POLÍTICA

Índios em pé de guerra contra a Justiça do Trabalho

Mais de 40 acampam na sede exigindo a devolução do prédio

Marcos Vicentti
Imóvel foi penhorado pela Justiça do Trabalho e arrematado por R$ 32 mil


Renata Brasileiro

Mais de 40 índios de etnias diversas do Estado estão acampados desde segunda-feira na antiga sede da União das Nações Indígenas (UNI). Eles exigem que o juiz do Trabalho, Celso Alves Guimarães, conceda-lhes a sede de volta, que foi leiloada sem o conhecimento de nenhum deles ao valor de R$ 32 mil.

Os índios estão no local armados com flechas e recebem o apoio de suas lideranças, bem como do diretor da Organização dos Povos Indígenas, Manoel Gomes da Silva, conhecido como Manoel Kaxinawá. Danças típicas “de guerra” estão embalando o dia-a-dia dos manifestantes na sede, que garantem não abandonar o local até que a Justiça lhes dê um parecer favorável. O prédio foi penhorado pela Justiça do Trabalho e arrematado pelo advogado Gumercindo Rodrigues.

“Estamos insatisfeitos com essa decisão do juiz. Primeiro porque sequer fomos avisados de que nossa sede iria a leilão. E depois porque esse lugar tem uma grande representatividade para nós, é um patrimônio que pertence aos povos indígenas do Acre há 24 anos”, destacou o diretor.

Na sede, localizada na Rua Amazonas, no bairro Cerâmica, funcionava mais recentemente a Organização das Mulheres Indígenas do Acre, que consistia na produção cooperada de artesanatos e outras atividades afins.

Em carta enviada à imprensa, os membros da organização expressam grande revolta e relatam que a sede tem servido de ponto de referência para todo o povo indígena que habitam nesta Amazônia brasileira.

“Vimos através desta afirmar que não deixaremos o patrimônio indígena ser roubado e entregue a terceiros de graça, pois o mesmo representa nossa luta em defesa de nossos direitos inalienáveis a terra, saúde, educação, respeito sócio cultural e espiritual. Este patrimônio pertence a todo a povo indígena e deve ser respeitado, como símbolo de nossa história e resistência em prol de nosso povo”, diz um trecho da carta.

“Por esta razão, não deixaremos que Gumercindo se aposse de nosso patrimônio. Para nossa decepção Gumercindo nos anos 80, militava junto com Chico Mendes na luta em prol dos seringueiros e o movimento social. A luta de Chico Mendes e a nossa não acabou, nossa continua e desta vez, mais forte como nunca. Não sairemos daqui, mesmo que tenhamos que sacrificar nossas vidas e nosso povo em prol do que é nosso”, finaliza o documento.

 
 
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Rio Branco-AC, 25 de janeiro de 2007
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
   NA TRIBO
Com Roberta Lima
   PORONGA
Da Redação
 
 
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