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Desenvolvimento com justiça social

Só a inclusão do capital comunitário nos grandes projetos em construção no Acre garantirá qualidade de vida para todos

Juarcy Xangai
Ex-empregados da Bonal
agora trabalham como proprietários
das plantações e das fábricas


Juracy Xangai

“O que estamos colocando em debate, de forma inovadora, é a partilha do capital com participação dos pequenos produtores nos grandes investimentos que estão sendo realizados no Acre.” O senador Sibá Machado explica dessa maneira a essência do que representa sua parceria com as entidades populares organizadas para incluir o capital comunitário no desenvolvimento.
Esse foi o tema dos debates ocorridos durante os dois dias de realização do II Intercâmbio de Experiências Produtivas do Acre, que tratou da inclusão dos pequenos produtores através das associações ou cooperativas que os representam nos grandes negócios que estão sendo instalados no Acre.

Como senador suplente da ministra Marina Silva, Sibá Machado voltou seu mandato para a interiorização da Ufac e para a melhoria tecnológica do setor produtivo. Isso se traduziu na forma de emendas ao Orçamento Geral da União e em garantir o repasse desse dinheiro.

Recursos que estão garantindo a construção ou a ampliação de campus da Ufac em cidades como Brasiléia e Sena Madureira, num total de seis municípios, ou nos recursos necessários para que a Embrapa desse continuidade às pesquisas e levasse ao produtor rural técnicas que melhoram a produção de leite e a produtividade das pastagens, que garantem a qualidade da castanha, espécies vegetais que produzem óleos e açúcar para a produção do biodiesel.

À Funtac para que montasse seu laboratório de pesquisa para a fabricação de fitocosméticos e fitoterápticos (remédios) a partir de ervas, árvores e outros organismos da floresta. Também aí foi criado o Centro de Referência de Energia e fontes Renováveis onde foram construídas duas usinas para a fabricação de biodiesel pelos processos de craqueamente ou de transisterificação a partir de matérias primas locais. Outras duas em Cruzeiro do Sul.

No apoio à formalização de consultorias de apoio aos produtores da Coopel que assumiram a usina de leite da Sila e também aos extrativistas da Coopel que além de comercializar borracha e copaíba assumiu a fábrica de castanha de Brasiléia dominando toda essa cadeia produtiva da coleta ao beneficiamento e colocação no mercado nacional.

Empolgado com os resultados, afirma: “Nosso entendimento é o de, que ao combinarmos o elemento político com o científico e a economia, produzimos resultados que garantem o fortalecimento do capital social estimulando o desenvolvimento sustentável dos pontos de vista econômico e ambiental com distribuição da renda, para que seja socialmente justo”.

Vim, vi e me convenci!

Desenvolvimento de experiências do setor produtivo chama a atenção pela rapidez de seus efeitos na comunidade

Caminho da roça

O prefeito de Porto Acre, Ruy Coelho, foi o único que acompanhou a visita a todos os projetos durante os dois dias do intercâmbio e esclareceu. Ele esclareceu por que toda essa atenção. “Ao vermos essas experiências que estão sendo realizadas com sucesso no Acre, aprendemos muito, e um dos fatores que ficou claro é a importância da organização dos produtores, seja em associações ou cooperativas para alavancar o desenvolvimento do setor produtivo. Também ficou claro que esse desenvolvimento não acontecerá sem que nossos produtores do campo e da floresta tenham tecnologia para isso. Há ainda o fato de que o gargalo maior está na falta de trafegabilidade das nossas estradas e ramais.”

Oportunidades raras

Animado com a reativação da usina Álcool Verde e com a inauguração da vitrine do Terra Sol em seu município, o prefeito de Capixaba, Joais Santos, declarou: “A reativação da usina de álcool vai trazer milhares de pessoas para Capixaba e nosso desafio está em nos organizarmos para atender esse contingente e aproveitar as oportunidades de negócios que irão surgir para quem acreditar em nosso município”.

Tecnologia é desenvolvimento

Presidente da Federação da Agricultura do Estado do Acre (Faeac), o pecuarista Assuero Veronez participou da visita à Álcool Verde. “O plantio da cana vem quebrar o paradigma dos que afirmam que o Acre não tem vocação agrícola. Esse setor está dando certo porque tem tecnologia e estradas trafegáveis, coisa que falta aos outros produtores do Acre. Essa usina é o marco inicial da agricultura competitiva em nosso Estado, pois é necessário incorporar tecnologia e conquistar mercado para garantir melhor qualidade de vida aos produtores.”

Revolucionário

Filho de agricultores gaúchos, Semildo Kaefee veio para o Acre como madeireiro, conheceu Vila Califórnia, entrou para o Reca e plantou 13 hectares de agrofloresta. “Juntando minha castanha, cupuaçu, pupunha e outras frutas, tenho conseguido uma média de R$ 50 mil por ano. Entrar para o Reca foi a melhor coisa que eu fiz na vida. O segredo do nosso sucesso está na união e na decisão coletiva dos produtores.“

Também queremos

Esperança. Esta é a palavra que expressa o sentimento do presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Rio Branco, Francisco Alves Silva, o “França”, após visitar a Álcool Verde. “Hoje nossos produtores já não podem derrubar mais nada de floresta, suas terras estão cansadas e não há trator para atender suas necessidades, então o plantio da cana seria nossa alternativa de sobrevivência, porque com boi a gente já viu que não dá. Tenho certeza de que essa é a grande saída para o Acre e fico triste porque nós estaremos fora dela porque eles só compram cana produzida a até 30 quilômetros em volta da Usina. A solução seria construir outra, mais perto de Rio Branco.”

Produzir para crescer

Durante os dois dias do intercâmbio, o deputado estadual eleito Mazinho acompanhou todas as visitas realizadas pela comitiva. “Trabalho com a compra e venda de borracha há 19 anos e agora estou colocando em operação nossa fábrica de castanha em Sena Madureira. Isso demonstra que estou diretamente ligado ao setor produtivo e fico feliz de ver o empenho do senador Sibá na busca de dinheiro para ajudar a levar esses empreendimentos adiante, como também de nos mostrar quanta coisa boa temos no Acre.”

União para o sucesso

Representando a Cooperativa Agroextrativista de Feijó (Coaf), José Sales do Nascimento esclareceu que há anos sua entidade vem trabalhando com a borracha e agora inicia a produção de polpa de frutas regionais com destaque para o açaí. “Esse intercâmbio foi muito importante porque pude perceber que não somos só nós que enfrentamos dificuldades, mas também que a solução está na nossa organização para exigir nossos direitos e participar do mercado, porque sem dinheiro nada vai pra frente.”

Quebra essa castanha...

Manoel Oliveira, presidente da Cooperacre, que administra a usina de Brasiléia declarou: “Aqui tudo que a gente ganha com a produção e a venda da castanha é 100% do produtor. Com isso conseguimos garantir a compra e um melhor preço para ele e, graças à ajuda do senador Sibá Machado e do governador Jorge Viana, realizamos um sonho de 20 anos, que era industrializar nossa produção”.

Façam a revolução!

O deputado estadual Delorgem Campos também acompanhou todos os dois dias de intercâmbio das experiências produtivas. “Ao receber do senador Sibá essa oportunidade de ver tantas experiências produtivas dando certo em nosso Acre, chego à conclusão de que há cem anos os acreanos fizeram a revolução pelo rifle papo-amarelo, Jorge Viana fez uma revolução administrativa no Acre e nós temos a missão de promover a revolução tecnológica para gerar renda no campo e desenvolver o Estado.”

Produção, ciência e tecnologia: chaves do desenvolvimento

Dois dias foram necessários para que a comitiva com mais de cem produtores rurais e lideranças cooperativas do setor produtivo acompanhados por deputados estaduais, prefeitos, secretários estaduais e municipais, além de representantes de órgãos federais, conhecessem algumas das experiências produtivas que vêm sendo realizada com mais sucesso no Vale do Acre.

Nos dias 8 e 9 deste mês, eles participaram do II Intercâmbio de Experiências Produtivas no Acre, organizado pela equipe de gabinete do senador Sibá Machado em parceria com o governo do Estado, mais instituições como o Sebrae, Embrapa e Incra, além de sindicatos e de filiados da Organização das Cooperativas Brasileiras no Acre (OCB-AC).

A inclusão do capital social no desenvolvimento do Acre por meio da participação dos pequenos produtores organizados como sócios proprietários, com direito a voz e voto dentro dos grandes projetos agroindustriais e florestais que vêm sendo instalados no Acre, é a proposta e finalidade principal dessas ações.

Nesse sentido, já está garantida a participação cotista dos produtores na usina da Álcool Verde, fábrica de Tacos e Decks, fábrica de Preservativos Masculinos, em Xapuri, e no Abatedouro de Aves, em Brasiléia. Isso graças a ações cedidas pelo governo do Estado, que vem investindo mais de R$ 90 milhões no estímulo ao desenvolvimento industrial ao longo do eixo da Estrada do Pacífico.

Produtores competentes

Exemplo concreto disso é o fato da Cooperativa dos Pequenos Produtores do Baixo Acre (Cooperacre) administrando a fábrica de castanha de Brasiléia e a Cooperativa dos Agricultores Estrativista de Xapuri (Caex), a de Xapuri.

Nelas, são os produtores que, por meio de suas cooperativas, orientam com sucesso toda a cadeia produtiva da floresta ao transporte, beneficiamento e comercialização. Com isso garantem a compra e um melhor preço para a castanha e já fazem planos mais ousados para o beneficiamento da nova safra que começa a ser comprada dia 28 próximo. Vem comercializando uma média de 1.300 toneladas de castanha por ano, mais de 800 toneladas de borracha e uma tonelada de óleo de copaíba.

Administrada pela Cooperacre, a fábrica de Brasiléia funcionou em caráter de teste durante três meses neste ano descascou 35 toneladas de castanha. A de Xapuri, sob controle da Caex descascou 100 toneladas e vendeu outras 350 em casca.

Por isso, foram dois dias nos quais ficou claro que com um pouco de apoio, nossos produtores rurais são capazes de dominar cadeias produtivas inteiras, desde o campo até a comercialização nos planos local, nacional e até internacional, se necessário.

Vaquinhas de ouro

Tão ou mais ousada vem sendo a experiência dos 190 produtores que, há pouco mais de um ano, assumiram e estão acabando pagar dívida de R$ 1,1 milhões de reais do Lacticínio da Sila falida pelos empresários. Provaram sua viabilidade econômica fazendo seu beneficiamento saltar de dois mil para mais de dez mil litros de leite por dia, transformando-a no maior lacticínio da Capital. Pagaram débitos pendentes com os produtores, estão concluindo o pagamento da dívida junto aos credores e apresentam lucro real.

Plantadores de florestas

Exemplo prático da viabilidade econômica do sistema agroflorestal é a experiência vivida pelas 364 famílias filiados à Associação dos Pequenos Agrossilvicultores do Projeto de Reflorestamento Econômico Consorciado e Adensado (Reca), localizado em Vila Califórnia, que possuem 1.800 hectares de florestas consorciadas e agricultura.

Nela combinam mais de 40 espécies que vão do cupuaçu, mogno e castanha, até o mangostão, araçá boi e pupunha beneficiados em suas quatro agroindústrias. Elas exportam polpa de frutas, palmito de pupunha, óleo de castanha, manteiga de cupuaçu, sementes de pupunha e outros produtos para todo o Brasil. Exemplo único de sustentabilidade ambiental e econômica com justiça social na Amazônia.

Energia para crescer

O fim do primeiro dia foi marcado pela visita ao Centro de Referência de Energias e Fontes Renováveis realizas experiências que utilizam desde restos de pneu ou plástico, até os mais variados óleos vegetais de plantas cultivadas ou extraídas da floresta, para transforma-los em biocombustíveis focados no atendimento às pequenas comunidades e famílias que vivem em pontos mais isolados da floresta. Para sua viabilização foram montadas usina piloto de transesterificação e outra de craqueamento das matérias primas para transforma-las em combustível. Enquanto isso Embrapa orienta pequenos agricultores no cultivo de mamona, dendê e outras para a produção de óleo e álcool.

Destaca-se neste caso, a experiência que possibilitou a fabricação dos 34 fogões geradores de eletricidade, que queimam qualquer tipo de combustível vegetal, garantindo o preparo da comida enquanto gera energia suficiente para alimentar cinco lâmpadas e uma televisão ou rádio. Com a vantagem de não produzir fumaça.

Tão importante quanto produzir energia, é poupá-la, como no caso da Luz Espelhada, criada e patenteada pelo Acreano Alceste Castro, ela faz com que uma simples lâmpada fluorescente de 40 watts consiga através de um jogo de espelhos, iluminar ambientes tão bem quanto uma luminária de rua com 250 watts que consome, pelo menos, cinco vezes mais energia com um alto custo de instalação e reposição.

Nova Bonal

Criada sobre 10 mil hectares remanescentes do antigo seringal Bom Destino a Fazenda Bonal foi comprada pelo governo federal e repassada ao governo do Estado que em parceria com o Incra, organizou uma cooperativa entre os ex-funcionários e assentados que agora detêm a propriedade coletiva da terra.

Eles hoje administram a fábrica de palmitos, extraem borracha das mais de 56 mil seringueiras cultivadas e manejam os mais de oito mil hectares de floresta de onde extraem madeira, açaí, castanha e outros produtos não madeireiros. Em seu primeiro ano plantaram sete mil novas seringueiras e mais 30 mil pupunheiras, querem plantar 200 mil em 2007. Iniciaram a criação de gado de leite, piscicultura, começam agora criação de frangos de corte e para postura de ovos.

Álcool Verde

Quando o governo do Estado comprou a massa falida da antiga Alcoobrás para reativá-la vendendo 60% de suas ações ao Grupo Farias, outros 10% ao Grupo Santa Elisa e 25% para um consórcio de empresários acreanos, reteve 5% das ações na mão do Estado e com eles está negociando a participação dos pequenos produtores na produção e nos lucros da empresa Álcool Verde.

A usina, que já tem mais de 500 hectares de cana plantados em seus viveiros de mudas, estará investindo pelo menos R$ 60 milhões em todo o sistema para iniciar a produção com 45 milhões de litros de álcool em 2008, gerando pelo menos 1.500 empregos diretos.

Fábrica de tacos

O complexo industrial florestal de Xapuri é composto pela fábrica de tacos e decks, fábrica de preservativos masculinos, pólo moveleiro e usina de castanha Chico Mendes.

Fundamentada no uso sustentável da floresta, comprará, preferencialmente, a madeira de 160 manejadores comunitários, número que logo deverá atender pelo menos 600 dessas famílias. Dispondo dos mais modernos equipamentos vindos da Alemanha, a fábrica que é toda automatizada empregará 150 pessoas para produzir 25 metros cúbicos de tacos e decks por turno de oito horas.

Em fase final de montagem dos seus equipamentos, ela deverá entrar em funcionamento no primeiro semestre de 2007 focada na exportação num Estado que tem seis milhões de hectares potencialmente aptos para fornecer 35 tipos de madeira à indústria florestal. Através de sua cooperativa os manejadores comunitários tem participação em 8% do patrimônio da empresa e 15% do lucro final.

Vitrine rural

A comitiva participou da inauguração da vitrine do Projeto Terra Sol executado pelo Sebrae financiado pelo Incra em parceria com o Banco do Brasil, Embrapa, Seprof e prefeitura de Capixaba. Localizado no quilômetro 56 da BR-317, naquele espaço estão sendo expostas a produção dos projetos de assentamento Alcoobrás, Zaqueu Machado e São Gabriel.

Preservativos masculinos

Em agosto 65 famílias seringueiras iniciaram o fornecimento de látex que está sendo centrifugado na Fábrica de Preservativos Masculinos de Xapuri, em dezembro já são 250 famílias e, é importante ressaltar que 90% deles tinham desativado suas estradas de seringa, há vários anos. Com a reativação cada família teve um acréscimo médio de renda que varia de 350 a 400 reais por mês, havendo casos em que chegou a 1.200.

Sua linha de produção de preservativos entrará em funcionamento no início de 2007 com capacidade para fabricar 100 milhões de preservativos, cuja compra já está garantida pelo Ministério da Saúde. Então, 600 famílias estarão fornecendo látex à fábrica onde eles também tem participação acionária e no lucro final.

Abatedouro de aves

No primeiro semestre de 2007 entrará em funcionamento o Frigorífico de Frangos Caipiras de Brasiléia, que na verdade estará pronto para abater também os frangos de engorda convencional e outras aves criadas na região. Seu objetivo principal é beneficiar a produção de 80 famílias de Brasiléia e Epitaciolândia com o abate e resfriamento diário de pelo menos 4.500 frangos do tipo caipira melhorado, com vistas ao mercado acreano, boliviano e peruano da fronteira.

Nesta indústria em que o governo do Estado está investindo mais de R$ 5,6 milhões, os produtores também terão participação nas ações da empresa e nos lucros.

 
 
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Rio Branco-AC, 24 de dezembro de 2006
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