COTIDIANO

AA completa 27 anos de fundação no Acre

Grupos de auto-ajuda instalados no Estado refletem a mensagem de vida que se espalha por mais de cem países


ASSOCIAÇÃO foi criada há mais de duas décadas no Estado


Val Sales

A Irmandade de Alcoólicos Anônimos (AA) completa nesta terça-feira 27 anos de fundação no Acre. 24 grupos de auto-ajuda no Estado agregam homens e mulheres que compartilham suas experiências, forças e esperanças a fim de resolver seu problema comum e ajudar outros a se recuperar do alcoolismo.

Depoimentos contundentes revelam a face voraz de uma doença progressiva e de determinação fatal que hoje atinge milhares de pessoas, que se embrenham cada vez mais cedo na marcha de uma legião que cresce rumo a um futuro incerto. Porém, a esperança ainda é a mola que move a humanidade e, sendo assim, AA surgiu como uma porta aberta para os que já atingiram a exaustão da dor, da vergonha, do preconceito e da impotência diante do primeiro gole de álcool.

Renasci das cinzas

“AA entrou na minha vida em 2003, quando eu me encontrava em total desespero e já não acreditava em mais nada. Inicialmente pedi ajuda no pronto-socorro de Rio Branco, de onde fui encaminhada para o Hospital de Saúde Mental (Homsc). Fiquei internada um mês. O mundo lá fora havia acabado para mim e eu pensava mesmo em cometer suicídio. Na ocasião, uma psicóloga me falou das reuniões de AA, e mesmo assim eu ainda não tinha me interessado”, desabafa M.R., membro de Alcoólicos Anônimos. E ela segue seu relato:

- Finalmente fui a uma primeira reunião para conhecer a irmandade, quando me despertou no depoimento de algumas pessoas, a esperança de que existia uma saída para mim. A partir daí, comecei a ver o outro lado da vida, sempre que ouvia as pessoas falando com alegria que há muitos anos não ingeriam bebidas alcoólicas. Pensei então que para mim também haveria uma porta aberta. Foi quando passei lutar realmente pela minha vida.

- Mesmo depois de algumas recaídas eu não desistir, porque sabia que somente lá eu havia conseguido me manter sóbria e em paz. Hoje somo sete meses que não bebo, mas também não deixo de freqüentar as reuniões. Desde que cheguei a primeira vez, encontrei pessoas que me acolheram e que me entenderam. Falamos a mesma língua, já que elas passaram pelos mesmos caminhos tortuosos que eu passei e venceram. Essas pessoas estão lá até hoje, servindo de exemplo para os que chegam.” (MR passou várias vezes por casas de recuperação antes de ingressar no AA).

Uma história de coragem e resignação

“Meu encontro com Alcoólicos Anônimos aconteceu no dia 21 de fevereiro de 1998, quando estava eu pela primeira vez entrando em uma sala da irmandade, mas ainda não acreditando que era uma alcoólatra, pela minha visão ser a mesma que hoje eu vejo que é a da sociedade em geral, de que o alcoólatra é aquele que bebe todo dia, que a família já não quer mais, já deu o desprezo e que está na beira de mercados. Eu acreditava que os alcoólatras eram esses”. Parte do depoimento de N. L. N, membro de AA há nove anos. Ela derrama em seu relato uma situação que hoje ainda atinge milhares de mulheres no mundo. Saiba mais:

Fui à reunião mesmo acreditando que não era uma alcoólatra. Fui porque minha família é que achava que eu estava bebendo demais e meu marido me levou até uma sala de auto-ajuda. Chegando lá, assisti a duas horas de reunião, ouvi todos os depoimentos e, ainda assim, não me conscientizava de que era uma alcoólatra.

Depois de algumas formalidades, me conscientizei que tinha realmente problemas com a bebida, porém, ainda não estava no estágio de beber todo dia ou de ter perdido emprego e família. Percebi que o poder superior estava me dando uma oportunidade. O poder superior na forma que eu concebo hoje é Deus, porque o AA não tem ligação com nenhuma religião ou seita, e essa é a forma que cada um o concebe.

O poder superior me deu essa oportunidade antes que eu perdesse o emprego e fosse totalmente desagregada do meu seio familiar, o que na realidade eu até já estava sendo afetada, porque quando faziam festas não me convidavam devido as minhas ‘aprontações’. Não cheguei em AA em um estagio de que eu bebia nos bares, ou caída na sarjeta, como vejo hoje mulheres que amanhecem o dia nas ruas e mendigam. Não cheguei a isso, mas tenho a consciência de que iria chegar, já que se trata de uma doença progressiva. E não é AA que diz que é uma doença, e sim a própria Organização Mundial de Saúde, (OMS) que afirma que ela não tem cura.

Sabendo disso, por que eu não me manteria em uma sala de AA, para deter a marcha do meu alcoolismo? É isso que faço e que venho fazendo porque gosto da programação da irmandade. Ela diz que só por hoje eu não bebo, só por hoje eu evito o primeiro gole. Eu comparo ao ‘fiado’, quando se chega na taberna e vê-se escrito ‘fiado só amanhã’ e esse amanhã nunca chega. Assim para mim é evitar o primeiro gole: só por hoje, o amanhã pertence a Deus.

O que me fez ficar na sala foi os 12 Passos de AA, que me ensina a viver e conviver, porque cheguei lá cheia de defeitos e manias que adquiri no campo do alcoolismo. Estou me lapidando, não vou virar santa, mas com certeza AA me resgatou, me tirou do lixo e me devolveu para a sociedade, onde sou um outro ser humano”. (Informações pelo telefone: 3224-9449. Endereço Escritório de Serviços: Rua Coronel José Galdino, ao lado da Igreja Santa Inês, Bosque).

 

 
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Rio Branco-AC, 25 de fevereiro de 2007
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
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Da Redação
 
 
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