POLÍTICA

Prefeitura usa plano de contingência

Angelim afirma que situação é de absoluto controle e que município está preparado para socorrer famílias

Cedida
Defesa Civil vem trabalhando plano
para proteger famílias de riscos
de deslizamento de terra


Resley Saab

A Prefeitura de Rio Branco faz a identificação e a remoção de famílias cujas casas estão na iminência de desabar, depois que altíssimos índices no volume de água foram registrados em quatro igarapés da cidade, entre a noite desta terça-feira e a madrugada de hoje. “Temos um levantamento criterioso de todas as áreas e estamos identificando os casos considerados emergenciais”, disse o prefeito Raimundo Angelim, em entrevista coletiva hoje pela manhã, na Secretaria de Serviços Urbanos, Semsur.

O repique do Igarapé São Francisco, o segundo maior manancial de Rio Branco, causou transbordamento em vários pontos da cidade, atingindo ao menos 700 famílias. Quinze delas estão alojadas em casa de familiares. Além do São Francisco, transbordaram o igarapé Batista, o do Fundo e o da Estrada Dias Martins.

A Coordenadoria Municipal de Defesa Civil (Comdec) vem adotando dois parâmetros para caracterizar a atual situação dos moradores dessas áreas. A primeira é a de “risco potencial”, pela qual o morador pode sofrer algum problema de deslizamento de terra ou de inundação a médio e longo prazo, e a segunda, de “risco iminente”, quando a remoção deve ser imediata.

De acordo com o prefeito, apenas três famílias - que perfazem dezoito moradores do bairro Preventório - estariam nesta última condição, até as 11h40 de hoje. Elas foram removidas pela Comdec.

“Cada caso é um caso e com base no nosso plano de contingência, estamos identificando aqueles problemas que precisam ser atendidos com a maior presteza possível”, ressaltou Angelim. “A situação atual é de total controle, mas para que seja totalmente resolvida exigirá ações de médio e longo prazo e que não poderão ser concretizadas por inteiro ainda nessa gestão”, completou, referindo-se ao problema da ocupação irregular das áreas de risco. “É preciso congelar a ampliação das moradias nessas áreas impróprias e foi exatamente isso que tratamos de fazer, logo que assumimos”.

Como resultado dessa mobilização, o Município já entregou 45 casas a moradores que estavam em situação de extremo risco de desabamento, nesse momento constrói mais doze e realiza nova licitação para outras doze unidades.

“Se me perguntarem se isso resolverá o problema definitivamente, eu afirmo que não, mas é preciso que as pessoas se conscientizem de que não devem vender suas casas para depois querer voltar a morar em condições precárias novamente”, pontuou o prefeito.

Em 2006, a Prefeitura de Rio Branco demoliu 198 casas e retirou 380 famílias de áreas insalubres. Essa reorganização é prevista no novo Plano Diretor da Cidade, sancionado também no ano passado, e que proíbe quaisquer edificações em áreas consideradas impróprias para habitação.

Hoje pela manhã, secretários de diversas pastas e o vice-prefeito, Eduardo Farias, discutiram a situação com Angelim, na sede da Semsur. Eles descartaram, a princípio, a necessidade de auxílio do Governo Federal.

No São Francisco, ponte é interditada

O aumento vertiginoso do volume de água do igarapé São Francisco obrigou a Coordenadoria Municipal de Defesa Civil a interditar a ponte de madeira que liga o bairro Aviário ao bairro São Francisco, ontem à noite. O fechamento ocorreu às 22 horas, quando o manancial subia em média meio metro a cada dez minutos.

Às 3 horas de hoje, a água já havia atingido os dormentes da ponte, construída provisoriamente até que uma outra de alvenaria seja erguida no lugar, como parte do programa Calha Norte, cujas obras no valor de R$ 11 milhões, darão nova vida à região.

Segundo o coronel Gilvan Vasconcelos, coordenador Municipal de Defesa Civil, a exemplo do ano passado, a prefeitura poderá usar o Parque de Exposições Marechal Castelo Branco Coelho e o Ginásio de Esporte Álvaro Dantas como abrigos a pessoas que não tiverem para onde ir, caso o nível das águas do rio Acre suba. Ele informou que o Riozinho do Rola, o afluente que mais exerce influência sobre o Acre, apresentava vazão.

Pela manhã, o nível do Rola era de 15,21m, mas ao meio-dia já havia descido para 11,50 m. Esperava-se para as próximas horas um aumento no volume do Acre, justamente por conta da cota da manhã, que ainda não havia atingido a calha do Acre. A cota de ontem do Acre era de 12,28 metros e a cota de alerta é de 13,30m. As primeiras casas são atingidas quando o rio alcança os 13 metros.

 
 
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Rio Branco-AC, 25 de janeiro de 2007
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
   NA TRIBO
Com Roberta Lima
   PORONGA
Da Redação
 
 
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