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Centenário de José Guiomard Santos Senador Tião Viana reúne familiares e remanescentes da luta autonomista para homenagear o líder político que tornou possível a elevação do Acre à condição de Estado |
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O primeiro centenário do senador José Guiomard dos Santos, celebrado no último dia 23, foi comemorado com uma homenagem prestada pelo senador Tião Viana (PT-AC) no Memorial dos Autonomistas, reunindo familiares e correligionários do líder político cujo maior feito foi ter conseguido aprovar no Congresso Nacional a Lei 4.070, que elevou o então território do Acre à condição de Estado, em 15 de junho de 1962. As homenagens foram prestadas diante das tumbas nas quais estão os restos mortais de Guiomard e de sua esposa, dona Lídia Hermes, onde o padre Luis Ceppi fez orações e concedeu uma benção especial ao casal. Guiomard faleceu em 14 de março de 1983, no exercício de seu terceiro mandato como senador pelo Acre. O memorial dos Autonomistas, anexo ao Teatro Hélio Melo, foi erigido pelo governo estadual, nas comemorações dos 41 anos de o Acre Estado, pelo então governador Jorge Viana, como um espaço que representa a valorização daqueles que, assim como os revolucionários liderados por José Plácido de Castro, por muitos anos lutaram para que essa terra, conquistada com muito sacrifício, tivesse o seu reconhecimento como estado autônomo da Federação Brasileira. O senador Tião Viana disse que o ideal de José Guiomard em muito se assemelhava às idéias dos revolucionários dos que conquistaram o Acre, com o que concordaram remanescentes da luta autonomista, como ex-vice-governador Omar Sabino de Paula, companheiro de Guiomard Santos. No início do século, mesmo com a falta de apoio do governo federal, que se pronunciou contra a disputa com a Bolívia, os brasileiros, em sua maioria cearenses, que habitavam as terras acreanas, decidiram conquistar de fato a terra que escolheram para trabalhar, construir suas moradias e sustentar suas famílias. “Guiomard Santos deu prosseguimento à luta à medida que se posicionou, no parlamento, como um autêntico soldado em defesa da autonomia desta terra”, disse Omar Sabino de Paula. A luta autonomista liderada por Guiomard, que tinha adversários internos, inclusive nos quadros do PTB (que fazia oposição ao PSD/UDN de Guiomard), tinha posicionamento claro: além de dar seqüência à luta de Plácido de Castro, visava corrigir uma distorção criada com o Tratado de Petrópolis, de 1903, que estabeleceu o instituto do Território Federal sem no entanto lhe oferecer a autonomia política e administrativa. “Era uma situação humilhante para um povo que tinha lutado pela independência, lutado pela soberania e pela nação brasileira. Não há dúvida que o Brasil ficou fortalecido com a anexação. O prêmio para a luta dos revolucionários foi à submissão aos mandos e desmandos do governo federal, longínquo e desconhecedor da realidade local”, disse Omar Sabino. “Foi contra isso que lutamos. O Comitê Pró-Autonomia lutou durante décadas, de forma permanente. Era um comitê permanente”, acrescentou. Por diversas vezes os acreanos se revoltaram e deram início a movimentos de contestação, uns mais radicais outros mais brandos, que pediam principalmente autonomia política para os acreanos. “Queríamos ter os mesmos direitos que qualquer outro brasileiro de votar e de escolher os próprios governantes”, acrescentou o ex-deputado Wildy Viana das Neves, pai do ex-governador Jorge Viana e do senador Tião Viana, outro companheiro de Guiomard na luta Autonomista. Ele lembra que as primeiras lutas pela autonomia do Acre vêm dos anos 20, na região do Juruá. A história mostra que, em 1910, a população de Cruzeiro do Sul contra o prefeito departamental escolhido para a região. Os juruaenses chegaram a pegar em armas para depor autoridade federal e ocuparam o poder por 100 dias, lembra o ex-deputado Osmir Lima. “O governo federal chegou a mandar tropas regulares para combater os revoltosos autonomistas. Mas o movimento do Juruá ficou isolado. Em 1913 movimento semelhante ocorreria no Purus. Em 1918 seria a vez da luta autonomista chegar ao vale do Acre, em Rio Branco, que protestou intensamente contra a manutenção daquela absurda situação de subjugação ao governo federal”, contou. A segunda fase tem sua origem em 1934 quando o Acre alcança o direito de eleger dois deputados federais. A partir daí, com acesso ao Congresso Nacional, os acreanos pareciam ter a possibilidade de reverter à situação legalmente. Mas ainda não foi dessa vez. Apesar de a revolução de trinta ter alterado completamente os rumos da república brasileira, o Acre continuou sob o regime de território. A campanha contra isso é intensificada em 1957, quando o então deputado federal Guiomard Santos, ex-governador do território, apresenta o projeto de Lei de elevação a estado na Câmara. “Dessa data em diante tem início efetivamente a segunda fase do movimento autonomista. É formado o Comitê Pró-autonomia acreana para dar base de sustentação ao projeto de Lei. De 1957 a 1962, o Movimento Autonomista ganha muita força e os membros do comitê entram em intensa atividade”, conta a historiadora Maria José Bezerra, autora de uma tese de mestrado sobre Guiomard Santos editada pela Universidade Federal do Acre (Ufac). |
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| GIRO GERAL |
| Com Moisés Alencastro |
| NA TRIBO |
| Com Roberta Lima |
| PORONGA |
| Da Redação |
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