COTIDIANO

Investimento em piscicultura

Técnicos e piscicultores de todo o Acre se aperfeiçoam na arte de produzir pescado em quantidade e com qualidade

 


Mais do que água e ração a produção das variadas espécies de peixes nativos da Amazônia exigem muita dedicação e a aplicação de técnicas especiais para que atinjam o resultado esperado pelos produtores e a qualidade exigida pelos consumidores.

É isto o que vem sendo debatido no auditório da Seaprof por 58 técnicos e produtores de todo o Acre durante o treinamento realizado nos dias 23 e 24 de abril pelo consultor do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-Ac), Eduardo Ono que é engenheiro agrônomo pela Universidade de São Paulo (Usp) e mestre em aqüicultura pela Universidade de Auburn, nos Estados Unidos, além de ser vice-presidente da Comissão Nacional de Piscicultura da Confederação Nacional da Agricultura (CNA).

Esta é fruto da parceria entre o Sebrae , Governo do Estado e prefeituras englobadas pelos pólos de piscicultura dos vales do Acre, Iaco e Juruá.
Os parceiros representados pelas secretarias de Assistência Técnica Agroflorestal e Produção Familiar (Seaprof), Secretaria da Agricultura e Pecuária (Seap) e o Instituto de Meio Ambiente do Acre (Imac), Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Universidade Federal do Acre (Ufac), Serviço Nacional de Aprendizado Familiar (Senar), secretaria municipal da Agricultura de Ro Branco (Safra) e prefeituras do Bujari, Sena Madureira, Plácido de Castro, Senador Guiomard e Mâncio Lima enviaram técnicos e produtores para participar do treinamento.
Produtores aprovam

José Romildo Martins, o “Galego”, que pescou no ano passado 75 mil quilos de curimatãns, tambaquis, piaus, matrinchãs e pirapitingas des seus açudes que juntos somam 50 hectares de água agora é mais um que está recebendo orientações de Eduardo Ono.

“Vim porque ouvi falaar muito bem do treinamento que começou a ser oferecido no ano passado. Meu interesse é o de aprender novas técnicas para evitar os erros que tenho cometido e assim possa melhorar a quantidade e a qualidade da nossa produção”, declara Galego.

Ele disse estar entusiasmado com o que já aprendeu: “Descobri que a forma que eu fazia a adubagem dos açudes estava muito errada e também porque não levava em conta a influência das fezes dos peixes que acabam causando um série de problemas. A verde é que unindo as técnicas do pesquisador e nossa prática diária na criação estamos colocando os pingos nos is para conseguir melhores resultados na criação”.

Galego fez questão de destacar que: “Eu já havia participado de vários treinamentos, mas nenhum tão bom como este de agora”. Aproveitou para esclarecer que: “O pessoal está entusiasmado em criar pirarucus, mas minha experiência com eles não foi muito boa, vou esperar que aperfeiçoem um pouco mais. Por enquanto estou fazendo experiências com o surubim. Na minha experiência de vida aprendi que a gente precisa saber o que o mercado está querendo; tenho vendido peixes para Manaus e, neste momento, o que eles querem é tambaqui e surubim!”
Multiplicação dos peixes

Já o biólogo Ricardo de Souza que trabalha na estação de piscicultura da Seap onde mantêm matrizes para a produção de alevinos de curimatã, tambaqui, pirapitinga e pacu para serem vendidas a preços mais favoráveis aos pequenos produtores, participa do treinamento para conhecer novas técnicas e ter uma visão mais geral sobre a cadeia produtiva do pescado de cativeiro.

“Nós do governo do Estado trabalhamos sempre em parceria com o Sebrae por compreender que para esta atividade atingir o sucesso desejado é necessário cuidar com caarinho de todas as fases que vão desde a produção de nossos alevinos, até o manejo destes peixes pelos criadores e sua colocação no mercado quando chegam aos consumidores. Criar peixes é um negócio e como todo negócio precisa gerar lucro para melhorar a renda dos produtores e estimular o desenvolvimento do Estado”, esclarece.

Lembrou que a piscicultura é parte integrante da política de desenvolvimento em execução pelo governo do Estado, o qual, mantêm estações de alevinagem na Capital e municípios de Cruzeiro do Sul, Brasiléia e Plácido de Castro. Neste ano novas estações estão sendo construídas em Sena Madureira, Epitaciolândia e Mâncio Lima com a finalidade de incentivar o surgimento de novos criatórios e diminuir a pesca predatória.
Ensinando a pescar

Complementando o provérbio chinês, segundo o qual, mais proveitoso do que dar o peixe é ensinar a pescar, mas nestes últimos cinco anos, o Sebrae do Acre levou em consideração o aumento crescente do consumo de pescado enquanto a natureza já encontra dificuldade para repor seus estoques naturais então foi necessário completar o provérbio e ensinando a criar o peixe para poder pesca-lo.

A gestora do projeto de desenvolvimento da piscicultura do Sebrae-Ac, Rina Costa esclarece que: “Além de ensinar a criar peixe, é necessário tornar os produtores mais independentes dos pontos de vista técnico e econômico. Por isso na nova metodologia que estamos aplicando desde o segundo semestre do ano passado, nosso objetivo maior é o qualificar os produtores para que possam tomar decisões mesmo quando não haja um técnico por perto. Isto porque a espera de um dia ou mais pela presença do técnico acaba comprometendo o resultado final da produção e isso representa prejuízo no bolso”.

Essa metodologia leva a uma mudança muito importante e à quebra do paradigma da dependência que os produtores sempre tiveram do técnicos para tomar qualquer decisão em seus criatórios. Agora a assistência técnica passa a exercer o papel de consultor e apoiador do produtor.
Pescando colaboradores

O agrônomo Eduardo Ono consultor do Sebrae-Ac na implantação dessa nova metodologia que muda as relações entre o produtor e a assistência técnica e cobra dos piscicultores uma transformação comportamental está contente com os resultados já alcançados em menos de uma ano de trabalho.

“No começo da implantação deste trabalho encontramos resistência até por parte de alguns dirigentes de instituições que a princípio não entenderam bem o que era esta nova metodologia. Por causa disso a primeira turma era composta de 35 pessoas, mas os resultados positivos fizeram com que agora tenhamos 58 e ainda tem gente na fila esperando para o treinamento que estamos planejando para o segundo semestre”.

Lembra que no ano passado a ação estava focada principalmente no treinamento dos técnicos e produtores, além da instalação de duas estações de criação de alevinos de pirarucu.

Neste treinamento de dois dias encerrado ontem, o foco do primeiro dia está no planejamento da nutrição dos peixes para obter uma produção escalonada a fim de que haja pescado o ano inteiro. No segundo dia os temas centrais eram a formação de preço do pescado e a comercialização da produção.

“Notamos uma mudança muito grande no ânimo dos técnicos e produtores que vem acompanhando este treinamento desde a primeira etapa. Daqui por diante estaremos oferecendo consultorias individuais aos criadores”. Explica Ono para então esclarecer que: Estas consultorias funcionam de maneira aberta, ou seja, dedicamos um tempo a esse produtor para que fale dos problemas que tem e de suas dúvidas. Isso acontece de maneira aberta para que os outros produtores possam ouvir sobre o problema e as respostas. Trata-se de um processo de aprendizado coletivo nivelando o conhecimento de produtores e técnicos num diálogo franco e aberto que está melhorando os resultados da piscicultura no Acre”.

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Rio Branco-AC, 25 de abril de 2008
   GIRO GERAL
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   NA TRIBO
Com Roberta Lima
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Com Leonildo Rosas
 
 
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