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Jaminawas sofrem impacto da má influência não-índia Lideranças denunciam que entrada de não-índios nas aldeias acaba levando produtos e costumes que só prejudicam seu povo |
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Lideranças jaminawa lamentam a situação em que se encontram alguns membros de seu povo, mas lembram que esse não é um problema geral porque a maioria de seus mais de 1.200 integrantes vive bem em suas aldeias. Quanto aos constantes assassinatos entre parentes, reconhecem que isso, tristemente, transformou-se em tradição, por isso há esperança de que acabe a partir da conscientização dos mais jovens através da educação. Aos 52 anos, Zé Correia, que durante mais de uma década foi cacique da Aldeia do São Lourenço, no Alto Acre, de onde vem a maioria das índias pedintes que se espalham pelas ruas de Rio Branco, reconhece o problema, mas teme que ao tocar no assunto seu povo inteiro seja vítima de preconceito quando a mendicância atinge um número bem reduzido de seus parentes. “A maior parte de nossa gente vive muito bem caçando, pescando e plantando nas aldeias, mas alguns insistem em vir para a rua pedir esmolas. Isso nos envergonha muito, mas estamos trabalhando para resolver a situação”, explicou ele, que atualmente atua como chefe do posto indígena de Sena Madureira. Outros fogem do conflito Mendicância à parte, ele esclareceu que no caso do índio Adão Barbosa, agredido a tiro e terçadadas em Assis Brasil, seus filhos e sobrinhos desceram para Rio Branco, alguns para ajudar a cuidar dele na Casa do Índio e a maioria porque teme ser assassinada pelos próprios índios que quase acabaram com ele. “Essa é uma situação muito complicada. Por causa disso, esses parentes do Adão estão sendo levados para viver lá no Caeté, em Sena Madureira, onde estarão mais seguros. Já a Nazaré, que disse que é mulher dele, hoje vive com outro homem, estava pedindo esmolas enquanto não saía o dinheiro da sua aposentadoria. Agora, que recebeu, está voltando para sua aldeia”, relatou. Problemas sem solução Com tristeza, Zé Correia, que é também secretário da Organização das Comunidades Agroextrativstas Jaminawa (Ocaej), reconheceu duas situações para as quais ele não conhece solução. A primeira é a da índia Maria Francisca, que com uma bebê risonha ao colo, foi capa do Página 20 de quinta-feira. “Essa morava lá no Caeté com o marido e quatro filhos, vieram para a cidade e já disseram que não voltam para a aldeia porque lá não tem rádio e outras coisas que gostam na cidade, por isso não vão voltar por mato ouvir grito de capelão”. E complementou: “A gente fica mais triste porque eles tinham casa e tudo, mas não explicam porque é que resolveram ficar aqui envergonhando nossa gente quando pedem esmola na rua”. O segundo problema para o qual Zé Correia já nem sabe qual solução poderia ser proposta, é a questão da matança ente os Jaminawas. “Já aconteceram tantas mortes que acabou como se fosse uma tradição quando os parentes se encontram. É muito triste, mas sei que um dia isso vai acabar, a esperança está na educação e boa orientação para os mais jovens porque os velhos não dobram a cabeça”. Não-índios contaminam aldeias O presidente da Organização das Comunidades Agroextrativistas Jaminawa (Ocaej), Aderaldo Correia Jaminawa fez questão de destacar que os problemas de mendicância e mortes entre os jaminawa é muito grave, mas que atinge um pequeno número de pessoas enquanto a grande maioria vive muito bem nas 14 aldeias de seu povo. “A verdade é que com a abertura das estradas ficou mais fácil para que os caçadores e pescadores brasileiros, mais garimpeiros peruanos invadam nossas comunidades localizadas no Alto Acre levando para lá bebidas, drogas e outras coisas de que nós nunca precisamos para nossa sobrevivência”, explicou Aderaldo para então relatar as conseqüências disso: “Essas pessoas não respeitam os índios nem nosso modo de viver, falam coisas ruins que afetam alguns de nós e isso acaba ameaçando a sobrevivência de toda a nossa cultura, principalmente entre os mais jovens”. Quanto ao problema das bebedeiras, Aderaldo foi taxativo: “A gente faz a nossa parte conversando e orientando os índios, a questão é que os não índios continuam desrespeitando a lei e vendendo cachaça para os índios. O problema é que nós fazemos a nossa parte, mas as instituições não índias não fazem a deles que é fiscalizar a aplicação da lei punindo rigorosamente os que insistem em vender bebidas para os índios”. Explicou que com a conquista da terra e a organização de aldeias que aos poucos vão se tornando cada vez mais produtivas e estáveis, os jaminawas vem conseguindo melhorar sua qualidade de vida, especialmente por influência da educação, tanto que hoje mantêm 14 jovens estudando em Sena Madureira, Rio Branco e Assis Brasil. “Estamos preparando estes jovens para que estudem, se formem e depois voltem para suas aldeias onde irão contribuir para que nossos descendentes tenham um futuro melhor”. Resgate cultural Através da Ocaej, Aderaldo trabalha já há quatro anos o resgate da cultura jaminawa como forma de garantir a união e o amor entre seu povo. Nisso é fundamental o papel dos pajés que conhecem todas as histórias e tradições dos jaminwa como também os remédios que podem curar os males de seu corpo e alma. O problema é que para 14 aldeias, geralmente distantes umas das outras, restam apenas quatro pajés. São eles Sebastião que se mudou da aldeia São Lourenço, em Assis Brasil para a Terra Indígena do rio Caeté em Sena Madureira. Carlito que mora na aldeia Caiapucá localizada na Terra Indígena do Baixo Purus. Antônio Batista que mora na aldeia Betel na Terra Indígena Mamoadate e o “Marreta” que também vive na aldeia Betel. “Nas aldeias em que existem pajés os problemas são muito menores ou praticamente não existem, por isso estamos preparando mais de 12 novos pajés. A questão é de que para estarem prontos nós precisamos muitos anos, mas isso é muito importante para a sobrevivência de nosso povo”. |
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