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| Elson Martins | |
A minissérie “Amazônia - de Galvez a Chico Mendes” entrou na Revolução Acreana de verdade sob o comando de Plácido de Castro, o herói do Acre recentemente reconhecido e entronizado no Panteão da Pátria em Brasília. Entre os novos personagens que vão entrar em cena está Antônio Português, amigo dos bolivianos preso por Plácido e solto a pedido de um seringalista. A comandante das forças revolucionárias acreanas arrependeu-se do ato: Antônio refugiou-se no lado boliviano levando informações preciosas do exército de seringueiros em formação. A novidade é que o “traidor” é representado na minissérie por um ator (Gláucio) de origem acreana. Ele é filho da bela acreana dos anos cinqüenta, Enilza, e neto do sargento Horácio, que fazia parte da antiga Banda de Música da Guarda Territorial. Plácido de Castro fala do personagem em seus “apontamentos” de guerra publicados pelo irmão Genesco de Castro no livro “O Estado Independente do Acre e J. Plácido de Castro”, que não soube dar o destaque merecido. O escritor xapuriense Océlio Medeiros, entretanto, está editando os apontamentos em parceria com o coronel Luciano da Silveira, da ativa do Exército, que se apaixonou pela história criando mais de 200 ilustrações a bico de pena para o livro. Seguem algumas das ilustrações, referentes ao Antônio Português e ao começo da Revolução Acreana, quando Plácido de Castro e sua tropa surpreendem as forças bolivianas em Xapuri, na madrugada de 6 de agosto de 1902.
PAU SURDO-MUDO
Se alguém conhecer algum primeiranista de qualquer faculdade calado, quieto, tome cuidado. É doente e o mal pega. Ou é esquizofrênico ou vai ser. No curso de direito que fiz, eram poucos os caras direitos. A maioria, era porralouca, engraçada, inteligente. Todos desejosos de se firmarem profissionalmente. No meio deles, o xerife Walter Prado, o desembargador Praça, Isaurinha Maia, Maria Amélia Alencar Araripe Guedes, João Bosco Abdalla Isper, Telmo Camilo Vieira, Carlos Jorge Lavocat, o Galo Tonto, de saudosa memória, Elias Chaul, Antonio José Sapha, Chiquinho do Detran e outros, dentre estes, Conceição. É de Conceição que vou falar. Antes das aulas, o papo era com Ceiça, como carinhosamente a chamávamos. No banco dos condenados, atentos, ouvíamos a noite de ontem de Ceiça. De segunda até sexta, histórias novas. Era doida aquela mulher. A TV chegou ao Acre só em 74. Foi naquele ano que um belo jovem fazia as vezes do Willian Bonner da TV Acre, afiliada da Globo. Pensem num homem lindo. Multipliquem por três e os leitores terão idéia do nosso Bonner. Lindodó. Um dia, cheguei mais cedo, só para ouvir as doidices da Ceiça, que marcou namoro com o lindodó. - E aí, Ceiça, conseguiu? - Consegui. - E aí? - Uma merda! - Como? Uma merda, como? - Mulher, nem te conto. Fomos no fusca dele para a estrada da Cruz Milagrosa. Ficamos parados bem na frente da cruz... - Sim. E daí? - Daí? O cara ficou mais de duas horas para me dizer que o negócio dele só subia se eu conversasse com ele... - E pau ouve, Ceiça? - Ouve nada. Fiquei com aquele troço morto na minha mão, enquando dizia: “querido, pensa, aqui quem fala é tua dona. Olha, sou a Ceiça, tenha fé que tudo vai dar certo”. - E deu? - Deu nada. Quanto mais eu falava, mais aquele troço esfriava. Parecia maria-mole. Beijo de gia, sabe como é? Alisei, esfreguei, falei ao pé do ouvido e nada. - E aí? Aí começou a aula do doutor Ilmar Galvão. Nada mais foi dito, nada mais foi perguntado, nada mais foi respondido. Desse dia em diante comecei a duvidar dos milagres da cruz milagrosa. Amazônia para sempre! A Floresta Amazônica, esse nosso patrimônio tão rico em biodiversidade e enredo de histórias fantásticas, está ameaçada. Por isso, três atores da minissérie “Amazônia - de Galvez a Chico Mendes” - Christiane Torloni, Victor Fasano e Juca de Oliveira - estão encabeçando um movimento que visa recolher assinaturas do maior número de pessoas para alertar as autoridades sobre a necessidade de preservação das nossas matas. Diz o documento: “A Floresta Amazônica é patrimônio nacional e sua utilização far-se-á, na forma da lei, dentro de condições que assegurem a preservação do meio ambiente, inclusive quanto ao uso dos recursos naturais. Assim, deve-se implementar em níveis Federal, Estadual e Municipal a interrupção imediata do desmatamento da Floresta Amazônica” Assine. Sua participação também é muito importante. |
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