Diante dos fracassos anteriores e da indecisão do governo federal,
os seringalistas insatisfeitos com a dominação boliviana
e temerosos das consequências do Bolivian Syndicate articularam
uma nova revolta, novamente com financiamento do governo do Amazonas,
para cujo comando foi convidado um homem com experiência militar.
Plácido de Castro, ao assumir a revolução
preparou um exercito de seringueiros (embora os oficiais fossem todos
seringalistas) e começou a luta em 6 de agosto de 1902, em
Xapuri.
A guerra entre o exército acreano e as forças
regulares bolivianas foi dura e passou por momentos sangrentos, durando
até 24 de Janeiro de 1903, quando foi tomada Puerto Alonso,
transformada então em Porto Acre. Mais uma vez foi declarado
o Estado Independente do Acre, embora o objetivo final dos acreanos
continuasse sendo obter a anexação do Acre ao Brasil.
Tratado de Petrópolis
A mudança na presidência brasileira foi
marcada por uma nova postura do governo brasileiro em relação
ao Acre. Enquanto Campos Sales (1898 / 1902) não quis envolver
a problemática republica brasileira na questão acreana,
o novo Presidente Rodrigues Alves (1902/1906) estabeleceu uma política
oposta. Rio Branco, nomeado Ministro das Relações Exteriores,
iniciou as negociações com a Bolívia que foram
resolvidas com o estabelecimento do Tratado de Petrópolis em
17 de novembro de 1903.
Com isso o Acre passou a fazer parte do Brasil, restando
ainda o problema com o Peru que só seria definitivamente resolvido
em 8 de setembro de 1909 com a assinatura do Tratado do Rio de Janeiro.
O Território Federal do Acre
A partir de todos os acontecimentos acima descritos
surgiu o Território Federal do Acre, uma nova identidade regional,
perfeitamente identificada com a identidade nacional brasileira. Surgia,
enfim, a sociedade acreana.
O Movimento Autonomista Acreano
Com a criação do sistema de territórios
federais o Acre, que almejava desde a época revolucionária
se tornar mais um dos estados autônomos da federação
brasileira, viu-se relegado à condição de mero
apêndice do Governo federal. Foram quase sessenta anos, entre
1904 e 1962, de negação da capacidade dos acreanos de
se auto-conduzirem. Durante todo esse tempo foi o governo federal
brasileiro quem indicou os governantes do Acre, independentemente
da vontade popular. Foram longos anos de desmandos e autoritarismo
oficial. Foram tempos difíceis em que a população
acreana não se conformou organizando e realizando diversos
movimentos autonomistas que a história do Acre registrou. Alguns
movimentos mais radicais (como a revolta no Juruá em 1910,
quando a sociedade depôs as autoridades e tomou conta do poder
à força das armas), outros mais brandos e legalistas
(como os movimentos de 1913, 1918, 1934,1957, etc.).
O Estado do Acre
A partir de 1962 foi extinto o Território Federal
do Acre e criado o Estado do Acre. Mesmo assim o Acre não conseguiu
superar sua crônica deficiência infra-estrutural. Apesar
de todas essas dificuldades a população acreana permaneceu
fiel às suas origens e tradição de lutas, edificando
uma sociedade multiforme e definida por sua identidade amazônica.
Fonte: Departamento de Patrimonio Histórico
e Cultural da Fundação de Cultura e Comunicação
Elias Mansour