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| ALMANACRE | |
| Elson Martins | |
Minissérie da Globo com espírito da Florestania Elson Martins A Revolução Acreana de 1903 não terminou. Foi essa a idéia que me ocorreu quinta-feira pela manhã no teatro Plácido de Castro lotado, após a exibição de um especial de 15 minutos da minissérie “Amazônia - de Galvez a Chico Mendes”. A primorosa produção da TV Globo sobre a história incomum da ocupação do Acre promete sacudir o coração dos acreanos. O especial exibido consta de uma colagem, apenas, de cenas dos capítulos já filmados, mas possui movimento, beleza plástica e ficção suficientes para nos envaidecer (no bom sentido) e orgulhar. Grande parte da platéia não se segurou deixando-se levar de nó na garganta e lágrima a escorrer pelo rosto. A situação política e administrativa que se vive hoje no Estado conspira a favor. Não me refiro apenas à performance do governador Jorge Viana, que encerra seus dois mandatos como um “popstar”. Acredito também que a continuação do Governo da Floresta nas mãos do Binho Marques e a efervescência social que ressurge no coração e mente dos acreanos autorizam sonhar com novas conquistas. A minisérie mistura história, amor, coragem, natureza, fantasia, cor e tanta coisa mais convencendo, de um jeito mágico, as pessoas de diferentes níveis culturais e ideologias que elas formam um povo forte com história de fazer inveja a outros povos do mundo. Sei que o trabalho da Globo não foi feito com essa intenção exata, mas funcionará assim no imaginário da gente. O Acre anda, faz algum tempo, vestido com roupa de missa de domingo. Recuso-me a continuar ignorando isso, seja em nome do que for. Aplaudi na quinta-feira o fato do José Roberto Marinho (dono das Organizações Globo) ter ganhado o prêmio Chico Mendes na categoria nacional. Ele o merece, tanto quanto o animado e persistente Grupo de Teatro Garatuja, na categoria estadual, e as mulheres que produzem sabão e sabonete com substâncias colhidas na floresta de Xapuri. Outro exemplo de que o Acre entra com o pé direito na modernidade sem desatolar o esquerdo de sua insinuante tradição foi a inauguração, também na quinta-feira, da Biblioteca da Floresta, que leva o nome da ministra Marina Silva com merecimento. Ali e em outras coisas que virão pode-se promover o diálogo que falta entre saberes da colocação do seringal e da ciência e tecnologia, para qualificar a construção da sociedade que Chico Mendes e tantos outros viveram e vivem em espírito. Vale sonhar com a idéia de que a velha Revolução Acreana pode ganhar o viés ambientalista e sustentável para ajudar a salvar a Amazônia e seu povo, amigo da natureza e da espiritualidade. Juvenal e Laura tiveram uma filha A musa Laura, do poeta Juvenal Antunes, cuja estátua guarda a entrada das novas instalações da Fundação Cultural Elias Mansour, no segundo Distrito, não foi invenção poética. Laura teve uma filha com Juvenal que se tornou feira e viveu até os 79 anos. Com um detalhe que revela a profundidade (ou estranheza) do amor que uniu o casal, o pai morreu sem saber da existência da filha.
Quem faz a incrível revelação é a escritora Lucia Helena Pereira, sobrinha-neta do poeta e autora de sua biografia. Juvenal, que viveu 30 anos como hóspede do Hotel Madrid, em Rio Branco (Acre), onde agora funciona a Fundação Cultural, era promotor, boêmio e poeta da dimensão de um Augusto dos Anjos e de um Manuel Bandeira. Mas o Brasil não o conheceu como devia. Após viver 30 anos do começo do século passado no Acre, ele tentou, doente, retornar à terra natal - Ceará-Mirim, no Rio Grande do Norte - mas morreu a bordo do navio que o transportava, nas imediações de Manaus. É o que nos conta Lúcia Helena no livro ainda inédito: “Juvenal Antunes de Oliveira – sua vida, suas obras, seu grande amor e sua morte”. Na “Síntese Biográfica”, a escritora, que também é poeta escreve: - Amou uma única mulher - Laura! Esta teve uma filha com o poeta, em 14 de junho de 1920, em Ceará-Mirim. Seu nome de batismo: Albaniza Cerqueira de Carvalho, posteriormente irmã Flórida, que se ordenou feira da congregação das irmãs Franciscanas de Nossa Senhora do Bom Conselho, servindo no Colégio Nossa Senhora de Fátima, de Natal (RN), durante muitos anos. - Irmã Flórida falaceu em 29 de setembro de 1999, aos 79 anos. Embora Juvenal desconhecesse completamente (por exigência de Laura) e irreverentes essa filha, a família Antunes tomou conhecimento da sua existência em meados de 1953. Eu, particularmente, ao descobrir o nosso parentesco, logo a procurei e nutrimos mútuo afeto, contanto que eu respeitasse a sua paternidade; - Quando preparava a Breve Coletânia de Juvenal Antunes, por uma questão de ética, procurei a irmã Flrórida que me recebeu no colégio. Eu precisava de sua autorização para descrever o amor de Laura por Juvenal sem ferir-lhe os “brios”. Inclusive, narrando as investidas do meu tio, pulando o muro do quintal para ver sua amada. O livro de Lúcia Helena Pereira é um mergulho suave na obra poética de Juvenal, recheado de observações sutis e amorosas sobre a produção dos sonetos, sobre as manias do seu tio-avô, sua boemia, sua solidão, sua feiúra e sua genialidade, Ela informa, por exemplo, que Juvenal empregou em vários sonetos esta imagem poética sobre Laura: Teu corpo tem, Laura, A expressão consta do soneto “À Laura, numa hora de solidão”, do qual reproduzo estes versos: Teus olhos, que direi desses dois globos, Que ora cordeiros são, ora são lobos. E parecendo grandes, delinqüentes, São dois cândidos olhos inocentes. Olhos que dizem sim e dizem não, Olhos de maldição e perdição... Olhos virginais, olhos de donzelas, Adornadas de palmas e capelas. Olhos de minha mãe junto ao meu berço, Olhos de minha avó rezando o terço
O Bloco do Pombal A foto acima foi enviada pela cronista e colaboradora desta página, Leila Jalul. Ela suou para identificar os carnavalescos dos anos cinequenta em Rio Branco: De pé, da esquerda para a direita: Franklin Pinheiro da Silva, Clodomiro Lameira, Emílio Assmar, Clovis Fecury, Pedro Feitosa, José Maurílio de Oliveira - Zuza do Mariano, Cláudio Assmar, Mário Ivo Leite - filho do Seu Clio e de D. Eudóxia, um que não lembro do nome e o Oswaldo Fecury. Agachados (os dois primeiros não lembro): César Augusto Baptista de Carvalho, Paulo Roberto Silva - filho da Dona Jazena e, por último, meu tio Joel Araújo – ex-marido da Beinha e da Madalena Assef e de outras tantas que daria um bloco. |
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