Juracy Xangai

O fim de emprego é uma fato mundial que choca a todos, mas tomar consciência disto é o primeiro passo para abandonar antigos conceitos e tomar atitudes que garantam melhores condições de vida para si e sua família.
É assim que donas de casa, desempregados e estudantes descobrem em si mesmos a capacidade de dar novas soluções ao velho problema da falta de dinheiro tornando-se empreendedores e criando seu próprio negócio. Quem está na informalidade é alertado das vantagens e cuidados que precisa ter ao formalizar ou ampliar o negócio calculando riscos e vantagens dessas mudanças.
Isto acontece graças à parceria com o governo do Estado e a própria comunidade que a Oficina Sebrae de Empreendedorismo (Ose) realizada de sete a 18 de abril na igreja Nossa Senhora de Fátima lançou 139 moradores do bairro da Paz no arriscado mundo dos negócios onde os desafios se renovam a cada dia.
A motivação é tanta que muitos nem esperaram o término do treinamento para aceitar o desafio criando negócios que já rendem lucros animadores durante a oficina.
Mostrando as unhas - Este é o caso da manicura Margarida de Oliveira Conceição, 46 anos, mãe de quatro filhos e que tira o sustento de sua família atendendo suas clientes em domicílio e aproveitando para vender roupas. Ouviu falar bem das oficinas Sebrae e apressou-se para inscrever-se quando soube que iria acontecer uma em seu bairro.
“Faço unhas e vendo roupas, mas só eu sei as dificuldades que enfrento. Apesar disso, nunca deixei de sonhar com o dia em que terei meu próprio negócio, sabia das oficinas e tinha muita vontade de participar até que agora surgiu a oportunidade”. A curiosidade e a vontade de aprender estão dando novo rumo à sua vida esclarece: “Sempre ganhei dinheiro, mas gastava tudo comprando o que aparecia pela frente, agora entendi que preciso planejar minha vida, gastar só com o que é necessário mesmo, guardar parte do dinheiro para fazer novos investimentos e atender imprevistos, ou seja, planejar para que minha vida e meus negócios dêem certo!”
Ela é uma das que nem esperou terminar o treinamento para colocar as novas idéias em prática. Aceitou o desafio de criar um negócio que funcionasse durante a segunda semana da oficina. Começou vendendo pudim e charutos, mas os resultados não atenderam a expectativa, então pediu um panelão emprestado da igreja e à sua afilhada Fátima que a ensinasse a fazer sopas. As duas estão participando do treinamento e as sopas da parceria Marifá fizeram o maior sucesso.
“Nunca tinha feito uma sopa, mas descobri que levo jeito para este negócio que vou continuar mesmo depois que a oficina acabar. Só ontem vendemos 60 sopas a R$ 2,0 cada uma. Com o dinheiro que estamos juntando vamos comprar panelas e apetrechos para continuar trabalhando lá em casa mesmo. Durante o dia continuarei fazendo unhas e vendendo roupas, à noite vou vender roupas e com uma parceira desta sei que agora as coisas vão mudar para melhor!”
Fim da depressão - As obras de ampliação da avenida Ceará levaram à desativação do lanche tocado por Luzia Ferreira do Nascimento, a “Luzinê”. Com o fim do negócio fechado em dezembro passado, desde então Luzinê ficou em casa e mergulhou numa profunda crise de depressão que a fazia dormir na maior parte do dia.
Crise que já preocupava sua família e os médicos até iam incluí-la numa programação de atividades ocupacionais, mas tudo mudou no momento em que aceitou o convite feito por Marcílio, o presidente da associação dos moradores do bairro da Paz, para participar da oficina do Sebrae.
“Sem meu lanche o jeito foi trabalhar como ajudante na tapiocaria aqui do bairro. Começava às cinco e trabalhava até as sete e meia da manhã ficando o resto do dia sem ter o que fazer. Assim que entrei na oficina fiquei tão animada que já parecia outra pessoa”, relata.
Mas não foi só da depressão que ela se viu curada: “Quando propuseram o desafio de abrir um negócio fui atrás de uma amiga que me confiou bombons regionais para vender. Sempre tive vergonha até de sair na rua, mas tomei coragem, calcei as sandálias, enchi a cesta de bombons e fui bater de porta em porta oferecendo os doces. Nunca imaginei que pudesse fazer tanto sucesso”, confessa ela antes de falar dos seus novos planos.
“Sempre sonhei ter meu próprio negócio, mas faltava dinheiro e coragem, agora entendo que é preciso meter a cara e vencer os obstáculos ao invés de ficar chorando por causa deles. Minha mãe tem um ponto comercial que está parado, mas que vou reativar porque já tenho uma parceria para vender confecções enquanto vou pra rua oferecer bombons e tenho fé que vai dar certo!”
Casal empreendedor - Vendedora ambulante dos produtos Avon e Natura, Cleigiane Veloso de Andrade, dois filhos e o esposo Wendley Andrade Nogueira, que estão participando da oficina resolveram levar a sério o desafio de criar seu próprio negócio e já estão na luta.
Ela pediu à irmã que ensinasse fazer as panquecas que está vendendo aos participantes da oficina. “Fazer panquecas é fácil, mas exige prática, queimei o dedo várias vezes, mas graças a Deus as pessoas estão gostando e eu mais ainda. Quando a oficina terminar vou continuar vendendo meus produtos durante o dia e panquecas à noite até conseguir montar meu próprio negócio”.
O marido está vendendo misto quente, mas confessa que seu sonho mesmo é montar uma lan house combinada com videogames, mas esclarece. “Sempre pensei em montar meu próprio negócio, achava que a vida de quem tem seu negócio é moleza, mas aqui descobri que as coisas precisam ser bem planejadas e controladas senão é prejuízo certo”.
Ampliando o negócio - A dona de casa Maria Antônia Machado de Almeida e o marido decidiram fechar a mercearia por causa dos prejuízos com mercadorias vencidas e catrépes dos mau pagadores. Na parte da frente da casa montaram um bar, compraram uma sinuca e alugaram outras duas, mas perceberam que estavam precisando de orientações para organizar e ampliar o negócio, por isso ela foi fazer a oficina de empreendedorismo do Sebrae.
“Conheço pessoas que se deram muito bem depois de participar da oficina, mas só agora tenho oportunidade para participar dela. Durante seis anos a gente tocou a mercearia, mas nunca registramos a firma e agora queremos legalizar o bar, mas não sabíamos como fazer. Aprendi isso aqui na oficina e também recebi informações sobre como conseguir crédito para comprar os equipamentos e ampliar o negócio”.
Maria Antônia agora entende os motivos da falência de sua mercearia e até destaca que : “A gente comprou um monte de mercadorias e começou a vender assim sem entender bem o comércio. Era tudo desorganizado, embora anotasse as vendas no caderninho, não sabia que era preciso pesquisar preços e observar quais produtos vendem mais, organizar as coisas de maneira a facilitar para que sejam vistas pelas pessoas e controlar o estoque. No mundo dos negócios a concorrência é muito grande, então se a gente não planejar e controlar tudo direitinho a firma quebra”.
Serviço completo - Nas tardes de quinta e sexta-feira, os dois últimos dias da oficina, os participantes da oficina e outros moradores do bairro da Paz tiveram à sua disposição os serviços do Sebrae Itinerante. Nele os consultores realizaram atendimentos individuais aos clientes que foram tirar dúvidas sobre como montar e formalizar seu próprio ou acessar linhas de crédito mais favoráveis.
Já nos dias 29 e 30 de abril o Sebrae Itinerante estará oferecendo seus serviços aos moradores de Sena Madureira. Também naquele município, começa no dia 28 o treinamento do Próprio, no qual as pessoas aprendem de maneira prática como realizar pesquisas de mercado e construir seu plano de negócios sempre assessorados por um dos consultores do Sebrae.
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