| OPINIÃO | ||
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Maria Regina Canhos Vicentin * |
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| TV Cultura para as nossas crianças No mês de dezembro tenho a intenção de escrever alguns textos alusivos ao Natal, e até já estou pensando neles, mas como ainda estamos em novembro não posso me furtar um comentário diante do ato monstruoso cometido dias atrás por uma de nossas emissoras de TV. Não recordo se foi no dia 07 ou 08 de novembro, terça ou quarta-feira respectivamente, que a Rede Globo de Televisão interrompeu a programação infantil no período da manhã, quase na hora do almoço para dar, provavelmente em primeira mão, a notícia do assassínio de dois filhos pela própria mãe, com uma lixadeira. Lamentavelmente meus filhos, como milhares de outras crianças por este Brasil, estavam assistindo aos desenhos animados nesse horário. Eles ficaram extremamente chocados e perplexos. Foram correndo me contar a triste história veiculada no informativo excepcional da emissora, normalmente utilizado diante de notícias graves e urgentes. Eu fiquei realmente irada com a TV Globo. Será que a necessidade em ter a primazia na exibição da notícia precisava se sobrepor ao bom senso diante da programação que estava sendo apresentada? Afinal, qual é a população que costuma assistir aos desenhos animados? Crianças, em sua maioria, com certeza. Crianças expostas à crueza dos meios de comunicação de massa, que não levam em conta sequer o público a que estão se dirigindo. É por isso que resolvi lançar a campanha: TV Cultura para as nossas crianças, onde passarei a incentivar a programação dessa emissora para os pequeninos. Todos sabemos da ética empregada pela TV Cultura, só não sabíamos a que ponto poderia chegar a falta de ética da TV Globo. É realmente inacreditável. Estamos inseridos num contexto atual que se parece com aquelas estórias: “se correr o bicho pega, se ficar o bicho come”. Tudo leva a crer que não temos saída para o lixo que é veiculado pela TV, com honrosas exceções sempre e sempre, é claro. Eu, particularmente, não assisto TV há muitos anos, mas compreendo que não posso forçar o restante da família a fazer o mesmo. Procuro então, controlar o tempo de exposição à telinha, como faço também com os jogos eletrônicos. A idéia é dosar qualitativamente as alternativas de distração, incentivando o contato social que acontece nas brincadeiras com outras crianças de idade similar. Manter uma criança dentro de casa o tempo todo, somente na TV, jogos eletrônicos e computador, é um verdadeiro crime. A socialização é de extrema importância nos primeiros anos de vida. Caso contrário, estaremos correndo o risco de nossas crianças optarem pelo mundo virtual, como já ocorre em outros países, e descobrirem a depressão e o isolamento cedo demais. É uma pena que os pais estejam praticamente sozinhos nessa luta pelo adequado. Muitos adultos não demonstram qualquer preocupação pelos filhos dos outros. Esquecem que vivemos numa coletividade, e que o que plantarmos necessariamente iremos colher mais dia menos dia. Banalizemos a violência e iremos colher mais e mais violência. Plantemos a insegurança e iremos colher a desconfiança. Cultivemos o desamor e teremos inúmeras pessoas impiedosas e sádicas. Já não é isso que vemos por aí? Pessoas sem qualquer condição de controlar seus impulsos sexuais e agressivos? Descontando nos outros toda a sua fúria e insatisfação. Precisamos ficar atentos e cuidadosos, propondo alternativas concretas para lidar com o descaso atual, caso contrário seremos vítimas da nossa própria omissão. Estou procurando fazer a minha parte. TV Cultura para as nossas crianças! * Psicóloga e autora dos livros “Buscando a Felicidade” (Editora Celebris), “Sementes de Esperança” e do lançamento “Temas do Cotidiano”, ambos da Editora Santuário |
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