| OPINIÃO | ||
| MIOLO DE POTE | ||
Marcos Vinícius Neves |
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De todas as manifestações populares brasileiras talvez o carnaval seja a de maior vitalidade e versatilidade e no Acre não poderia ser diferente. Desde que Rio Branco se tornou uma cidade organizada tem sido palco de inesquecíveis carnavais. O curioso é que desde então as folias carnavalescas aqui realizadas tem se modificado sensivelmente ano a ano. Assim tivemos a fase dos Clubes e do lança-perfume, a dos blocos de sujo e foliões de rua, a dos blocos e escolas de samba e atualmente a fase do carnaval da Gameleira. Enquanto não estamos preparados para escrever uma história do carnaval acreano como se deve, vale a pena uma breve viagem pelos carnavais passados, através dos “instantâneos” deixados pela pena inspirada de nossos jornalistas e cronistas e que deixam a impressão de que o próximo carnaval nunca “vai ser igual aquele que passou” Lindamente ornamentado, prepara-se para festejar o carnaval o “BILHAR DO FLOQUET”. Hoje se iniciam os bailes carnavalescos que deverão ser supimpas. Rapasiada de gosto ao “FLOQUET”. Jornal O RIO ACRE - Orgão de uma associação - 14 de fevereiro de 1909 - Nº1 - Rio Branco - Pag. 1 O CARNAVAL Entre os diversos usos do paganismo que os povos christões adoptaram, o CARNAVAL foi sem duvida o que mais radicou-se nos seus costumes.(...) Todos os dias, havia batalhas de confettis e bisnagas e das 9 horas da noite em diante bailes nos principaes hoteis, cafés e clubs. No THEATRO POLYTHEAMA os bailes carnavalescos chegaram ao auge do delirio, dir-se-hia que o mundo tinha se acabado e que só nós e o Cel. José Augusto, sobreviviamos, n’aquelle pedaço de salão, que era um verdadeiro pedaço de céo aberto. Todos pareciam estar embriagados, não digo de álcool e sim pelos perfumes das bisnagas RODO, pós de arroz e patexuly que as filhas de Vênus e discípulas de Messalina e Cleópatra deixavam desprender das suas provocantes phantasias, no redemoinhar das danças. O ultimo, como acontece em toda parte, foi um successo indescriptivel! O dia amanheceu bellissimo até á noite, o que não succedeu aos outros tão invernosos. Desde 1 hora da tarde que a rapaziada no enthusiasmo louco, começou aos folguedos do Entrudo, e todos que passavam em frente do “THEATRO POLYTHEAMA” eram multados a pagar champagne, caso não quisessem cumprir a multa, eram banhados e tinham de sahir - como um pinto molhado(...) Diversos mascarados sahiram a passear pelas ruas da cidade. O mais interessante de todos, foi o Vagalume, vendendo Muita-gelada! Critica a um turco que vende limonada gelada pelas ruas da cidade que se faz annunciar com esta phrase já popularisada.(...) O CORDÃO DOS REMEIROS merece de todos os elogios pelos seus correctismo. E assim findou o nosso CARNAVAL, que deixou-nos mergulhados em immensas saudades! O PIUM - Jornal Humoristico Inoffensivo - 20 de fevereiro de 1913 - Nº 1 - Rio Branco - Pág. 1 FESTAS CARNAVALESCAS Com inexcedível enthusiasmo terminaram, na noute de terça-feira ultima, as festas levadas a effeito nesta cidade em homenagem ao padroeiro do eterno Riso, da eterna Pagodeira - o deus Momo. Não obstante a crise monetária que flagella impiedosamente talvez quatro quintos da nossa população, todos riram, cantaram, gargalharam estonteadoramente... No SMART CLUB, onde realisou-se uma serie de partidas em honra ao deus da Pandega, a animação festiva chegou ao delírio. Num desengonçamento de fazer rir frades de pedra, a alma chic da cidade bamboleiava doudamente ao som de ensurdecedor Zé-Pereira, envolta com o espocar obusico de espumante champagne e a torrencial chuva de polychromos confettis. Durante todas as noutes de bailes, naquella casa de diversões, a banda da Companhia Regional executou magníficas valsas e tangos, seguidos do vulgarisado canto ao patrono da Alegria e da Gargalhada ! IBIS. JORNAL DO ACRE - Orgam Independente - 11 de março de 1916 - Nº 10 - Rio Branco - Departamento do Alto Acre - Pág. 1 Intendencia Municipal de Rio Branco - Administração do Exmo. Sr. Coronel Antonio Ferreira Brasil - REQUERIMENTOS DESPACHADOS Dia 16 de Fevereiro N. 90 - Leonel Vinagre, pedindo licença para funccionar no EDEN-CINEMA, nos quatro dias de carnaval, a SOCIEDADE RECREATIVA CARNAVALESCA dançante “FLOR DOS FILHOS DO BARRANCO”. - Como pede, pagando o devido imposto. JORNAL OFFICIAL - Orgão de Publicidade dos Actos da Administração - 15 de março de 1925 - Nº 10 - Rio Branco Sociedade recreativa Tentamen - tardes carnavalescas O slogan do carnaval, “VIBRA RIO BRANCO” foi seguido a risca por todos os foliões. Rio Branco vibrou nas ruas, nas praças, nos bairros, nos clubes, comemorando o “carnaval da democracia”. A festa começou quinta-feira com a entrega da chave da cidade para o rei Momo e a Rainha do carnaval, num grande baile popular com a Banda do Canecão e o Trio Elétrico Cidade, que apesar de ter se atrasado, descontou acendendo o público. Um destaque especial deve ser dado à decoração da cidade, a mais bonita já realizada, segundo opinião unânime dos foliões. À noite, ela coloria a avenida cheia de gente que chegava cedo para brincar nos blocos de sujos ou para conseguir uma posição de destaque e assistir os desfiles dos blocos e escolas de samba. O Bloco da Constituinte, deu o toque político, desfilando animado mesmo com uma bateria incapaz de motivar qualquer parlamentar. O desfile dos blocos, no domingo, foi um dos pontos altos da festa, com destaque para os cavernosos, que ganharam com justiça e para o Bafo do Bode que levantou o palanque e todo mundo na avenida. Os Gaviões da Capoeira também desceram quentes, com pinta de campeões. Nos desfiles das escolas de samba, segunda-feira, logo no início, uma atração - o renascimento da Cadeia Velha, que no ano passado decepcionou. A Diplomatas do Bosque começou a virar escola, abandonando o patrocínio de firmas comerciais que acabaram com seu carnaval no ano passado. Quando a escola do 15 entrou na avenida, foi saudada com grito de guerra que já adivinhava o resultado: “Este ano vai dar Quinze na cabeça”. Não deu outra. E o 15 fez um carnaval bonito, de pé no chão, com muita empolgação. Bonitos os destaque, maravilhosa a dupla mestre-sala e porta-bandeira, que desfilou com classe e harmonia. A Mocidade Independente entrou bonito, com um samba de primeira que o Geraldo puxou com garra e uma bateria sensacional. Empolgada a Mocidade, com muito branco e prata, querendo mais um título, que acabou com o Quinze. Foi bom assim. Valorizou ainda mais a disputa para o ano que vem. REPIQUETE - 25/02 a 04/03 de 1985 - N° 6 - Rio Branco - Pág. 12. Entusiasmo, alegria e cor no carnaval 70 de Rio Branco (...) Nem a baixa inesperada da temperatura nem o calor violento dos dois últimos dias, impediu que o povo acreano brincasse inteiramente, nas ruas e nos salões, cantando, sambando e pulando, a alegria de Momo I e Único, esquecendo as agruras do cotidiano, a carestia pôr que todos passam, uns mais, outros menos, nesta vida tão cheia de atribulações. O povo de Rio Branco superou a si próprio com um comportamento sem paralelo. As autoridades policiais não registraram nenhuma ocorrência grave, o que equivale dizer que para “a polícia o carnaval foi zero”, segundo palavras do delegado José Tristão Cavalcante Neto. CARNAVAL DE RUA - A exemplo do que vem acontecendo nas capitais dos grandes centros - inclusive no Rio de Janeiro - cada vez é menor o número de foliões que saem às ruas, em fantasias improvisadas, satirizando situações ou pessoas, ou em trajes espalhafatosos e multicoloridos, capazes de despertar o riso popular. (...) Poucos foram, assim, os que formaram os saudosos e inesquecíveis blocos carnavalescos de rua, mas os que saíram deram colorido e animação todo especial à cidade. (...) MOMO CHEGOU - Marcada para sábado, somente no domingo chegou às portas da cidade o Rei Momo (uma vez mais o popular Luizão), recebendo do Prefeito Adauto Frota as “chaves de Rio Branco”. (...) RIO BRANCO F. CLUBE - O “vovô” da cidade manteve sua tradição, propiciando aos associados e convidados especular quadra carnavalesca (...) ATLÉTICO CLUBE JUVENTUS - Clube de jovens e para jovens, o carnaval mais quente, animado e badalado, ficou provado, morou no juventus. (...) ATLÉTICO ACREANO - O “caçula” social surpreendeu pela pouca animação e frequência, exceção da terça-feira, quando os pré-carnavalescos faziam prever o máximo da alegria. (...) SBORBA - A sociedade Beneficente dos Operários de Rio Branco, durante a quadra momesca foi a primeira a iniciar os bailes (...) S. RECREATIVA TENTAMEN - O “barracão” do 2° distrito ostentou a chamada tradição, ao apresentar com “Roldão e seu conjunto” (...) CONCURSO ‘OS MELHORES DO CARNAVAL’ - Sob o patrocínio da Prefeitura Municipal de Rio Branco e Rádio Novo Andirá colaboração da Assembléia Legislativa, Governo do Estado e Banacre, realizou-se na terça-feira de carnaval a tarde , o concurso das melhores escola de samba, foliões de rua e dupla de foliões mais humorístico. (...) A DUPLA DE FOLIÕES - A dupla de foliões vencedores foi composta pelo fundista Fauzer Ayache e companheira não identificada. A fantasia de Fauzer simbolizava um seringueiro maltrapilho, jamaxi nas costas puxando uma cachorrinha, com os dizeres: “Eles chegam assim.”Seu par elegantemente trajado, fumando charuto, sapato lustroso, ar de riqueza, as costas rezava: “Depois saem assim”. Original fantasia, numa sátira aos que vem ao Acre sem nada... Pôr sinal aplaudida bastante pelo povo, a alegoria dos foliões de rua. LANÇA-PERFUME - Proibido no governo Jânio Quadros o uso e o fabrico do lança-perfume, a verdade é que nos clubes o perigoso éter surgiu à vontade, segundo alguns provindo do Peru e Bolívia (...) BEBIDAS - 16 mil garrafas de cerveja, 30 caixas de uísque nacional, 10 mil garrafas de refrigerantes foram consumidos nos clubes. ESCOLA DE SAMBA - A Unidos do Quinze desfilou dentro do cordão de isolamento próprio. O advogado Aloísio Maia conseguiu corda suficiente para conter os 108 figurantes. O RIO BRANCO - 13 de fevereiro de 1970 - N° 173 - Rio Branco - Pág. 3 Carnaval 73 terá 4 escolas de samba O carnaval de 73 promete ser animado e quente como nunca foi. Quem promete é o jornalista Sérgio Batista, superior geral e coordenador da festa momesca, dentro da promoção anual do Governo e Prefeitura. O carnaval será em março, de 4 a 6. Este ano 4 escolas de samba participarão do concurso - Cadeia Velha, Quinze, Comara e Bosque - além de dois blocos, dos clubes Juventus e Independência. Valiosos prêmios serão concedidos aos classificados em primeiro lugar e uma novidade beneficiará o público. Os jurados ficarão situados em cabines especiais, colocadas de 100 em 100 metros, obrigando as escolas a desfilarem desde o início do trajeto e não somente em frente ao palanque, como é comum em desfile de tal natureza. A partir de segunda-feira, em postos espalhados pela cidade e na sede da Prefeitura, estarão a venda os ingressos para arquibancada descoberta (5,00), arquibancada coberta (10,00), camarote com cinco lugares (200,00). Também uma coluna carnavalesca diária, assinada pelo companheiro Sérgio Batista, a partir de amanhã divulgará as atividades dos clubes, blocos e escolas de samba. O RIO BRANCO - 13 de Fevereiro de 1973 - N° 763 - Rio Branco - Pág. 1 SEM O SAMBA DAS ESCOLAS Carnaval de rua sem escola de samba. Assim será este ano, em Rio Branco. As quatro agremiações existentes da cidade deixarão de participar do desfile na Avenida Getúlio Vargas, quebrando uma tradição de 20 anos. Segundo Almir Dankar, presidente da escola de samba Unidos do Bairro 15, o motivo é simples: falta de dinheiro e apoio dos orgãos oficiais. Dankar frisou ainda que os contatos mantidos em dezembro, restringiram-se as autoridades municipais e estaduais. O RIO BRANCO - 21 de Janeiro de 1989 - N° 3615 - Rio Branco - Pág. 1. |
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