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Lábrea: a certeza da impunidade se prorroga Histórico de violência na região é antigo e soluções se tornam difíceis |
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Uma região inóspita como esta do conflito entre posseiros e madeireiros, em Lábrea [AM], pode acontecer de tudo. Em dois anos cinco mortes já foram registradas em circunstâncias não explicadas, e outras cinco pessoas, pelo menos, estão desaparecidas no meio das matas cobiçadas pelos barões da madeira, grileiros, e aventureiros de toda ordem. Mas o pior ainda não veio, mas poderá vir. Encravada numa faixa de terra sem atenção do estado do Amazonas, ainda, a região do conflito, denominada de ‘assentamento Gedeão’ [posseiro por morto em conflito anterior] está a merecer os cuidados das instituições públicas. Mas o que se viu até agora foi o recrudescimento da violência na localidade que compreende todo o Seringal Esperança. Uma terra sem lei onde quem manda é que tem mais dinheiro e armas de fogo. O histórico de violência nesse pedaço do município de Lábrea, que fica a dois mil quilômetros de distancia de Manaus e apenas 150 km do Acre, não é diferente das lutas entre posseiros, pequenos produtores, madeireiros, grileiros que se conhece no Brasil e, em especial na Amazônia. O que se percebe na região, é que grileiros e madeireiros que não deram certo em Mato Grosso, Pará, Rondônia, e até no Acre, por razão diversas, mas em particular, porque não se adequaram às leis ambientais do país, migraram para um rincão onde os olhos do estado não alcançava. Não alcança ainda. E lá, livres para fazerem o que bem entendem, exploram a natureza e ameaçam quem tenta pôr freio em suas ganâncias econômicas. Resultado: o clima de violência na área aumentou e não há previsão de cessar até que o estado do Amazonas entre para fazer o que lhe é de responsabilidade. Os grileiros e madeireiros de Lábrea ousam enfrentar as leis porque têm o sentimento de que não serão pegos pela justiça. É a certeza da impunidade que habita a cabeça dos chefões e seus jagunços. O exemplo mais cabal foi a tentativa de assassinato de um aliado do movimento que foi alvejado com vários tiros na terça-feira de Carnaval e veio se socorrer em hospitais do Acre porque é mais perto e também porque a família e os amigos não confiaram levá-lo para a sede do município amazonense. O conflito em Lábrea não é novo e não surpreende os acreanos. O estado já viveu esse tipo de luta agrária, pela terra nas décadas de 70 e 80, no Alto Acre, mas a truculência que se verifica atualmente no município do Amazonas dá a garantia de que a crueza da atual guerra pela terra e seus benefícios é maior que a luta travada em Brasiléia e Xapuri nos anos referidos. Em Lábrea a violência em sua total dimensão ainda não é conhecida. Há suspeitas de que por trás dos negócios da terra, há também um comércio invisível de droga que entra pela região e ganha o Brasil adentro. Muito próxima à Bolívia [campeã na produção da matéria-prima da cocaína] a selvageria exercida por grileiros e aventureiros instalados por lá mostra que os interesses econômicos são muito maiores e mais complexos do que se pode imaginar. Assembléia do Acre atenta A Assembléia Legislativa do Acre começou bem a atual legislatura. Provocada por entidades acadêmicas e do movimento social abraçou a causa dos ameaçados de Lábrea e caiu em campo visando resolver o problema antes que este se torne impossível de solução que leve em conta a garantia dos posseiros da região terem seus direitos ao trabalho e a sobrevivência preservados. O Poder Legislativo local não perdeu tempo e rapidamente formou uma comissão de deputados que foi a Brasília e, com apoio da bancada federal conseguiu que a Ouvidoria Agrária, sob o comando do ex-presidente do Tribunal de Justiça do Acre, Gercino Filho, começasse a agir no sentido de que o conflito cessasse e os trabalhadores postos em perigo pudessem viver com segurança e condições de trabalho. Os deputados Moisés Dinis, Walter Prado, e Luiz Tchê, com apoio da presidência da Aleac e da bancada federal, foram fundamentais para que o problema fosse visto na capital federal e as instituições responsáveis começassem a tomar atitudes, tanto que não terça-feira, 27, uma grande reunião com o Ouvidor Agrário acontecerá em Porto Velho [RO], com a participação dos Incra do AC, RO e AM. Também estarão presentes o ministério público, parlamentares e representantes desses estados. O objetivo é resolver a situação e evitar que a violência aprofunde em Lábrea. -Não podemos continuar com a ‘divisa da morte’ – disse o deputado Moisés Diniz, um dos que foi à região do conflito e chegou a bater boca com um dos grileiros da localidade. |
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| GIRO GERAL |
| Com Moisés Alencastro |
| NA TRIBO |
| Com Roberta Lima |
| PORONGA |
| Da Redação |
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