| OPINIÃO | ||
| OPINIÃO | ||
Maria Regina Canhos Vicentin * |
|
|
| Gigante é quem promove a paz! “Gigante não é o forte que derrota o pequeno. Gigante mesmo é aquele que prega a paz.” (Paulo Braga Diniz) A cada dia que passa a violência ganha mais espaço na mídia e em nossos corações. Mortes sangrentas, cruéis, sem qualquer piedade. Pedaços de pessoas espalhados pelas sarjetas, sangue escorrendo, desejo de vingança. Ouço os gritos: - Mata, mata! Matou, tem de morrer. Olho para trás e recordo outros tantos gritos: - Crucifica-o, crucifica-o! (Mc 15, 13-14). Analiso e percebo que nem sempre o povo sabe o que pede. Precisamos ser assistidos até mesmo quanto ao quê pedir. Nosso sistema econômico tem feito somente aumentar as desigualdades sociais, e parece que muitos nada têm a perder senão a própria vida. E se uns podem perde-la, por que outros não? Ora, vamos acabar com a vida de todo mundo! “Tendes ouvido o que foi dito: Amarás o teu próximo e poderás odiar teu inimigo. Eu, porém, vos digo: Amai vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, orai pelos que vos maltratam e perseguem. Deste modo sereis os filhos de vosso Pai do céu, pois ele faz nascer o sol tanto sobre os maus como sobre os bons, e faz chover sobre os justos e sobre os injustos. Se amais somente os que vos amam, que recompensa tereis? Não fazem assim os próprios publicanos? Se saudais apenas vossos irmãos, que fazeis de extraordinário? Não fazem isso também os pagãos?” (Mt 5, 43-47). Continuo ouvindo os gritos: - Pena de morte para esses, pois não são homens, são animais! Penso, é verdade, há tantos que vivem como animais. Morando em favelas imundas, cercadas pelo tráfico de drogas que movimenta milhões para os “graúdos”, e mata centenas de “laranjas”. – Mata, mata, que isso não é gente! Pessoas moldadas pelo desamor desde o berço, a quem foi negado o básico, mas foi entregue uma metralhadora, um fuzil, um revólver, assim que conseguiu forças para empunha-los. Tem gente que fica importante somente depois que mata alguém. Consegue respeito pelo temor. Faz idéia do que é sentir-se importante para quem nada tem? E para os que têm ou sempre tiveram algo, a droga transfigura! - Pena de morte pra esses animais! Coro uníssono de vozes em delírio diante do sangue esparramado. Olho pra ver de onde vêm. De quem são? Oh! Meu Deus, não é possível? São cristãos! Os mesmos que juraram abraçar a bandeira da paz e promover as bem-aventuranças. Parece que os ateus possuem mais bom senso quando pedem cautela diante dos ânimos exaltados. Relembro as palavras do Mestre: “Se amais somente os que vos amam que recompensa tereis?” (Mt 5, 46 a). Não fazem assim os próprios ladrões, assassinos, torturadores? Que pensam vocês que Jesus veio pregar ao mundo? Acaso morreu crucificado devido a uma doutrina “água com açúcar”? Não, meu irmão, você está enganado. Se amar fosse fácil não precisaríamos de alguém para nos ensinar como faze-lo. Amar é difícil. Promover a paz é custoso. Perdoar é quase impossível diante de tanta crueldade. Mas, se somos cristãos, não podemos nos juntar a turba que diz: - Crucifica-o! Devemos sim assegurar que existam ações concretas para a promoção da paz no mundo, diminuindo as desigualdades sociais, a ganância, o tráfico de drogas e, por extensão, a criminalidade. Não se esqueça de pensar nisso antes de atirar a primeira pedra! * (e.mail: mrghtin@ig.com.br) é psicóloga e autora dos livros: Buscando a Felicidade – Editora Celebris; Sementes de Esperança, e do lançamento: Temas do Cotidiano, ambos da Editora Santuário. |
||
| GIRO GERAL |
| Com Moisés Alencastro |
| NA TRIBO |
| Com Roberta Lima |
| PORONGA |
| Da Redação |
| |