COTIDIANO

Comunidade se une para construir balsa no rio Acre

 


Um exemplo de união de forças entre os membros de uma comunidade rural para resolver um problema que há anos esperava por uma solução por parte do poder público. Assim começa a história da “Balsa Manoel Bezerra”, inaugurada no último sábado, dia 21, pela Associação dos Produtores Rurais do Projeto Moreno Maia, localizado na margem direita do rio Acre em Rio Branco. O nome da balsa é uma homenagem ao agricultor Manoel Bezerra, falecido em agosto, que ajudou na construção.

Uma economia de tempo na viagem entre o Projeto Moreno Maia e o centro da cidade, a falta de boas condições de tráfego nos ramais e os problemas constantes nas pontes da região, especialmente a do Riozinho do Rola, obrigavam os agricultores a buscarem alternativas para facilitar o escoamento da produção e o transporte de alunos. “O acesso pela Transacreana e Ramal do Riozinho é complicado e tem mais 60 quilômetros para chegar à beira do rio e mesmo assim só é possível no verão”, informa Francisco Belo (Piaba), um dos líderes da comunidade.

A solução para encurtar distâncias e facilitar o acesso ao Projeto Moreno Maia seria uma balsa para atravessar o Rio Acre nas proximidades do chamado Cemitério Plácido de Castro, localizado no Projeto Benfica. Além de servir para a travessia de veículos de transporte para a produção agrícola, a balsa servirá também para o deslocamento de professores e alunos. Com 12 metros de comprimento por 6 de largura, a Balsa Manoel Bezerra tem capacidade máxima de 30 toneladas.

A idéia de construir uma balsa em madeira, matéria-prima farta na região, foi do agricultor Piaba, que logo foi abraçada pela comunidade. A construção foi iniciada há 5 meses e envolveu os esforços de mais de 150 pessoas em regime de mutirão. “Todos ajudavam de alguma maneira, seja através de um quilo de prego, combustível, madeira, estopa, transportando em carros-de-boi, serrando a madeira, com alimentos ou simplesmente emprestando sua mão-de-obra”, explica Piaba.

Mas o projeto contou com duas e importantes ajudas externas. Uma delas, veio do Senador Geraldo Mesquita Jr. (PMDB) que, sensibilizado com a idéia e com a união dos agricultores, fez a doação de 20kg de pregos e 250 litros de combustível, utilizado para serrar a madeira utilizada na construção. “O esforço dessa comunidade é contagiante e nossa ajuda é quase insignificante se comparada à dedicação de cada um desses agricultores envolvidos no projeto; este é um belo exemplo a ser seguido por outras comunidades ribeirinhas”, destaca o Senador Geraldo Mesquita.

Ao finalizar a construção da balsa, os agricultores do Projeto Moreno Maia receberam uma importante ajuda do Deracre, que iniciou a construção de um porto nas duas margens do Rio Acre, nas proximidades do Cemitério Plácido de Castro. “As comunidades do Moreno Maia e do Benfica são gratas à ajuda dispensada pela direção do Deracre e pelo Senador Geraldinho à nossa causa”, comemora o agricultor Piaba.

Embora já esteja inaugurada desde o dia 21, a Balsa Manoel Bezerra necessita ainda da instalação de um motor marítimo para impulsioná-la. Mas este será um novo desafio que as comunidades esperam vencer com a ajuda do Deracre e da Secretaria Municipal de Agricultura.

 

 
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Rio Branco-AC, 24 de outubro de 2006
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