Platão (“aquele de ombros largos”) tinha 35 anos quando fundou o maior templo dedicado à inteligência na história da humanidade.
Na época, Aristóteles era só um garoto de 18 anos.
Ao contrário de Sócrates, que preferia falar aos atenienses na praça do mercado (ágora), ao ar livre e pelo entardecer, Platão tinha outras idéias.
Ele achava que deveria haver um espaço, um lugar onde os homens pudessem desfrutar seu amor pela sabedoria de modo, digamos, mais cerimonioso.
Em Atenas, Platão interessou-se por um agradável bosque dedicado ao herói Academus. Nele, construiu um templo que pela localização passou a ser chamado de Academia. Ali foram realizados os mais belos diálogos da Antiguidade.
Dentre eles a Alegoria da Caverna.
Escrita por Platão no livro VII de “A República”, a alegoria é contada por Sócrates a alguns amigos.
Numa caverna, prisioneiros acorrentados só podem ver o fundo. Às suas costas, uma enorme fogueira; e entre o fogo e os prisioneiros outros homens conduzem todos os tipos de objetos, cujas sombras são projetadas na parede.
A CAVERNA ESTÁ NA SALA…
Certa feita, um dos prisioneiros consegue livrar-se e sai da caverna. Depois de uma luta tenaz para adaptar seus olhos à luz, ele fica extasiado com o sol, as cores, montanhas, vales, pássaros e plantas.
Feliz, retorna ao fundo da caverna para convencer os prisioneiros a saírem da penumbra. Eufórico, explica aos outros que as sombras na parede não passam de imitações da realidade. Mas ninguém acredita. Os prisioneiros apontam para a parede e dizem que aquilo que olham é tudo o que existe. Por fim, o visionário das luzes é assassinado.
A Alegoria tem profundas interpretações. Mas, basicamente, Platão alicerçava sua tese de que tudo o que vemos são aparências de uma essência ideal. E que cabe aos filósofos (os que conseguem ver mais além), a tarefa de conduzir os homens a esta verdade, mesmo com todo o sacrifício.
Nosso genial Maurício de Souza escreveu e desenhou uma das mais brilhantes e divertidas interpretações da Alegoria da Caverna, que hoje vem estendida neste Varal.
Nesses dias onde a nova programação da TV é assunto das rodas, vale refletir sobre sua mágica aparente.
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