OPINIÃO
   CRÔNICA

José Cláudio Mota Porfiro *

 


Por que não reestatizar?

No mínimo, alguém dirá que enlouqueci de vez. No máximo, esses loucos que prevêem o advento e a apoteose da minha loucura, surdamente, de conluio com os travesseiros cuspidos e com as esposas obesas, hão de admitir as minhas mil razões que a própria razão reconhece. Senão vejamos.

Os abusos que são cometidos pelos capitalistas da pós-modernidade - que compraram as nossas teles e as empresas de fornecimento de energia elétrica, dentre outras de menor expressão, como alguns bancos estaduais falidos pela inapetência de dirigentes sempre políticos e nunca técnicos - devem ser urgentemente contidos por quem de direito. Esses sanguessugas estrangeiros, especialmente espanhóis e mexicanos, não têm limites para a voracidade dos atos imorais praticados contra o povo. Eles exorbitam nos preços e inventam dívidas e sobretaxas que inexistem, na realidade, posto que não há uma discriminação precisa, nas faturas, do que foi gasto pelo consumidor. Pior é que apenas uma parcela mínima busca socorro nos Procons. Uma grande massa de enganados paga porque não analisa os documentos. Enquanto isso, eles enchem os bolsos com dólares gerados a partir do suor e do sangue de uma população aviltada porque não há quem lhes defenda da sanha apocalíptica desses gângsters do novo milênio.

Quem dentre os meus amigos deputados federais ou senadores poderia se insurgir contra esses malfeitores internacionais que têm como finalidade maior fazer sangrar a economia popular dos latino-americanos até que ela definhe ou agonize ou morra, como na maioria dos países da grande África?

Antes da era FHC, como era tão mais barato um telefonema e como as contas de energia elétrica não aumentavam sempre aos pulos! Hoje, qualquer reclamação deve ser feita a uma agente de telemarketing que está a milhares de quilômetros da residência da vítima da gatunagem. E a mocinha - do lado de lá da linha, é claro - cumpre bem o papel de dar sempre razão ao patrão que também a engana e a quem nunca viu ou verá.

Fernando Henrique não consultou o povo. E tudo só não foi bem pior porque conseguimos salvar a Petrobrás e a Embraer, empreendimentos altamente rentáveis.

É preciso prestar muita atenção para um truquezinho safado que vem ocorrendo faz um bom tempo. Há sempre um grupo de cupinchas das elites internacionais - como o Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central indicado pelos tucanos - que fazem propaganda suja segundo a qual aquela empresa que está na mira do capitalista internacional é inviável financeiramente, para o Brasil, é lógico. Aí, então, o poder executivo acredita porque faz parte da gamela, o legislativo se cala porque nada entende, e o judiciário está atarefado demais. Batem o martelo e o negócio é arrematado por um espertalhão vindo do inferno da pedra. Como é que um superdotado desses iria comprar uma massa falida? Seria para fazer um favorzinho aos brasileiros? Não! Nesse mundo de meu Deus já não há lugar para os imbecis; só para os nossos que vendem um bem erguido à custa da contribuição do povo, como é o caso das nossas teles que, em dois meses, já davam lucros exorbitantes, segundo o Financial Times.

Os sistema pode ter até melhorado, sim, mas a exorbitância dos preços que pagamos não justifica de forma alguma a extorsão, exatamente porque o avanço tecnológico também se opera em outros países, onde os preços não são tão altos. Observe-se que, na Suécia, por exemplo, as chamadas telefônicas nacionais não são pagas. Por quê? Seria a hora e a vez de perguntarmos o que a Anatel e as outras agências poderiam fazer.

O Sr. Chávez é um louco, sim. Evo, o cocallero boliviano, é um tonto - não um crápula feito o Diogo Maynard - mas, convenhamos: é preciso rever os contratos e os prazos de carência. E tudo seria votado, ao vivo, pelos que dizem representar o povo no Congresso Nacional que hoje busca se redimir. Por que não reestatizar? Nós não podemos ficar à mercê de um roubo sem fim que as trampolinagens maquiavélicas do capitalismo internacional trama contra nós do inválido terceiro mundo.

* Articulista

 

 
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Rio Branco-AC, 25 de fevereiro de 2007
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