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POLÍTICA

Seminário discute gestão em terras indígenas

Estado apresenta resultados e aponta novas propostas para a gestão territorial em terras indígenas

 


Andréa Zílio e Cléia Serra

 
“Não resta dúvida de que houve um avanço na questão indígena no Acre. Nós, índios, aprendemos muito e hoje temos noção do nosso espaço, como utilizá-lo de forma adequada.” Esse é o depoimento do representante de todos os índios do Estado, o secretário de Povos Indígenas Francisco Pinhanta, durante o seminário “Gestão Territorial em Terras Indígenas”.

O evento, que começou na última quarta-feira e termina hoje, discute de forma ampla, com resultados e propostas futuras, a gestão territorial nas terras indígenas. Uma programação que marca o grande avanço do Acre na questão.

Para chegar aos resultados que estão sendo apresentados no seminário através do etnozoneamento, que é um dos instrumentos na gestão territorial de terras indígenas, os profissionais da Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Naturais (Sema) e do Instituto de Meio Ambiente (Imac) mostram que a caminhada foi longa e contou com o apoio de muitos parceiros.

Segundo o secretário da Sema e presidente do Imac, Carlos Edegard de Deus, o etnozoneamento é uma ferramenta que o governo está disponibilizando aos povos indígenas para que eles tenham o suporte necessário no planejamento de seus projetos, podendo desenvolver um trabalho consciente e claro, de como suas terras podem ser exploradas sem degradar as riquezas naturais.

“O governo do Estado propôs implementar, desenvolver e melhorar as políticas públicas para a população indígena, e isso será melhor desenvolvido a partir desse documento, que tem todas as informações necessárias para subsidiar os projetos. Essas informações também facilitam para que os índios tomem seus destinos nas mãos e gerenciem seu futuro com inteligência, sabedoria e coerência para o melhor aproveitamento das terras e das riquezas naturais”, enfatiza o secretário.

Sabedoria e valor - Na avaliação de Francisco Pinhanta, o seminário é uma oportunidade de orientar os próximos passos da questão indígena no Acre, além de ser uma oportunidade de rever, sentir e discutir a questão de maneira detalhada e clara. O trabalho, segundo ele, está apenas começando. “Estamos tranqüilos, pois sabemos que o novo governador vai dar continuidade a esses trabalhos tão importantes para nós, povos da floresta”, diz.

O Acre aponta passos largos com os resultados do etnozoneamento, que é realizado pela Sema e tem o apoio financeiro do Banco Intermericano de Desenvolvimento (BID) e do Projeto de Gestão Ambiental Integrada (PGAI), por meio da Cooperação Alemã.

Apresentados no seminário, os resultados mostram cinco mapas, com oito temáticas cada, trabalhados em cinco terras indígenas: Rio Gregório, Caucho, Katutkina/Kaxinawa de Feijó, Colônia 27 e Caeté. Sendo que nestas terras estão os povos das etnias Yawanawá, Katukina, Kaxinawa, Shanenawa e Jaminawa.

Discussão da gestão – A gerente do Zoneamento Ecológico-Econômico (ZEE), Magaly Medeiros, explica que o etnozoneamento é a primeira fase do processo de implementação para os instrumentos de gestão e que os povos indígenas deverão ter outras fases, para que possam realizar a gestão de seus territórios. “Vale ressaltar que todas as informações desse trabalho foram dadas e reconhecidas pelos próprios índios. Não estamos inventando nada de novo para eles, o que estamos fazendo é disponibilizar nossos conhecimentos técnicos de forma a auxiliá-los na melhor exploração de suas terras”, explica.

A gestão indígena – Todo o diagnóstico está disponibilizado em mapas temáticos, vídeos didáticos e documentos impressos. José Corrêa, tesoureiro da Organização Agro-Extrativista do povo Jaminawa, do município de Sena Madureira, reconhece a importância do trabalho e das informações contidas nos documentos.

“Para nós é importante ter esse material nas mãos, pois assim saberemos diagnosticar as riquezas das nossas terras para poder fazer melhor uso delas. Essas informações serão trabalhadas em nosso próprio beneficio. Por exemplo, a partir de agora saberemos onde será melhor plantar, caçar e habitar”, explica.

Programação continua – O seminário continua hoje não só com a presença de alguns especialistas no assunto, como é o caso do renomado Paul Little, mas também com as lideranças indígenas, já que são elas os principais protagonistas dessa história.

Lideranças como Toya Manchineri, o cacique Bira Yawanawá, entre outros, dividem espaço com Cloude Correia, Marcelo Iglesias e mais consultores, em uma discussão conjunta de uma nova experiência.

“O melhor desse trabalho é que ele foi feito com base no conhecimento da comunidade. Essa é a primeira experiência do trabalho na terra Mamoadade com o povo Manchineri e Jaminawa. Através desse levantamento feito no Etno poderemos utilizar essas informações para fazer vários projetos de utilização adequada desses recursos”, diz Toya.

O governo do Acre mostra o que fez e vai mais longe, apontando novos passos para a longa caminhada que objetiva a harmonia do homem com a natureza, em um consenso do uso adequado dos recursos naturais que permita sua permanência no planeta para as futuras gerações.

 
 
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Rio Branco-AC, 24 de novembro de 2006
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
   NA TRIBO
Com Roberta Lima
   PORONGA
Da Redação
 
 
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