OPINIÃO
   MIOLO DE POTE

Marcos Vinícius Neves

 

Rio Branco – 124 Anos

A cidade mais antiga do Acre

Esta semana, no dia 28 de dezembro, a capital acreana estará completando 124 anos de existência desde que a histórica expedição comandada por Neutel Maia aportou aos pés da Gameleira e marcou o início do povoamento efetivo destas terras. Por isso o artigo de hoje é inteiramente dedicado a contar essa história através de imagens e de uma breve síntese das etapas de desenvolvimento da cidade.

1ª Fase – 1882 / 1908 – de seringal a cidade

Antes da chegada dos homens brancos no Acre estas terras eram ocupadas pelos guerreiros índios Apurinã. Em 28 de dezembro de 1882 Neutel Maia, a frente de um grupo de trabalhadores nordestinos, desembarcou na volta do rio, em frente à frondosa gameleira e fundou o seringal Empreza que se estendia em ambas as margens do rio Acre. Enquanto o Seringal Empreza continuou a se desenvolver na margem esquerda, a margem direita passou a ser conhecida como a Volta da Empreza (por causa do porto situado bem na curva do rio) e gradativamente se transformou em um povoado. Logo a Volta da Empreza se tornou um importante porto e entreposto comercial para a importação do gado que vinha dos campos bolivianos e por isso seu domínio foi disputado duramente em dois grandes combates da Revolução Acreana. Com o fim da guerra o povoado se tornou sede provisória da Prefeitura Departamental do Alto Acre e, já em 1904, o povoado foi elevado à condição de vila com o nome de Villa Rio Branco. Mesmo estando situado em uma área alagável, em 1908, a vila já possuía quatro diferentes bairros: o bairro comercial, o bairro África, o bairro do Quinze e o bairro Canudos.

2ª Fase – 1909 / 1940 – Uma cidade dividida

No final de 1908 foi realizada por Gabino Bezouro, Prefeito Departamental do Alto Acre na época, uma desapropriação imposta pela força das armas de uma faixa de terras do Seringal Empreza, na margem esquerda do rio. Pouco tempo depois era fundada Penápolis como a sede definitiva da Prefeitura Departamental onde foram implantados os primeiros prédios oficiais da cidade. Mas pouco tempo depois, já em 1910, os dois lados do rio foram oficialmente unificados com o nome de Rio Branco. Dez anos mais tarde (1920) se tornaria então a capital do Território Federal do Acre. Mas só a partir de 1926, no Governo Hugo Carneiro, Rio Branco recebeu uma infra-estrutura compatível com sua condição de capital (Mercado Municipal, Palácio Rio Branco, Quartel da Polícia, Penitenciária e Stadium do Rio Branco) consolidando o traçado de sua zona urbana que, na época, acabava na Avenida Ceará.

3ª Fase – 1941 / 1970 – Colônias/bairros uma cidade em expansão

Durante o governo de Oscar Passos foi definido um plano de ampliação da cidade. Para tanto foi realizada a desapropriação (dessa vez de forma negociada) das terras do Seringal Empreza que se estendiam ao norte da Avenida Ceará. A partir dai foi estabelecida uma área suburbana para expansão da cidade e a Zona ampliada que incluía, além da área suburbana, áreas para diversas colônias agrícolas que deveriam ser instaladas. Mas isso tudo só foi efetivado com o governo Guiomard Santos quando estas terras foram doadas para colonos. Foram então implementadas colônias agrícolas (São Francisco, Custódio freire, Dias Martins, etc.) apoiadas por núcleos mecanizados para beneficiamento da produção, bem como por escolas e postos de saúde. Além disso, a cidade recebeu diversos outros equipamentos governamentais (Aviário, Cerâmica, Estação Experimental, etc.). Assim, gradativamente, a cidade se expandiu pela transformação da área suburbana e das colônias agrícolas em bairros.

4ª Fase – 1970 / 1998 – Invasões/bairros uma cidade em explosão

Durante o período da Ditadura Militar teve início a venda dos seringais acreanos para os “paulistas”, a partir de 1970, deflagrando um processo de intenso fluxo migratório do campo para a cidade. Rio Branco começou a inchar pela ocupação de áreas no interior e no entorno da malha urbana. A partir de então a cidade conheceu o período das “invasões” de terras publicas e privadas que tiveram, em muitos casos, caráter tão dramático quanto os empates que ocorriam nos seringais. Estas invasões deram origem assim a dezenas de bairros sem nenhuma infra-estrutura urbana (pavimentação, água, luz, saneamento básico, etc.) ou ordenamento territorial, mergulhando a malha urbana de Rio Branco numa situação caótica.

5ª Fase – 1999 / 2005 – Reordenamento urbano

A partir de 1999 começam a ser realizadas diversas intervenções na malha urbana de Rio Branco, especialmente nas vias estruturantes, modificando e melhorando os fluxos internos, bem como o acesso aos bairros mais distantes do centro. Além disso, obras de revitalização do centro antigo da cidade e de implantação de equipamentos urbanos, como o Parque da Maternidade, consolidam um novo modelo de urbanismo cujos resultados já melhoraram sensivelmente a qualidade de vida de todos os moradores da cidade. Isso tudo somado às ações de gestão participativa, de intervenção nos bairros periféricos pela Prefeitura de Rio Branco - com o decisivo apoio do Governo do Estado - e da aprovação de um novo Plano Diretor para orientar o crescimento da cidade; revelam que, 124 anos depois de sua fundação, Rio Branco já começa a viver uma nova fase de sua história.

* Este é um breve resumo da síntese histórica que norteou a elaboração do Plano Diretor de Rio Branco aprovado em 2006.

 

 
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Rio Branco-AC, 24 de dezembro de 2006
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