários em Brasiléia


Edmilson Ferreira

A concorrência pública promovida pelo Estado permitiu a formação de uma parceria entre o governo e a iniciativa privada num dos investimentos mais importantes do plano de desenvolvimento sustentável do Acre, originando uma empresa registrada como Acre Aves Alimentos Ltda., gestora do abatedouro de frangos que está sendo construído na região de confluência da BR-317 com a Estrada da Borracha, em Xapuri.

Os gestores do projeto, ligados à Secretaria de Planejamento (Seplands), convidaram o empresário Carlos Eduardo Santoyo, um dos grandes especialistas no negócio de frango colonial, para prestar consultoria sobre o empreendimento. Santoyo decidiu tornar-se parceiro do abatedouro e atuará com sócios locais, como a cooperativa que reúne os produtores da região de Brasiléia, e empresários como Miguel Fernandes de Araújo, dono do Varejão Popular, um dos maiores supermercados de Rio Branco.

Além de expert no negócio, Santoyo é arrojado e há tempos foi o responsável pelo fantástico incremento nas vendas de uma empresa mineira de abate de frangos ao tomar a iniciativa de oferecer pratos prontos para diretores de grandes corporações do varejo, como a rede de supermercados Pão de Açucar. As degustações promovidas pessoalmente por Santoyo levaram ao reconhecimento da qualidade do frango de sua empresa. Faturamento e vendas foram alavancadas com essa medida simples e eficaz, colocando a firma como uma das maiores da América Latina.

Morador de Uberaba (MG) Santoyo agora está no Acre. No sábado passado, durante visita do governador Jorge Viana a Brasiléia, o empresário apresentou o novo plano de superação de obstáculos para fazer da Acre Aves um empreendimento viável. Da idéia original (que versava fundamentalmente da produção de frango colonial) mudou praticamente tudo. A espécie semi-caipira dará lugar a uma ave criada no sistema intensivo, à base de ração balanceada, buscando sair de uma produção pequena (calculava-se em 500 aves/dia) para o abate diário de 4,5 mil frangos nesta primeira fase.

Caipirão também - O frango colonial, o caipirão, não será esquecido, entretanto. Essa espécie é criada no sistema semi-intensivo, em que a ave passa algum tempo em cativeiro e outro solto, pastando à campo. A meta é que a produção de colonial cresça ao longo do tempo nos negócios do abatedouro.

Na etapa inicial da formação de criadores de caipirão, cada produtor recebeu um lote que variou de 120 a 500 aves de uma das quatro variedades em teste. As variedades são a 041 desenvolvida pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) a Paraíso Pedrês, o Caipirão tropical e Label Rouge. Os produtores também recebem do governo a ração, insumos como vacinas e equipamentos como comedouros e bebedouros. Os melhores resultados estão sendo sendo obtidos com o Caipirão Tropical, a Label Rouge e a 041.

Os principais gargalos estão relacionados à estrutura das granjas. Os viveiros têm de ter a condição arquitetônica adequada, situação de higiene irrepreensível, água e ração de qualidade. Outra questão, apontou Santoyo, é o gargalo fiscal. O secretário de Planejamento, Gilberto Siqueira, disse que as soluções apontadas por Santoyo estão sendo obedecidas.

De sua parte, o empresário investirá R$400 mil no projeto. O Governo do Acre já aplicou R$5 milhões. Imediatamente, há 107 produtores integrados ao negócio.

A fábrica de ração produzirá 12 toneladas ao dia, sendo que o complexo de abate envolverá 50 funcionários nesta primeira etapa. Na fase 4, que será consolidada ao longo do tempo, segundo expôs Santoyo, pelo menos duzentas pessoas serão recrutadas para o frigorífico abatendo 50 mil aves ao dia. Nessa fase, 2.000 famílias estarão diretamente envolvidas com o negócio.

Já existem possibilidades de contratos com redes do varejo, segundo informou Santoyo. Os mercados do Peru e da Bolívia estão nos planos imediatos do frigorífico.

“Vamos sair de meros consumidores para produtores”, comemora Jorge Viana

O governador mantém a proposta de que o Acre não pode ser simples consumidor ou exportador de matéria-prima mas vendedor de produtos de alto valor agregado. Jorge Viana gostou da exposição feita por Santoyo, aprovou as sugestões e a logomarca da Acre Aves, cujo apelo é significativo para o contexto de consumo atual. É possível afirmar que o frango acreano, apesar do sistema intensivo de sua criação, é quase orgânico.

Na reunião realizada em Brasiléia participaram, além de Miguel do Varejão, o empresário Fernando Parisi e vários pequenos produtores ligados à cooperativa sócia do frigorífico.

“Estou contente porque queremos sair da situação de meros consumidores para grandes produtores”, disse Jorge Viana. “Esta região vai dar um passo muito importante agora”. Ao final da exposição, Santoyo ressaltou o caráter empreendedor de Viana, afirmando que não fosse a ousadia do projeto e o fomento do Estado negociante algum se arriscaria no negócio.

 

 
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Rio Branco-AC, 24 de outubro de 2006
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