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Plácido de Castro, a capital do açaí Escassez nas demais regiões do Vale do Acre fez do município um dos maiores produtores da fruta no Estado |
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Açaí existe em quase toda parte no Acre, mas hábitos errados como o dos seringueiros que derrubavam um pé para colher um só cacho, como o dos fazendeiros que derrubavam milhares para fazer pastos e outros muitos milhares derrubados para a fábrica de palmito de Senador Guiomard acabou fazendo ralear os açaizais, em boa parte do Vale do Acre. Felizmente, ainda há bastante dessas palmeiras em parte do município de Plácido de Castro, especialmente na calha do rio Rapinran, de onde se espraia com maior fartura pelas extensas várzeas da Bolívia. E, é justamente de lá que vem a maior parte do açai que hoje abastece muitas das batedoras de polpa existentes no eixo que vai de Rio Branco a Plácido de Castro. Acreano e placidino nato, Celso Luiz de Almeida, 26 anos trabalhava fazendo entregas de mercadorias no mercado da cidade e aos finais de semana ou em outras ocasiões especiais, cantava. A situação deu uma apertada e foi ajudar seu cunhado que no Projeto de Colonização Humaitá havia montado uma máquina para bater açaí e estava se dando muito bem com isso. “Não demorou muito e eu aprendi toda a manha de tirar a polpa com qualidade. Foi nessa época que conheci um pessoal de Cacoal, em Rondônia, que já trabalhavam com o açaí plantado lá e então, me convidaram para montar uma batedeira de açaí em Plácido de Castro onde eu já conhecia todo mundo e lugar onde estão os maiores açaizais do vale do Acre”, explica Celso. A fábrica Assim, há três anos, surgia a Acre Polpa de Fruta Ltda e o pequeno negócio foi progredindo de caroço em caroço até que a pequena batedeira virou fábrica que produziu mais de 250 mil quilos de polpa ao longo do ano passado, gerando com isso 10 empregos diretos e a compra garantida para a produção de centenas de seringueiros. “A safra do ano passado foi muito ruim por causa da seca do ano retrasado, por isso produzimos bem menos do que poderíamos, mas neste ano os seringueiros estão animados porque tem açaizeiro com até seis cachos quando o normal é dois ou três de cada vez. Por isso acredito que a produção deste ano deverá ser bem maior que a do ano passado”, garante. Acreditando no Acre Enquanto a maioria reclamava da dificuldade nas estradas e de incentivos do governo para o setor produtivo, os empresários cacoalenses acreditaram no negócio e investiram no Acre montando a maior fábrica de açaí, hoje em funcionamento no Estado. Investiram na organização dos produtores para garantir o abastecimento da fábrica, construíram instalações adequadas para garantir a higiene e, conseqüentemente, a qualidade do seu produto. Por fim, com o aumento constante da produção instalaram ali, uma câmara fria com capacidade para estocar 60 mil quilos de polpa de cada vez. Para abastece-la, criaram dois túneis de congelamento, cada um com capacidade para congelar seis mil quilos por dia. Ele explicou que uma lata de açaí produz uma média de 8 a 10 litros de polpa. O prefeito Paulinho Almeida, sempre que pode visita o empreendimento: “Gosto de vir aqui, conversar com o Celso, ver homens e máquinas trabalhando. Essa imagem me dá ânimo para trabalhar mais ainda porque vejo que Plácido está crescendo. A produção é o melhor caminho para gerar emprego e renda para desenvolver nosso Estado, por isso é que apoio pessoalmente, iniciativas como esta”. Animado com o negócio, Celso mantêm os pés no chão e faz uma alerta: “Nossa produção está muito boa, mas me preocupo com o fato de que todo o nosso açaí ainda esteja sendo colhido da mata à custa de muito sacrifício e até morte de catadores, enquanto em Rondônia eles colhem muito mais frutos em suas próprias plantações”. Vida de sobe-e-desce O ex-seringueiro Jean Carlos Alves, 28, pai de cinco filhos, é dono da colocação Taúba, situada no lado boliviano do Abunã e há 11 anos tem sua maior renda na colheita do açaí. “Vivo do açaí e pra mim não tem coisa melhor para ganhar dinheiro. Ano passadocolhi mais de 1.500 latas, que vendi na base de R$ 8,50 a lata, é dinheiro certo”, afirma. Animado com os resultados, Jean passou a comprar também a produção dos vizinhos, a qual transporta pelo rio até a fábrica. “Quase que acabaram com os açaizeiros para abastecer a fábrica de palmito do Quinari. Aquilo foi um crime!”. Ele explicou que coletou também 1.200 latas de castanha. “A queda da castanha vai de dezembro a março e a colheita do açaí começa em abril e vai até meados de agosto. Dá dinheiro, mas é serviço perigoso. Eu mesmo já peguei dois tombos feios. Tem deles com quase 50 metros de altura, a gente sobe e ele parte no meio, sorte que caí no meio de um cipoal, mas quase quebrei o espinhaço. É perigoso, a gente se sujeita por causa do dinheiro, não têm outro recurso”. |
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| GIRO GERAL |
| Com Moisés Alencastro |
| NA TRIBO |
| Com Roberta Lima |
| PORONGA |
| Da Redação |
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